b.l.o.g.

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

Fábulas

A fina e fria garoa que cai ao entardecer daquele dia de agosto seria o suficiente para afastar das ruas todas as pessoas de bom senso, mas não é isto que acontece. As ruas estão cheios de carros, rodando, quando estão, a uma velocidade que as pessoas que os acompanham pela calçada, com passos apressados, os deixam para trás. Todos querem sair de lá o mais rápido possível, chegarem logo aos seus lares, perto ou longe dali ou daqui, para deixarem para trás as intempéries climáticas que tanto os castigam.
Mas, aparentemente, nem todos tem para onde ir. Nem todos têm um teto, quatro paredes e algo que os aqueça e os alimentem. Alguns, esquecidos pela cidade e pelas pessoas que fazem a cidade pulsar, estão jogados nos seus cantos, como um incômodo que deve ser evitado para, assim, quem sabe, ser esquecido. Pessoas que não são pessoas, são coisas, como se fossem um saco de lixo ou um caixa de entulho esquecidas ao relento e que, algum dia alguém vai se tocar e levar embora, como se nunca tivessem existidos. Alguém, mas nunca a gente.
E um destes incômodos estava, neste momento, sentado próximo a esquina de duas ruas movimentadas e então, quase paradas. Os carros que lá passavam, com pressa para chegarem à algum lugar, mal notavam a pequena criatura. Nem quando ela, em um esforço que lhe parecia descomunal, se dirigia até eles suplicando por algum trocado, um pouco de comida ou qualquer outra coisa que lhe trouxesse algum alívio, mesmo que momentâneo.
Alívio é a palavra certa, pois satisfação e prazer eram sensações que ele nem mais se lembrava se tinha vivido algum dia. Provavelmente sim, em algum momento do seu passado remoto, mas se encontrava tão tão remoto que agora nem uma lembrança era mais, não mais restava nada em que ele pudesse de escorar para buscar algum sentimento. Não, sem mais sentimentos que não fosse tristeza e desânimo, frio e fome, cansaço e desespero.
Nem raiva ele conseguia mais. Estava cansado demais para sentir raiva das pessoas, da situação, ou mesmo dele. Já sentira muito, disto ele se lembrava. Da raiva, do ódio, do maldizer. Da irritação e das explosões furiosas. Mas não, nem isto mais restava no seu coração.
Coração? O que era isto? Se coração é um órgão que serve para bombear o sangue pelo teu corpo, através de pequenas veias e artérias, provavelmente ele ainda tinha, pois estava vivo e, sangrava, mas o coração que as pessoas costumam dizer ser o receptáculo das emoções, já havia desaparecido. Fora corroído pelos ácidos do teu estômago e depois descartado pelo seu sistema intestinal, muito tempo atrás. E quando isto aconteceu, fedeu muito. E ele ficou enjoado.
Sua aparência era de uma criança, mas ele não era uma. Já vivera muito para ser uma criança, mas mesmo assim parecia uma. Sua pele negra e seus olhos apagados eram cobertos apenas por um gorro, largo demais para sua cabeça e uma roupa esfarrapada e suja que, agora molhada, não servia para aquecer seu corpo mirrado. Para tal, ele usava uma velha coberta, companheira do dia e da noite, puída e com alguns rasgos.
O odor que ele exalava era forte, como se a somatória de chuva, poeira e fuligem o tivesse apodrecido. As pessoas que passavam perto dele prendiam a respiração, mas ele nem ligava. Não sentia nada. Nada. Acostumara com seu cheiro e o asco de outrem.
Algumas vezes, quando o sinal ficava vermelho, levantava-se trôpego, com dificuldades e, amparado por uma muleta, que também poderia ser chamada de um pedaço de madeira podre, movia-se para os carros, pedindo. Nos dias de calor, com as janelas abertas, era mais difícil das pessoas o ignorarem, então davam-lhe algumas moedas para se verem livres de tão incômoda presença, mas nos dias de frio e chuva, com os vidros fechado e insufilmados, ele passava despercebido.
Quatro carros, o sinal mutou para o verde e, apressados, os veículos se puseram a mover, mesmo que meio metro, um metro no máximo, e ele voltou para seu canto, sua casa. Movia-se lentamente, pois ter apenas uma perna tornava tudo um pouco mais difícil.
Sentou-se e colocou a mão no bolso de sua velha calça. Era todo o dinheiro que tinha conseguido hoje, R$ 2,23 em moedas pequenas e um botão que tinha sido dado por engano, que por algum motivo encontrava-se entre as moedas de algum carro. Com esse dinheiro ele poderia comprar um pão com manteiga e tomar um copo de leite, que seria seu café da tarde, sua janta, sua ceia e, provavelmente, seu café da manhã do dia seguinte.
Pegou sua coberta, uma mala velha que carregava todas as suas posses, e que não eram muitas senão alguns badulaques como um velho gorro vermelho e um cachimbo de madeira esculpido toscamente à mão e rumou para um decrépito bar que tinha ali perto, o único em que aceitava o seu dinheiro em troca de alguma coisa para comer, o único que não o punha para fora como se põem as ratazanas e as baratas que fogem do esgoto para invadir os estabelecimentos.
Pegou o pão e copo de leite quente, servido em um copo de plástico, pois o de vidro o atendente teria nojo de lavar depois e, na porta, ficou olhando para o vazio. Engana-se quem acha que ele ficou pensando na vida, pois nem isto ele conseguia mais. Olhar era uma maneira de dizer, pois suas pálpebras estava abertas, mas não se sabe se ele via alguma coisa. Honestamente, ele nem sabia porque vivia, deveria ser porque não estava morto, tão simples e óbvio assim, pois ambições e interesses não tinha mais. Enquanto teu corpo respirasse, iria continuar a viver, e apenas comia e dormia pois o instinto de sobrevivência é primitivo, como o é nos animais. É, quem sabe ele não fosse hoje nada mais do que um animal.
A noite caiu, a chuva cessou, mas com isto o frio se intensificou. Estava cansado demais para mendigar por mais alguns centavos, então se encolheu no seu canto, debaixo do toldo rasgado de onde um dia foi algum foi algum comércio, mas que hoje estava fechado faz tempo, como denunciavam as paredes descascadas e a porta pichada.
Estava quase pegando no sono quando percebeu um pequeno vulto passando por ele e parando. Ensonado, achou ser algum cachorro, gato ou outro animal da rua, mas não deu nenhuma atenção, pois já estava acostumado com isto. Só percebeu que não deveria ser isto quando a pequena criatura deixou alguma coisa a seu lado e desapareceu instantaneamente.
Apalpando, ainda com os olhos entreaberto, viu se tratar de uma folha de papel, dobrada em quatro. Curioso, virou-a na direção do poste de luz e, numa letra de menina, leu:
“O que você fez consigo?”.

E o menino chorou. Como uma fábula nunca deveria chorar.

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Bresser Fest, o Set List


O Túnel
Regresso pro Futuro
Infinito
Via Crúcis
Antes de Partir
Today
Perdi Minha Vez
Acontece
Cartas Marcadas
Dia Anterior
Sing/Garoto de Aluguel
I Wanna Be Charlie Sheen
Olhos de Cão Azul

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

1a Bresser Fest


Woodstock, ninguém aí foi. Hollywood Rock, Rock In Rio, esses festivaizinhos indies, nada disso pode ser comparado ao incrível, magnânimo e vitaminado BRESSER_FEST. É o Bresser, que todos vocês curtem e amam, mais duas bandas convidadas. E é aniversário do Fábio Vanzo, guitarrista da banda. E depois tem #BresserNights nos botecos da vida, na qual vocês poderão nos pagar uma cerveja e falar muita besteira. Enfim é o evento mais cabuloso desde a queda da Bastilha. Não percam. Levem um fígado USB e disposição pra muito rrrroque.

Onde?
Clube Outs - Rua Augusta, 486 (http://www.clubeouts.com/)

Quando?

Sábado, 21 de novembro, a partir das 18h

Quanto?

R$ 12 antecipado. (Na porta nunca se sabe, né?)
PS: Na hora, ingresso R$ 15,00

Com quem eu compro o convite?
Fábio Vanzo: fvanzo@terra.com.br

Felippe Toloi:
toloi1@yahoo.com.br
Hiran Murbach: radociou@gmail.com
Mariel Moura: mariel.moura@hotmail.com
Carolina Molina: tarulina@gmail.com
Daniele Valente: danvalgomes@yahoo.com
Sarah Kelly: sapias18@gmail.com


Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Entrevista com Paulo Back



Eu gosto de diversas coisas, mas algumas mais do que outras, e existem três que estão entre as minhas cinco preferidas: música, quadrinhos e escrever. Alguns meses atrás, a Denise entrou em contato comigo, disse que estava começando uma revista e perguntou se eu queria escrever uma coluna de música para a mesma. E, com isso, eu comecei a minha participação na Revista Young.

Falar sobre música é uma coisa que eu gosto, e como a revista é sobre educação, resolvi falar sobre a influência dela nas profissões. Na primeira edição decidi ir pelo caminho mais fácil e entrevistar alguém que fez faculdade de música, no caso a Larissa. Após, tentei ir para caminhos menos óbvios e, nestas, via Twitter, eu cheguei ao Paulo Back.

Músico e roteirista das histórias da Turma da Mônica, achei que poderia ser uma entrevista interessante, então entrei em contato com ele, via Emerson Abreu, e perguntei sobra entrevista, a qual ele se prontificou a me responder. Mandei as perguntas e ele me retornou as respostas.

Aí eu tive uma 'problema', o espaço que eu tenho na revista é bem menor do que a entrevista, de forma que tive que editá-la. Porém, era uma pena eu 'perder' todo aquela conteúdo, de forma que decidi publicá-la aqui, neste blog, integralmente.

Aqui vai ela:

Qual seu nome e sua profissão?

Paulo Back - Roteirista e Músico.

Trabalha nesta profissão a quanto tempo?

Como Roteirista, ha 15 anos, como Músico ha mais tempo, desde que entrei para a primeira banda.

Como foi seu início de carreira? Como você chegou nesta carreira?

Já era um sonho que eu tinha desde criança trabalhar com historia em quadrinhos. No Brasil existiam dois grandes nomes: Disney e Mauricio de Sousa. Acabei fazendo arquitetura na UFSC, me formei e trabalhei algum tempo com isso, dividindo com a Música. Chegou uma hora que resolvi abraçar o meu sonho de criança, coloquei uma pilha de desenhos embaixo do braço e fui falar com o Mauricio de Sousa. No fim ele acabou gostando das historias que levei e comecei de leve, caprichando no desenho e aprendendo algumas manhas dos roteiros.

Qual a importância da música na tua vida pessoal e profissional?

A música está sempre presente, ou tocando lá no fundo, enquanto trabalho, ou grudada nos pensamentos, assobiando. É tão importante quanto os desenhos. A Música me proporcionou grandes momentos, experiências, abriu portas, conheci pessoas e lugares. Com a banda já gravei alguns discos e fizemos um grande retorno há um ano, também tive outra banda de covers para tocar em lugares pequenos, bares e festas.

Qual o personagem da Turma que você mais gosta de desenhar?

Olha, costumo dizer que é aquele personagem que estou trabalhando naquele momento. O próprio Mauricio diz que quando ele faz uma história, ele incorpora o personagem. É esquisito isso, porque acho que a idéia segue por aí. Você se sente o personagem, que no fundo existe dentro de cada pessoa. O roteirista é apenas uma ponte entre o personagem e o papel. Eu gosto demais de dar vida aos personagens 'secundários', dar características marcantes a eles, deixá-los um pouquinho mais em evidência. Adoro a vidinha simples do Chico Bento, a infância no bairro da turminha, os papos 'humanos' do Bidu e sua turma.... mas provavelmente, se é para eu escolher um xodó, talvez eu fique com o Mingau, o gato da Magali.

Como funciona o teu processo criativo?

Para falar a verdade, não sei. Eu me obrigo a cumprir a minha cota de páginas, e mesmo não pintando nenhuma inspiração eu faço alguma coisa. Se ficou ruim, paciência, coloco na gaveta e num belo dia de sol eu dou uma olhada para ver se dá para salvar a idéia ou não. Aí folheio alguma revista, releio alguma historinha, penso num personagem, e aí vai.
E há aqueles dias que parece que paira um anjo sobre a cabeça. Pode ser o Anjinho, a Mônica ou o Jotalhão. Tanto faz. Aí então é o personagem que faz a história, não eu. O próprio Mauricio diz que muitas vezes a historia vem por si só. Então nós somos um instrumento, Numa ponta o roteirista, e em outra o personagem. No meio existe o Mauricio, pois para uma historia ficar boa, temos que pensar como ele.

Você criou algumas histórias baseadas ou em homenagens à músicos. Quais foram eles?

Foram várias sim. Das últimas cito a homenagem ao Michael Jackson, que foi divulgada ainda no rascunho pela internet e ganhou uma edição especial. Houve também uma referencia à Madonna, Amy Winehouse, Lady Gaga e B-52´s numa das últimas revistas da Mônica. Dos Beatles já fiz várias, como a turminha imitando os garotos, Beatles no parque, e tantas outras. Na época dos Mamonas Assassinas fiz uma paródia com a turminha, que acabou saindo depois do fim do grupo, e acabou sendo uma homenagem. Teve também U2, Rita Lee, The Cure, Elvis, e algumas outras com Michael Jackson (ele foi uma referencia e tanto para as historinhas)
E vale lembrar que Mauricio de Sousa criou o personagem cadeirante Luca, em homenagem ao Herbert Viana. Tanto que o apelido do personagem é 'Paralaminha'.

Você é um grande fã dos Beatles, a historia "Paul is Dead", que homenageia a banda, é tua?

Infelizmente não, pois gostaria de tê-la feito. Tanto esta como 'Paul in Roça' com Chico Bento, foram de outros roteiristas, na época que estava entrando no estúdio. Mesmo antes disso, Mauricio tinha um projeto de lançar personagens baseados nos Beatles, Beatles 4 Kids. Era algo muito bem estudado e estruturado, mas uma das quatro partes ( dos 3 Beatles na época, mais Yoko ) vetou. Ninguém sabe qual foi. Pena. Não peguei esse processo, pois foi anterior a minha entrada no estúdio, mas acho que adoraria estar envolvido nisso.

Poucos dias depois da morte de Michael Jackson, o storyboard de uma história homenagem já estava na internet. Como foi desenvolver essa história num tempo tão curto?

Bom, foi um choque para todo mundo. Eu mesmo dizia por aí que o Michael Jackson não ia durar muito, mas quando soube da morte dele fiquei estarrecido também. Soube só tarde da noite por um programa, achava que era brincadeira, só quando me toquei que era verdade, caiu a ficha.
Como anos atrás já havia feito uma pequena homenagem numa historia do Penadinho, onde a turma do cemitério invade um estúdio de gravação e se fazer passar pelos monstros de 'Thriller', pensei na mesma hora em fazer uma continuação.
No outro dia de manhã, rabisquei a historia e fiz o rascunho até o meio da tarde. Enviei para o Mauricio o roteiro, como todos fazem.
Surpresa a minha quando vi, no inicio da noite, a história sendo mostrada a todos na internet, pelo twitter do Mauricio.
No fundo foi uma grande honra, pois foi a primeira vez que algo assim aconteceu. Uma historia foi disponibilizada apenas no roteiro, sem acabamento e sem arte final. O Mauricio achou melhor mostrá-la dessa forma para homenagear o astro, já que, menos de 24 horas depois, o mundo estava bastante comovido. A historinha ganhou blogs, jornais, TV, dessa forma. De uma maneira triste, foi uma ação feliz. Foi espontânea..

Existe algum músico que você tenha vontade de inserir numa história ou homenagear e que ainda não pode?

Muitos, mas alguns a maioria dos leitores não devem conhecer, já que são crianças.
Dos músicos que gosto, já coloquei os que citei acima, mas as vezes, por uma nova 'mania' ou 'moda', eu colo um ou outro que não curto e torço o nariz. Na época do Tchan, por exemplo, usei as dançarinas numa historinha, apesar de não gostar da música nem do estilo, mas respeito quem gosta.

Você tem algum projeto profissional que não tenha realizado?

Gostaria de trabalhar com animação, já que faço desenhos também. Mas como algumas historinhas já foram e continuam sendo adaptadas para os cine-gibis, me sinto realizado nessa parte.. Gostaria de fazer algo relacionado ao bem estar dos animais, e tento passar alguma mensagem nas historinhas também. Na musica me considero realizado assim como nas HQs, Nem tudo que faço eu gosto, sempre acho que poderia fazer maior (geralmente no dia seguinte de finalizar e entregar). É sempre bom almejar um degrauzinho a mais. De resto, outras coisas que gosto, bonsais, aquarismo, coleções, figuras, pinturas, as tenho como hobby, isso é, quando sobra um tempinho. Tudo almejando o bem estar do espírito e da paz.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Perfeições Pop

Quando a 'cópia' sai melhor do que o original. E olha que o original é foda pra caralho!!!

Hurt - Johnny Cash

I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real

The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

(Chorus)
What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end

And you could have it all
My empire of dirt

I will let you down
I will make you hurt..

I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair

Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

(Chorus)
What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end

And you could have it all
My empire of dirt

I will let you down
I will make you hurt

If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way


Quarta-feira, Novembro 04, 2009

BresserBlessed Tour


É nesta sexta, 19h. Entrada franca.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Em Um Sábado Ensolarado

I will not go
Prefer a feast of friends
To the giant family


Em 1999 eu estava terminando a faculdade, tinha um grupo de amigos legais e comecei a namorar uma menina. O namoro até que durou bastante tempo, mas acabou. Porém, deste relacionamento eu herdei o melhor espólio de qualquer outro que já tive até hoje: três grandes amigas. Elas se juntaram ao nosso grupo imediatamente e logo nos tornamos inseparáveis.

Durante este dez anos fiz e perdi incontáveis amigos, mas sempre mantivemos um tipo de um núcleo, que tenta não perder o contato e que, sempre que possível, se encontra para falar besteira, contar histórias e se divertir.

Histórias é o que mais temos, histórias de bebedeiras principalmente, as quais não cansamos de relembrar, para desespero dos agregados. Mas muito mais do que isso, criamos uma amizade que se mostrou que vai se perpetuar para sempre, independente do que aconteça.

E neste sábado, um novo capítulo foi contado: o casamento da Lara. Foi o primeiro casamento de fato de um de nós, após diversas tentativas fracassadas, e justo da mais novinha. Mas não importa, o importante é que sábado cedo, estávamos lá (e, pra variar, os primeiros a chegar): eu, Du, Israel, Marina e Laís (faltou o gordo anti-social do Bacchin).

Bebemos, comemos, rimos, tiramos fotos, cornetamos, falamos mal das pessoas e de nós mesmos, relembramos histórias, fizemos trabalho pra Má engravidar, roubamos os banners indicativos do lugar da festa e, principalmente, nos divertimos muito. E nos emocionamos. Nos conhecemos novos e, sem exagero, crescemos juntos. Crescemos etária, mental e emocionalmente juntos e, quando chega numa data como essa e você vê olha para o lado e vê seus melhores amigos lá, é uma coisa inexplicável.

Tenho grandes amigos, mas não tenho um grupo de amigos tão especiais como este, pois, juntos, passamos pelos melhores e pelos piores momentos, e isso apenas nos fortaleceu. E por isso que eu amo essas pessoas!

E que venha o próximo casamento, aniversário ou simplesmente uma desculpa qualquer pra beber e conversar.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Quero Muito Tudo Isso

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

1.a Bresser Fest

IMPERDÍVEL - republicando

Quem quiser, eu tenho ingressos pra vender, por R$12. Na hora vai estar mais caro, não sabemos ainda quanto

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Pesadelo

Eu ainda acordo no meio da noite, assustado. Sonho ainda com aquelas paredes amarelas e frias, o chão duro e o silêncio. Preciso abrir os olhos uma, duas, três vezes para ter certeza que não mais estou lá. Para ter certeza que as paredes não estão lá, nem as grades. Acordo angustiado, com medo, suando frio. Acordo como quem acorda de um pesadelo real, daqueles que você sente o frio e o odor. Taquicardia, frio na espinha, lágrimas nos olhos. É como o pesadelo que não se dissipa no ar como a névoa, mas sim que impregna na alma, como gordura, que não quer sair, por mais e mais que se tente. O tempo diminui seu incômodo, mas não elimina suas sarnas nunca. Os pesadelos são reais, quase táteis. Mas eu acordo e olho para o lado, depois da terceira piscada, toco a minha cama, minhas paredes brancas e respiro fundo. Respiro o ar puro e doce da minha vida real. Então me deito e volto a dormir. Sem pesadelos desta vez.

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Quando o Passado Convive Com o Presente

Tempos atrás escrevi um post sobre pessoas que só conseguem enxergar o passado no futebol, que futebol bom era o de outros tempos, que agora tudo isso é uma bosta e etc.

Só que isso é uma constante em todos os campos. Temos a infeliz mania de achar que tudo o que é bom é aquilo que conhecemos quando novos, e que tudo o que vem depois não presta mais, independente da qualidade que venha a ter.

A discussão mais insuportável é no campo musical. Me irrita neguinho vir dizer que o rock acabou nos anos 70, que banda boa era Led, Sabbath, Purple, Stones e que depois deles nunca mais nada que presta apareceu. Tá certo, eu gosto de muita coisa mais antiga, mas os anos 2000 nos deram muita coisa boa, como Coldplay, Muse, Killers, Kings of Leon, Keane entre diversas outras.

Mas vemos isso em diversos outros campos culturais e artísticos: cinema, teatro, desenhos, programas de humor, quadrinhos.

Essa coisa de viver no passado demonstra, pra mim, uma estagnação mental e intelectual total. É muito mais fácil lembrar das coisas do passado com a magia que só a inocência pode fornecer, manter essa imagem ilusória na mente e simplesmente ignorar tudo o que venha a seguir.

A graça da vida é descobrir coisas novas, e isso não significa abandonar as antigas. Não é aquela coisa de substituir uma pela outra, e sim de agregar, sempre.

Novas experiências, novos conhecimentos. Abrir a mente e aceitar que a vida é muito maior do que aquela caixa quadrada dentro da qual crescemos. E também mais divertida.

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

1991

Em 1991 eu fiz 14 anos. Adolescente numa cidade pequena, onda não tinha porra nenhuma pra fazer a não ser jogar bola, ou no clube ou na escola, foi longe de ser a melhor época da minha vida, tanto que trago pouquíssimos amigos deste período. Porém, este ano serviu para sedimentar a minha paixão pelo bom e velho (na época não tão velho) rock n roll.

Eu já ouvia algumas coisas, mas mais nacionais, como RPM na época do multiplatinado Radio Pirata Ao Vivo e Titãs, com o visceral e, até então, violento, Cabeça Dinossauro. Mas o caminho já estava sedimentando-se com a descoberta do Appetite for Destruction do Guns, que chegou às minhas mãos por causa da baladinha Patience, que era parte da trilha sonora de alguma novela e era figuração certa em qualquer bailinho.

Porém, 1991 foi a virada de tudo! Em um mundo sem rádios rock, MTV, boas lojas de disco e muito menos internet, obter a cópia de algum álbum era tarefa das mais árduas, mas sempre se dava um jeito. Um amigo comprava um LP ou um Cassete e gravava pra todo mundo as famosas fitinhas, que até se desmagnetizavam de tanto que eram escutadas. Talvez esta geração não tenha idéia do que é isto, mas muitos ainda lembram deste período.

Virada? Mas qual é essa virada? Fora o que eu acabei de dizer, neste ano foram lançados álbuns sensacionais e clássicos, como:

- U2 - Achtung Baby
- Soundgarden - Badmotorfinger
- Blood Sugar Sex Magik - Red Hot Chili Peppers
- Smashing Pumpkins - Gish (álbum de estréia)
- Queen - Innuendo
- Metallica - Black Album
- Nirvana - Nevermind
- REM - Out of Time
- Skid Row - Slave to the Grind
- Temple of the Dog - Temple of the Dog
- Pearl Jam - Ten
- Guns n Roses - Use Your Illusion I e II
- Legião Urbana - V
- Engenheiros do Hawaii - Várias Variáveis

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