As vezes nos perguntamos porque grande parte das bandas que ouvimos saem do Reino Unido. E não estou falando de agora, começou com os Beatles, e passando por Black Sabbath, The Who, Rolling Stones, Queen, Sex Pistols, New Order, chegamos aos dias de hoje da mesma forma.
Alguns dizem que é por causa da maior quantidade de locais para estas bandas tocarem e, consequentemente, acabam inspirando a platéia a formar outras bandas, criando um (ótimo) circulo vicioso.
Outros que o clima frio e nublado tira o ânimo das pessoas de sairem de casa, buscando assim passatempos caseiros, como ouvir música ou tocar. E assim vai, como o preço dos instrumentos, a existência de muitas rádios de boa qualidade, a água que eles bebem, até o ponto em que ninguém consegue achar a resposta.
Mas que é uma verdade, isto é inegável, e nesta linha, dentre as inúmeras boas bandas surgidas daquelas ilhas frias e chuvosas, a próxima que tem tudo para estourar por aqui é a Grand Central, de Londres. Banda formada em 2008 pelos irmãos sulafricanos mas radicados em Londres, Cade Hannan nos vocais e Ryan Hannan nas guitarras, e influenciada The Cure, Suede, Depeche Mode, BRMC e Smashing Pumpkins, tem uma pegada de guitarra bem característica e acentuada e tem tudo para agradar quem gosta do bom rock, cru e sem muitas firulas.
Aproveitando-se desta midia chamada internet, já lançaram três singles, sendo o último, My Star, no final de 2010 e no momento estão em estúdio com Bernie Grundman, que já trabalhou com artistas do nível de Michael Jackson, Prince e Van Halen, trabalhando no lançamento do seu álbum de estréia e pronto para entrar em turnê.
Levando em consideração a qualidade das canções lançadas, e a receptividade que esses tiveram na mídia especializada na Inglaterra e nos Estados Unidos, com certeza podemos esperar algo muito bom vindo por aí, e talvez não devamos estranhar se os vermos tocando nas MTV’s da vida.
http://www.myspace.com/ukgrandcentral
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
sexta-feira, dezembro 31, 2010
Someday I will walk away and say, “You disappoint me"
Nem tudo são flores. E 2010 trouxeram algumas decepções, e é sobre elas que nós vamos falar aqui. Mas primeiro, é preciso deixar bem claro que está não é uma lista de piores do ano, mas sim de desapontamentos, algo que você espera muito e, ao final, fica um gostinho amargo da decepção.
Álbum
Tivemos muita coisa ruim este ano, mas muita mesmo, mas a maior decepção do ano veio justamente daquela que é, para mim, a maior de todas: Sheryl Crow. Não é segredo para ninguém que eu a adoro, tenho todos os seus álbuns, mais uma porrada de bootlegs e singles, além de DVDs e MP3s, desta forma qualquer lançamento dela é, para mim, uma alegria. Porém, o 100 Miles From Memphis foi decepcionante. De longe, o pior álbum dela, com umas influências bizarras que eu nem sei definir e uma cover irritante do Jackson Five. É tão ruim que eu ainda nem tive coragem de comprar o original pra coleção.
Filme
Esta é uma escolha complicada, pois eu não vi muitos filmes este ano e, os que eu vi, a grande maioria eu gostei. Os filmes que eu nutria alguma expectativa, eu gostei, como Zumbilândia, Machete, Príncipe da Pérsia e Nosso Lar, então, partindo por essa linha de pensamento, o que me decepcionou um pouco foi o Scott Pilgrim. Certo, não foi um mega desapontamento como foi o Indiana Jones e a Caveira de Cristal, mas acho que ficou faltando algo.
Série
Outra complicada, pois eu não experimentei muitas sérias novas este ano, já que estou acompanhando um monte, mas acho que o nível de desapontamento pode ser medido pelo fato dos episódios de uma série estarem baixados no seu computador, mas você sempre arrumar uma desculpa para não assisti-los, sempre baixando uma nova. E neste ponto eu escolheria a Life Unexpected. Ela começou muito boa mas, principalmente na segunda temporada, deu uma declinada, apelando demais no melodrama e se tornando cansativa.
Show
Este é fácil, num ano de muitos e bons shows, o troféu só pode ir para o senhor Axl Rose e sua banda cover do Guns n Roses. Sejamos honestos, se você vai a um show do Guns o que você espera? Os clássicos! Pena que não é isso que a diva obesa pensa, pois deve achar que todo mundo ama o Chinese Democracy, ao ponto de tocarem todas as músicas no show. Além disso, seu estado físico está lastimável, não conseguindo emendar duas músicas na sequência e sua voz já era. Papelão.
Álbum
Tivemos muita coisa ruim este ano, mas muita mesmo, mas a maior decepção do ano veio justamente daquela que é, para mim, a maior de todas: Sheryl Crow. Não é segredo para ninguém que eu a adoro, tenho todos os seus álbuns, mais uma porrada de bootlegs e singles, além de DVDs e MP3s, desta forma qualquer lançamento dela é, para mim, uma alegria. Porém, o 100 Miles From Memphis foi decepcionante. De longe, o pior álbum dela, com umas influências bizarras que eu nem sei definir e uma cover irritante do Jackson Five. É tão ruim que eu ainda nem tive coragem de comprar o original pra coleção.
Filme
Esta é uma escolha complicada, pois eu não vi muitos filmes este ano e, os que eu vi, a grande maioria eu gostei. Os filmes que eu nutria alguma expectativa, eu gostei, como Zumbilândia, Machete, Príncipe da Pérsia e Nosso Lar, então, partindo por essa linha de pensamento, o que me decepcionou um pouco foi o Scott Pilgrim. Certo, não foi um mega desapontamento como foi o Indiana Jones e a Caveira de Cristal, mas acho que ficou faltando algo.
Série
Outra complicada, pois eu não experimentei muitas sérias novas este ano, já que estou acompanhando um monte, mas acho que o nível de desapontamento pode ser medido pelo fato dos episódios de uma série estarem baixados no seu computador, mas você sempre arrumar uma desculpa para não assisti-los, sempre baixando uma nova. E neste ponto eu escolheria a Life Unexpected. Ela começou muito boa mas, principalmente na segunda temporada, deu uma declinada, apelando demais no melodrama e se tornando cansativa.
Show
Este é fácil, num ano de muitos e bons shows, o troféu só pode ir para o senhor Axl Rose e sua banda cover do Guns n Roses. Sejamos honestos, se você vai a um show do Guns o que você espera? Os clássicos! Pena que não é isso que a diva obesa pensa, pois deve achar que todo mundo ama o Chinese Democracy, ao ponto de tocarem todas as músicas no show. Além disso, seu estado físico está lastimável, não conseguindo emendar duas músicas na sequência e sua voz já era. Papelão.
quinta-feira, dezembro 30, 2010
You Wanted The Best, You Got The Best
E 2010 acabou. Todo final de ano eu faço uma listinha dos melhores do ano e tal, e este ano não poderia faltar né? O ano foi cheio de altos e baixos, com coisas muito boas e outras bem ruins, decepcionantes até, mas desta vez eu resolvi escolher apenas os melhores do ano, nada de primeiro, segundo, terceiro e décimo quinto colocados. Algo assim como: "E a Espanha na Copa do Mundo deste ano foi:"
Melhor Álbum
Até que tivemos alguns bons álbuns em 2010, como o do Bret Michaels (Custom Built), os homônimos do Stone Temple Pilot e do Slash e o da Charlotte Gainsbourg (IRM), mas o melhor de todos, fácil, foi o "All in Good Time" do Barenaked Ladies, o que não deixou de ser uma surpresa, pois eu não sabia o que esperar após a saída do Steven Page. Certo, o álbum perdeu um pouco da alegria dos anteriores, mas foi praticamente perfeito, mostrando uma melancolia que eu não sabia que eles tinham, mas sem perder o estilo.
Ps: antes que alguém me pergunte, não, eu não esqueci do Arcade Fire, eu simplesmente não achei nada do que o povo está dizendo dele.
Melhor Canção
E não é que neste ano tivemos uma dobradinha? Além de melhor álbum, o Barenaked Ladies levou o prêmio de melhor canção, com a sensacional, maravilhosa e triste "You Run Away". E olha, só não leva como melhor canção da década porque existe "The Scientist".
Merecem menções honrosas as do Bret Michaels e Miley Cyrus (Nothing to Lose), Bush (Afterlife), Charlotte Gainsbourg e Beck (Heaven Can Wait), Scorpions (The Best Is Yet To Come), She & Him (In the Sun) e STP (Cinnamon).
Melhor Filme
No ano dos filmes nerds e geeks (os videogames cinematograficos de Scott Pilgrim e Príncipe da Persia, o violento Kick-Ass e o sério Redes Sociais), não tem como não premiar um. E portanto o melhor do ano é Zumbilândia. Praticamente tudo que você espera de um filme, você encontra: premissa interessante, bons atores, ótimas tiradas, trilha sonora boa e muitas risadas. Tá, vão me dizer que faltou roteiro mas, me respondam, desde quando filme de zumbi tem roteiro?! Ok, Extermínio tinha, mas é uma exceção (e um ótimo filme).
Melhor Série
Poucas séries foram lançadas este ano e eu acompanhei, a maioria foram as antigas que eu já assistia e, destas a temporada que mais me marcou foi a do Dexter. As quarta (que só vi este ano) e a quinta foram algo de tirar o fôlego. Sensacionais e esperando pela próxima temporada já.
Melhor Show
No ano que um ex-Beatle toca no Brasil um repertório de 3 horas, que o mesmo considera este show o melhor do ano e um dos melhores da carreira (e que eu estava lá), pode parecer impossível um outro show ser escolhido o melhor do ano, certo? Errada. Apesar do show ter sido ótimo, o melhor do ano aconteceu alguns dias depois, no Via Funchal lotado, com uma banda piromaníaca que canta em alemão. Sobre o show do Rammstein, só há uma coisa a ser dito: O que foi aquilo?
Melhor Álbum
Até que tivemos alguns bons álbuns em 2010, como o do Bret Michaels (Custom Built), os homônimos do Stone Temple Pilot e do Slash e o da Charlotte Gainsbourg (IRM), mas o melhor de todos, fácil, foi o "All in Good Time" do Barenaked Ladies, o que não deixou de ser uma surpresa, pois eu não sabia o que esperar após a saída do Steven Page. Certo, o álbum perdeu um pouco da alegria dos anteriores, mas foi praticamente perfeito, mostrando uma melancolia que eu não sabia que eles tinham, mas sem perder o estilo.
Ps: antes que alguém me pergunte, não, eu não esqueci do Arcade Fire, eu simplesmente não achei nada do que o povo está dizendo dele.
Melhor Canção
E não é que neste ano tivemos uma dobradinha? Além de melhor álbum, o Barenaked Ladies levou o prêmio de melhor canção, com a sensacional, maravilhosa e triste "You Run Away". E olha, só não leva como melhor canção da década porque existe "The Scientist".
Merecem menções honrosas as do Bret Michaels e Miley Cyrus (Nothing to Lose), Bush (Afterlife), Charlotte Gainsbourg e Beck (Heaven Can Wait), Scorpions (The Best Is Yet To Come), She & Him (In the Sun) e STP (Cinnamon).
Melhor Filme
No ano dos filmes nerds e geeks (os videogames cinematograficos de Scott Pilgrim e Príncipe da Persia, o violento Kick-Ass e o sério Redes Sociais), não tem como não premiar um. E portanto o melhor do ano é Zumbilândia. Praticamente tudo que você espera de um filme, você encontra: premissa interessante, bons atores, ótimas tiradas, trilha sonora boa e muitas risadas. Tá, vão me dizer que faltou roteiro mas, me respondam, desde quando filme de zumbi tem roteiro?! Ok, Extermínio tinha, mas é uma exceção (e um ótimo filme).
Melhor Série
Poucas séries foram lançadas este ano e eu acompanhei, a maioria foram as antigas que eu já assistia e, destas a temporada que mais me marcou foi a do Dexter. As quarta (que só vi este ano) e a quinta foram algo de tirar o fôlego. Sensacionais e esperando pela próxima temporada já.
Melhor Show
No ano que um ex-Beatle toca no Brasil um repertório de 3 horas, que o mesmo considera este show o melhor do ano e um dos melhores da carreira (e que eu estava lá), pode parecer impossível um outro show ser escolhido o melhor do ano, certo? Errada. Apesar do show ter sido ótimo, o melhor do ano aconteceu alguns dias depois, no Via Funchal lotado, com uma banda piromaníaca que canta em alemão. Sobre o show do Rammstein, só há uma coisa a ser dito: O que foi aquilo?
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Stone Temple Pilots
Quando eu cheguei no Via Funchal, por volta das 19h30, nem parecia que em pouco mais de duas horas, uma banda clássica do Grunge tocaria, pela primeira vez, no Brasil, lá. Poucas pessoas esperavam na fila para entrar e a movimentação era pequena, bem inferior àquela que eu vi, uma semana antes, no show do Rammstein. E esta sensação ficou até por volta das 21h30, quando a casa, se não ficou lotada, pelo menos teve um público condizente com o tamanho da banda.
Com um pequeno atraso, o Stone Temple Piltots começou quebrando tudo com os acordes iniciais de Crackerman, clássico do Core. O palco, como é costume das bandas contemporâneas, foi super simples, apenas com um bandeirão vermelho ao fundo e algumas luzes, nada de fogos, pirotecnia e explosões, apenas o bom, velho e simples rock n roll, tocando em alto volume (certo, algumas vezes a guitarra sumia) baixo, guitarra e bateria, e nada mais.
Neste ponto mostra-se o forte da banda, um instrumental extremamente criativo e entrosado. Os irmãos DeLeo comprovam realmente que são uma das melhores duplas com as cordas, com menção especial ao Robert, o baixista que, além de tocar muito, mas muito mesmo, é carismático e estiloso, um verdadeiro rockstar. E tem ainda o Scott Weiland.
Para quem o viu com o Velvet Revolver (e em diversos vídeos com o STP), o Scott desta quinta estava irreconhecível. Entrou no palco com um terno muito bem cortado, parecendo mais o personagem Barney Stinson, da série How I Met Your Mother e, principalmente, sóbrio. Isto pode ser mais percebido nas diversas jams realizadas no decorrer do show, realizadas para ele poder recuperar o fôlego, já que o corpo cobra os excessos das últimas duas décadas. No lugar das performances alucinógenas, palminhas e vocalizações comportadas.
Mas e as músicas? Escolher um set list de pouco mais de uma hora e meia, para uma banda com a história do STP, é complicado, porque muita coisa boa fica de fora. Com apenas 3 músicas do regular álbum novo, entre elas a ótima Cinnamon e a já clássica cover do Led Zeppellin, Dancing Days, é difícil falar mal de um show que contenha Vasoline, Plush, Interstate Love Song, Sex Type Thing e Trippin' On A Hole In A Paper Heart.
Só que a banda poderia oferecer mais, muito mais. Eu, e muita gente, sentiu falta de Big Bang Baby, Lady Picture Show, Creed, Sour Girl e mais um monte. Esta na verdade foi a maior falha deles, o set list é exatamente o mesmo das outras apresentações pela América do Sul, e também dos shows da América do Norte, neste semestre, sem deixar espaço para surpresas, o que faz perder um pouco a magia do espetáculo, pois uma das melhores partes de um show ao vivo é exatamente não saber quais as músicas que serão tocadas, e em que ordem.
Problemas a parte, foi um show muito acima da média, de uma banda com 20 anos de estrada, lotada de hits e com vontade de fazer rock n roll. Fica a dica pras bandas que estão começando e se acham muita coisa.
quarta-feira, dezembro 01, 2010
A Noite em que o Via Funchal Quase Pegou Fogo
Eu desejava um show do Rammstein há muito tempo, e desde que começaram os rumores que a turnê deles passaria pelo Brasil em 2010, eu decidi que iria. Tanto que comprei o ingresso logo que começaram a serem vendidos e para isto abri mão de outros shows que gostaria de ter ido, podendo ver, ao vivo, estes alemães, coisa que quase consegui em 1999, quando abriram o show do Kiss, mas que, por incompetência da organização na entrada, não pude entrar a tempo.
Já sabia desde o início que eles não trariam toda a sua parafernália de palco, primeiro porque transportar tudo aquilo numa viagem intercontinetal deve ser complicado e caro e segundo porque o Via Funchal é um lugar fechado e eles são uma banda de estádio, onde tudo é planejado para ser gigante, colossal, exagerado. Isto ficou claro na abertura do show, quando ao som de Rammlied, apoteótica canção do ótimo e consagrado Liebe Ist Für Alle Da, após a queda do pano preto que cobria o palco, apareceu um outro, preto e vermelho, que na verdade era para ser a bandeira da Alemanha mas que, por causa da altura reduzida do palco, escondeu a parte amarela.
Só que estas dimensões reduzidas do palco e o fato do local ser fechado não afetou em nada toda a pirotecnia (piromania para ser mais exato) da banda, principalmente do performático vocalista Till Lindeman, que não se cansa de brincar com o fogo, chegando inclusive a queimar o tecladista Flake Lorenz na música Weisses Fleisch (de mentirinha) e em um figurante na Benzin (daí de verdade, apesar dele usar uma roupa apropriada).
Fica claro que tudo é muito bem ensaiado e pensado, pois uma falha ou descuido pode gerar uma tragédia. Mas nada disto acontece, e a cada ato, a platéia fica mais impressionado e atônita. Era possível ver a cara de surpresa e contentamento a cada lado que se olhasse num Via Funchal totalmente lotado, extremamente quente e esfumaçado. Mas não é que além disso, existe a música?
Numa equalização muito alta (não me lembro de ter visto um show tão alto lá) e cheia de samplers, se sobressaíram a qualidade vocal de Lindeman, que tem o timbre perfeito que o som e a língua pede, e a bateria precisa de Christoph (Doom) Schneider. Era quase como se ouvíssemos o som do CD.
Com um repertório multi-linguístico, combinando o francês na Frühling In Paris, inglês na Pussy e espanhol na Te Quiero Puta, além do alemão, o que se ouvia na galera era uma mistura de canto com embromention a cada música, mas até que algumas canções conseguiram ter seus refrões cantados em uníssono, como Du Hast e Ich Will, o que não é pouca coisa, considerando o número mínimos de pessoas lá que deveriam falar o alemão.
O resultado desta mistura toda? Um dos melhores shows que já vi na minha vida (e não foram poucos). Fato.
quarta-feira, novembro 24, 2010
O que é ser Paul McCartney?
Que o show do Paul McCartney foi apoteótico e inesquecível, não preciso dizer, pois já dito milhares e milhares de vezes nos últimos dias. Também não é preciso ficar repetindo que os presentes em algum (ou alguns) dos shows nunca mais esquecerão daquelas três horas.
A questão é: se alguém tinha alguma dúvida, não deveria ter mais, pois é claro que Paul McCartney é o maior artista vivo. Mais do que isto, ele é uma entidade que transcende a humanidade, sendo, na minha opinião, uma das duas únicas e últimas pessoas vivas que se encaixam isto (a outra é o Pelé).
Isto porque ele é foi essencial na construção daquilo que conhecemos como cultura pop, não apenas inspirando quase tudo que se fez no rock, mas também na moda, personalidade, televisão, cinema, entre outros. Compôs letras e melodias que fizeram ou fazem parte da vida de bilhões de pessoas. É um dos rostos e vozes mais conhecidos do mundo, há pelo menos 45 anos. Sem contar que é bilionário, pois o simples fato dele acordar pela manhã vivo já gera mais dinheiro que muitos de nós jamais sonharam ganhar.
E onde eu quero chegar? O cara é o mais próximo de uma divindade que existe e igual a ele não vai mais existir ninguém, e mesmo assim, no alto de seus 68 anos ele mostrou, durante toda a apresentação, um carisma e uma humildade inigualável, muito diferente do que a gente vê por aí, de 'artistas' que no alto de seus dois álbuns gravados se acham os maiorais e que podem esnobar qualquer um.
O que é ser Paul McCartney? Para nós, reles mortais, é ser um Deus na Terra, é ser uma das pessoas mais famosas, importantes, talentosas, influentes ainda vivas mas, para ele, é apenas ser James Paul McCartney, pai, avô e músico. Nada mais. E talvez por isso que ele seja quem é, pois em nenhum momento deixou a fama subir a cabeça e mudar seu comportamento. E como eu sei? Eu estava no domingo lá, vendo um senhor de 68 anos tocando e cantando por 3 horas, como se fosse um jovem num palco em Hamburgo ou no Cavern Club, tentando fazer da música a sua profissão.
E que me desculpem os fãs, uma vez que o Paul sempre foi meu Beatle preferido, mas se o John estivesse vivo, com certeza ele seria um velho pedante e arrogante, fazendo coisas estranhas e protestando contra tudo e todos, mais ou menos como um Caetano Veloso britânico. Muito diferente do que vimos nestes três shows.
Vida longa aos Beatles, vida longa a Sir Paul McCartney.
sexta-feira, outubro 29, 2010
A Maldade Está nos Olhos de Quem Vê
Se os Paralamas disseram que "...o espanto está nos olhos de quem vê o grande monstro a se criar", podemos afirmar que a maldade idem, o que é uma pena.
Hoje cedo fui olhar os Trend Topics do Twitter e vi a palavra "Lobato" neles. Achei estranho, mas ao mesmo tempo fiquei curioso para saber se realmente era algo relacionado ao Monteiro Lobato, e qual o motivo. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que se deu por causa de um parecer do CNE (Conselho Nacional da Educação) que recomenda suspender o livro "Caçadas de Pedrinho" das escolas públicas sob a alegação de Racismo.
Segundo apurado, em duas passagens do texto são usadas palavras racistas para se referir à Tia Nastácia e, por causa disto, o livro só deve ser usado "quando o professor tiver a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil".
Concordo que o racismo, assim como qualquer forma de preconceito, seja racial, social, religioso, político ou o que seja, mas temos que tomar muito cuidado com o patrulhamento, para não começarmos assim uma nova inquisição. Monteiro Lobato é, para mim, o maior escritor brasileiro de todos os tempos e sua obra infantil completa, "O Sítio do Pica-Pau Amarelo", foi a maior responsável por minha paixão pela leitura. Ainda criança eu li todos os livros e, além de aprender muito com os ensinamentos embutidos nas histórias, me diverti muito.
Para quem leu pelo menos alguns deles vai perceber que de racista a obra nada tem. A personagem da Tia Nastácia é uma das mais queridas da coleção (senão de toda literatura nacional) e, apesar de alguns termos pejorativos, em nenhum momento ela é humilhada, muito pelo contrário. Proibir a sua obra é ajudar a tapar os olhos de todo uma geração (e das seguintes) de uma situação histórica que realmente ocorreu. Neste ponto eu até concordo com o CNE mas, sabemos que, para que educar se é mais fácil omitir? Vale a pena instruir melhor os professores? Nâo, é mais fácil e barato proibir algumas obras. E se começarmos com as "Caçadas de Pedrinho" logo vamos fazer o mesmo com toda a coleção pois, convenhamos, o linguajar da Emília não era fácil, ô boneca de pano liguaruda!
E só para constar, apesar de ter lido toda a obra ainda criança, eu não me tornei um adulto racista. Vale a pena pensar nisso.
Hoje cedo fui olhar os Trend Topics do Twitter e vi a palavra "Lobato" neles. Achei estranho, mas ao mesmo tempo fiquei curioso para saber se realmente era algo relacionado ao Monteiro Lobato, e qual o motivo. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que se deu por causa de um parecer do CNE (Conselho Nacional da Educação) que recomenda suspender o livro "Caçadas de Pedrinho" das escolas públicas sob a alegação de Racismo.
Segundo apurado, em duas passagens do texto são usadas palavras racistas para se referir à Tia Nastácia e, por causa disto, o livro só deve ser usado "quando o professor tiver a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil".
Concordo que o racismo, assim como qualquer forma de preconceito, seja racial, social, religioso, político ou o que seja, mas temos que tomar muito cuidado com o patrulhamento, para não começarmos assim uma nova inquisição. Monteiro Lobato é, para mim, o maior escritor brasileiro de todos os tempos e sua obra infantil completa, "O Sítio do Pica-Pau Amarelo", foi a maior responsável por minha paixão pela leitura. Ainda criança eu li todos os livros e, além de aprender muito com os ensinamentos embutidos nas histórias, me diverti muito.
Para quem leu pelo menos alguns deles vai perceber que de racista a obra nada tem. A personagem da Tia Nastácia é uma das mais queridas da coleção (senão de toda literatura nacional) e, apesar de alguns termos pejorativos, em nenhum momento ela é humilhada, muito pelo contrário. Proibir a sua obra é ajudar a tapar os olhos de todo uma geração (e das seguintes) de uma situação histórica que realmente ocorreu. Neste ponto eu até concordo com o CNE mas, sabemos que, para que educar se é mais fácil omitir? Vale a pena instruir melhor os professores? Nâo, é mais fácil e barato proibir algumas obras. E se começarmos com as "Caçadas de Pedrinho" logo vamos fazer o mesmo com toda a coleção pois, convenhamos, o linguajar da Emília não era fácil, ô boneca de pano liguaruda!
E só para constar, apesar de ter lido toda a obra ainda criança, eu não me tornei um adulto racista. Vale a pena pensar nisso.
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terça-feira, outubro 26, 2010
Dia da Marmota
No último episódio de Being Erica que eu assisti ontem, ela recebe uma informação pelo Kai que não deveria ter recebido e que a deixa bem confusa e em parafuso. Por isto ela procura o Dr.Tom para reclamar e a 'solução' que ele encontra é fazê-la voltar ao passado, no horário que ela recebe a notícia (as 8 da manhã), para ela entender melhor o que tá acontecendo. E assim vira o dia dela, um enorme loop entre as 8 da manhã e o meio dia, até que ela tenha uma reação razoável.
Ela faz de tudo, tranca o Kai na sala pra ele contar mais, expulsa ele, enche a cara pra aceitar, briga com o mundo, até que, no momento que ela 'aceita' os fatos e pára de se preocupar com o futuro para se focar no presente, ela se liberta deste loop e o dia segue.
A mensagem é simples, viva o presente, repense seus atos, sorria mais, não magoe as pessoas, faça exercícios, escove os dentes, olhe para os dois lados antes de atravessar a rua, coma verduras, blá blá blá. A questão nem é esta. Apesar de ser um saco viver, reviver e rererereviver o mesmo momento sem sabermos até quando, as vezes deve ser legal termos a oportunidade de tentarmos até conseguirmos. Porém, o que é 'conseguir', numa vida que não tem script e que cada ação causa uma mudança que nem sempre reflete aquilo que parecia ser?
segunda-feira, outubro 25, 2010
Nunca Cometam o Pecado de Trocar Nosso Time
Parece que eu sou meio monotemático, mas não é bem assim. Cá vou eu falar de duas coisas que eu falei recentemente aqui: Futebol e o tal do livro Comer Rezar e Amar, mas num contexto diferente do habitual.
Certo, além disto não é exatamente sobre o livro, mas sim sobre o filme (que eu não assisti) e futebol não é sobre o Palmeiras (se fosse seria no outro blog), apesar de eu citá-lo como exemplo pessoal.
No pouco que li do livro tem uma parte que a protagonista vai ao Estádio Olímpico de Roma com um amigo assistir um jogo da Lazio, e que este amigo era um tifosi fanático. Bem, então o livro virou filme e, na hora de retratar esta parte da história um (desculpe o termo) imbecil decidiu que eles iriam assistir um jogo da... Roma!
Está certo que norte-americano não entende nada de futebol, mas eles entendem de esportes e sabem que tal pecado não deve ser cometido jamais, trocar o time de um homem! Ainda mais em se tratando de Lazio e Roma que, para quem não sabe, é uma das rivalidades mais brutais e selvagens do mundo. Para terem idéia é como fazessem um filme da minha vida e colocassem meu protagonista torcendo para os Gambás ou para os Bambis. Inadmissível, imperdoável.
Confesso que não estava afim de ver o filme, mas esta informação me deixou completamente brochado. Soa muito mais do que uma simples desinformação, e sim como uma ofensa! Caro Spaghetti, eu compartilho da tua dor e apoio a sua revolta!
Certo, além disto não é exatamente sobre o livro, mas sim sobre o filme (que eu não assisti) e futebol não é sobre o Palmeiras (se fosse seria no outro blog), apesar de eu citá-lo como exemplo pessoal.
No pouco que li do livro tem uma parte que a protagonista vai ao Estádio Olímpico de Roma com um amigo assistir um jogo da Lazio, e que este amigo era um tifosi fanático. Bem, então o livro virou filme e, na hora de retratar esta parte da história um (desculpe o termo) imbecil decidiu que eles iriam assistir um jogo da... Roma!
Está certo que norte-americano não entende nada de futebol, mas eles entendem de esportes e sabem que tal pecado não deve ser cometido jamais, trocar o time de um homem! Ainda mais em se tratando de Lazio e Roma que, para quem não sabe, é uma das rivalidades mais brutais e selvagens do mundo. Para terem idéia é como fazessem um filme da minha vida e colocassem meu protagonista torcendo para os Gambás ou para os Bambis. Inadmissível, imperdoável.
Confesso que não estava afim de ver o filme, mas esta informação me deixou completamente brochado. Soa muito mais do que uma simples desinformação, e sim como uma ofensa! Caro Spaghetti, eu compartilho da tua dor e apoio a sua revolta!
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segunda-feira, outubro 04, 2010
Perfeições Pop
DRINK ME - Anna Nalick
Talk about the weather
Will you miss me ever?
Lately I'm obsessed
And I need the rest
I hope that you're impressed
She's so pretty, I'm jealous
And she's lost like Alice
In a painted past
In a looking glass
I see me looking back
I'll take another Drink Me, baby
Slowly, I'll disappear
And wear my life like a barbed wire necklace
So let's play it truth or dare
So you're a fan of Coltrane
I wanna be Kurt Cobain
When the truth gets scary
I'll take my gin and sherry
And some Drink Me they'll be
Plath and Joplin with verse writing suiciders
Kennedy and Monroe come to see my rock show
I'll be there in the front row
I'll take another Drink Me, baby
Slowly, I'll disappear
And wear my life like a barbed wire necklace
So let's play truth or dare
And I won't be around to play your games
There will come a day when you won't know my name
And I'll get smaller with
Every swallow you'll
Wait tomorrow and things won't be the same
Talk about the weather
Will you miss me ever?
Lately I'm obsessed
And I need the rest
I hope that you're impressed
Cuz I need the rest
Yeah my head's a mess
I need the rest
I need the rest
I need the rest
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perfeições pop
quinta-feira, setembro 16, 2010
Livros Para Meninas e Para Meninos
Eu queria a um tempo ler o "Beber, Jogar, F@#er" do Bob Sullivan, mas me disseram que para entendê-lo eu precisava primeiro ler o "Comer, Rezar, Amar". Certo, lá fui eu tentar ler um livro de menininha e best-seller, coisas que definitivamente não me dão tesão nenhum, mas paciência. Li um pouco, aos trancos e barrancos, caindo no sono sempre depois de meia dúzia de páginas, e na metade do primeiro arco (são três), eu desisti. Desisti e resolvi começar a ser o outro.
Realmente admito que ler pelo menos a introdução daquele livro ajudou a entender melhor a 'piada'. Fica claro desde o começo que é uma sátira deslavada, ácida e até certo ponto machista do original, mas o que é válido, pois ele era muito menininha e fofinho, de uma forma que a vida real e as mulheres reais não são (ok, até onde eu li), além do que, se elas podem ser as mocinhas e nós os vilões em um livro, porque o contrário não pode acontecer em outro?
Não é questão de contar ou não o(s) livro(s) e sim de constatar que, no meio de muitos nichos, ainda existem estes, um para mulheres e outros para homens, onde a escrita, o direcionamento e até as piadas são direcionadas para um dos gêneros. E não há nada de errado nisto, errado é achar que isto é sexismo, misoginia, preconceito. Sem hipocrisia, as mulheres precisam do romance e dos contos de fada e os homens da putaria e o humor escrachado, pelo simples fato de que isto é legal, a gente gosta e ponto, não precisam de explicações científicas nem psicológicas.
Por um tempo o politicamente correto e o patrulhamento tentaram matar isso. A mulher tinha que ser forte como o homem e o homem tinha que ser sensível como a mulher, qualquer coisa que saísse desta linha era sinal de fraqueza. Mas sabe qual é a graça de existirem homens e mulheres? É que eles são diferentes, graças a Deus. E antes que comecem o patrulhamento contra homofobia, uma coisa não tem nada a ver com a outra, muitos podem não concordar comigo, mas e daí? Esta é a beleza da dialética e das discussões de mesas de bar, a diferença de opinião.
Mas voltando ao foco da conversa, parece que isto está se aliviando, e finalmente se tocaram que uma mulher não é menos forte ou menos profissionalmente sucedida se ela gosta de um filme ou livro de romance água com açúcar e sonha com o príncipe encatado e um homem não é um troglodita ignorante e espancador de mulheres se ele assiste um filme do estilo "Se Beber Não Case" ou ri de uma piada machista. Deixem o mundo em paz com as suas diferenças, pois isto é que faz dele divertido e interessante.
Realmente admito que ler pelo menos a introdução daquele livro ajudou a entender melhor a 'piada'. Fica claro desde o começo que é uma sátira deslavada, ácida e até certo ponto machista do original, mas o que é válido, pois ele era muito menininha e fofinho, de uma forma que a vida real e as mulheres reais não são (ok, até onde eu li), além do que, se elas podem ser as mocinhas e nós os vilões em um livro, porque o contrário não pode acontecer em outro?
Não é questão de contar ou não o(s) livro(s) e sim de constatar que, no meio de muitos nichos, ainda existem estes, um para mulheres e outros para homens, onde a escrita, o direcionamento e até as piadas são direcionadas para um dos gêneros. E não há nada de errado nisto, errado é achar que isto é sexismo, misoginia, preconceito. Sem hipocrisia, as mulheres precisam do romance e dos contos de fada e os homens da putaria e o humor escrachado, pelo simples fato de que isto é legal, a gente gosta e ponto, não precisam de explicações científicas nem psicológicas.
Por um tempo o politicamente correto e o patrulhamento tentaram matar isso. A mulher tinha que ser forte como o homem e o homem tinha que ser sensível como a mulher, qualquer coisa que saísse desta linha era sinal de fraqueza. Mas sabe qual é a graça de existirem homens e mulheres? É que eles são diferentes, graças a Deus. E antes que comecem o patrulhamento contra homofobia, uma coisa não tem nada a ver com a outra, muitos podem não concordar comigo, mas e daí? Esta é a beleza da dialética e das discussões de mesas de bar, a diferença de opinião.
Mas voltando ao foco da conversa, parece que isto está se aliviando, e finalmente se tocaram que uma mulher não é menos forte ou menos profissionalmente sucedida se ela gosta de um filme ou livro de romance água com açúcar e sonha com o príncipe encatado e um homem não é um troglodita ignorante e espancador de mulheres se ele assiste um filme do estilo "Se Beber Não Case" ou ri de uma piada machista. Deixem o mundo em paz com as suas diferenças, pois isto é que faz dele divertido e interessante.
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sexta-feira, setembro 10, 2010
quarta-feira, agosto 18, 2010
terça-feira, agosto 03, 2010
Nunca diga que isto aqui é 'apenas' futebol
Perdi a conta de quantas vezes, após uma derrota do Palmeiras, eu, de mau humor, ouvi de muita gente: Por que você está bravo, isto é apenas futebol, você não ganha nada com isto. Mas isto é uma grande mentira, e quem não entende o que isto realmente é, deveria se abster de qualquer comentário nesta hora.
Futebol nunca é apenas futebol. Futebol é amor, é paixão, no seu maior nível. Na vida você pode trocar de tudo, de esposa, de orientação política, de carreira, de religião, de opção sexual, mas nunca, em tempo algum, você pode trocar de time. E outra coisa, você nunca escolhe o time para o qual vai torcer por alguma razão aparentemente racional, é ele que te escolhe e, quando você menos percebe, é um torcedor apaixonado.
Futebol nunca é apenas futebol, pois eu não sei separar a minha vida de antes ou depois dele, pois para mim eu sempre fui um torcedor, e não lembro de uma vida sem torcer. As primeiras lembranças que eu tenho de futebol são de 85, quando o Palmeiras perdeu para o XV de Jaú por 3x2 no Palestra. Estávamos voltando da chácara da minha vó e meu pai ouvia o jogo no carro, que terminou pouco antes de chegarmos, e eu lembro claramente dele muito puto e decepcionado.
Futebol nunca é apenas futebol porque eu não consigo separar a relação com meu pai sem o futebol, e sem o Palmeiras. Depois daquele dia, eu passei a ser um torcedor apaixonado, junto com ele. E ele me levou as primerias vezes ao estádio. Ele me levou 2 vezes ao estádio da Inter de Limeira, me levou ao Pacaembu ver o Palmeiras jogar com o Vasco e empatar em 1x1, me levou algumas vezes ao Palestra, tudo isso quando eu era criança. Lembro que cada jogo era uma epopéia, e eu adorava cada momento.
Futebol nunca é apenas futebol porque eu lembro das noites que eu passei acordado até tarde, gravando os melhores momentos dos jogos do Palmeiras para quando meu pai chagasse do trabalho, ele pudesse assistir.
Futebol nunca é apenas futebol porque eu perdi noites e noites sofrendo com derrotas do Palmeiras nos anos da fila, derrotas inaceitáveis, que eu acampanhava num velho radio que tinha e ficava, na minha cama imaginando como as coisas se desenrolaram. Inter de Limeira, Ferroviária, Portuguesa, Bragantino, estes times povoavam a minha imaginação com um gosto amargo de derrota.
Futebol nunca é apenas futebol porque mesmo com os 16 anos de fila e sendo sempre o único palmeirense da escola, eu nunca desisti, muito pelo contrário. A minha alma de torcedor foi forjada no fogo do inferno da derrota e da humilhação, e isto ninguém vai destruir.
Futebol nunca é apenas futebol porque naquele início de noite de junho de 1993, o Palmeiras foi campeão e eu não sabia o que fazer. Eu não sabia se corria, se gritava, se chorava, e tive que perguntar pro meu pai como fazer, mas ele também não conseguia me responder.
Futebol nunca é apenas futebol porque naquele dia eu aprendi uma sensação nova, que eu só imaginava que existia mas não fazia idéia do que era, algo apenas comparável com o primeiro beijo ou a perda da virgindade. Eu enfim poderia parar de ler aquela Placar velha, que falava sobre as glórias do passado e não precisava mais tentar imaginar o que tinha sido aquela decisão de 1976 contra o XV de Piracicaba.
Futebol nunca é apenas futebol porque ele nunca me abandona, como eu nunca o abandonarei. O Palmeiras me deu muito, muitos amigos, muitas alegrias, também muitas tristezas, mas eu tenho certeza que ele não queria isso, o Palmeiras nunca quis me magoar, ele sempre me quis ver feliz. Mas nem sempre isso é possível.
Futebol nunca é apenas futebol porque futebol e Palmeiras são sinônimos de mim e meu pai, eu não consigo imaginar o Palmeiras sem a existência do meu pai, que me apresentou este time, me apresentou esta paixão, me levou aos estádios quando eu mal entendia as coisas e continuou me levando quando eu entendia aquilo muito bem.
Futebol nunca é apenas futebol porque mesmo quando tudo ruiu, e a minha relação com ele chegou aos piores níveis possíveis, o futebol nos uniu e nos confortou. Nos confortou naquele jogo contra o Cruzeiro, pelo Brasileiro do ano passado, quando ganhamos bem e nos trouxe um pouco de luz no inferno. Nos alegrou quando pudemos, ano passado também, assistir ao jogo contra o Vitória no Palestra depois de tantos anos longe, sendo que daquela vez eu o convidei, e isso me deu uma alegria gigante.
Futebol nunca é apenas futebol porque no jogo contra o Grêmio, na despedida em jogos oficiais do estádio que eu aprendi a amar, a alegria não foi completa, porque eu não pude olhar para o lado e ver ele comigo, lá, xingando e comemorando.
Futebol nunca é apenas futebol porque as lembranças, histórias e laços que ele cria são eternos.
Portanto nunca, jamais, em tempo algum, diga para um apaixonado que aquilo é 'apenas' futebol, pois não é verdade. O futebol é muito maior do que isso e quem não consegue compreender, não deve criticar nem fazer pouco, pois o futebol nunca é apenas futebol.
E obrigado pai, por me transformar num apaixonado por futebol, e por trazer o Palmeiras até a minha vida!
Texto replicado nos meus dois blogs, pois ele é muito mais do que apenas uma postagem sobre futebol, é sobre vida e amor.
Futebol nunca é apenas futebol. Futebol é amor, é paixão, no seu maior nível. Na vida você pode trocar de tudo, de esposa, de orientação política, de carreira, de religião, de opção sexual, mas nunca, em tempo algum, você pode trocar de time. E outra coisa, você nunca escolhe o time para o qual vai torcer por alguma razão aparentemente racional, é ele que te escolhe e, quando você menos percebe, é um torcedor apaixonado.
Futebol nunca é apenas futebol, pois eu não sei separar a minha vida de antes ou depois dele, pois para mim eu sempre fui um torcedor, e não lembro de uma vida sem torcer. As primeiras lembranças que eu tenho de futebol são de 85, quando o Palmeiras perdeu para o XV de Jaú por 3x2 no Palestra. Estávamos voltando da chácara da minha vó e meu pai ouvia o jogo no carro, que terminou pouco antes de chegarmos, e eu lembro claramente dele muito puto e decepcionado.
Futebol nunca é apenas futebol porque eu não consigo separar a relação com meu pai sem o futebol, e sem o Palmeiras. Depois daquele dia, eu passei a ser um torcedor apaixonado, junto com ele. E ele me levou as primerias vezes ao estádio. Ele me levou 2 vezes ao estádio da Inter de Limeira, me levou ao Pacaembu ver o Palmeiras jogar com o Vasco e empatar em 1x1, me levou algumas vezes ao Palestra, tudo isso quando eu era criança. Lembro que cada jogo era uma epopéia, e eu adorava cada momento.
Futebol nunca é apenas futebol porque eu lembro das noites que eu passei acordado até tarde, gravando os melhores momentos dos jogos do Palmeiras para quando meu pai chagasse do trabalho, ele pudesse assistir.
Futebol nunca é apenas futebol porque eu perdi noites e noites sofrendo com derrotas do Palmeiras nos anos da fila, derrotas inaceitáveis, que eu acampanhava num velho radio que tinha e ficava, na minha cama imaginando como as coisas se desenrolaram. Inter de Limeira, Ferroviária, Portuguesa, Bragantino, estes times povoavam a minha imaginação com um gosto amargo de derrota.
Futebol nunca é apenas futebol porque mesmo com os 16 anos de fila e sendo sempre o único palmeirense da escola, eu nunca desisti, muito pelo contrário. A minha alma de torcedor foi forjada no fogo do inferno da derrota e da humilhação, e isto ninguém vai destruir.
Futebol nunca é apenas futebol porque naquele início de noite de junho de 1993, o Palmeiras foi campeão e eu não sabia o que fazer. Eu não sabia se corria, se gritava, se chorava, e tive que perguntar pro meu pai como fazer, mas ele também não conseguia me responder.
Futebol nunca é apenas futebol porque naquele dia eu aprendi uma sensação nova, que eu só imaginava que existia mas não fazia idéia do que era, algo apenas comparável com o primeiro beijo ou a perda da virgindade. Eu enfim poderia parar de ler aquela Placar velha, que falava sobre as glórias do passado e não precisava mais tentar imaginar o que tinha sido aquela decisão de 1976 contra o XV de Piracicaba.
Futebol nunca é apenas futebol porque ele nunca me abandona, como eu nunca o abandonarei. O Palmeiras me deu muito, muitos amigos, muitas alegrias, também muitas tristezas, mas eu tenho certeza que ele não queria isso, o Palmeiras nunca quis me magoar, ele sempre me quis ver feliz. Mas nem sempre isso é possível.
Futebol nunca é apenas futebol porque futebol e Palmeiras são sinônimos de mim e meu pai, eu não consigo imaginar o Palmeiras sem a existência do meu pai, que me apresentou este time, me apresentou esta paixão, me levou aos estádios quando eu mal entendia as coisas e continuou me levando quando eu entendia aquilo muito bem.
Futebol nunca é apenas futebol porque mesmo quando tudo ruiu, e a minha relação com ele chegou aos piores níveis possíveis, o futebol nos uniu e nos confortou. Nos confortou naquele jogo contra o Cruzeiro, pelo Brasileiro do ano passado, quando ganhamos bem e nos trouxe um pouco de luz no inferno. Nos alegrou quando pudemos, ano passado também, assistir ao jogo contra o Vitória no Palestra depois de tantos anos longe, sendo que daquela vez eu o convidei, e isso me deu uma alegria gigante.
Futebol nunca é apenas futebol porque no jogo contra o Grêmio, na despedida em jogos oficiais do estádio que eu aprendi a amar, a alegria não foi completa, porque eu não pude olhar para o lado e ver ele comigo, lá, xingando e comemorando.
Futebol nunca é apenas futebol porque as lembranças, histórias e laços que ele cria são eternos.
Portanto nunca, jamais, em tempo algum, diga para um apaixonado que aquilo é 'apenas' futebol, pois não é verdade. O futebol é muito maior do que isso e quem não consegue compreender, não deve criticar nem fazer pouco, pois o futebol nunca é apenas futebol.
E obrigado pai, por me transformar num apaixonado por futebol, e por trazer o Palmeiras até a minha vida!
Texto replicado nos meus dois blogs, pois ele é muito mais do que apenas uma postagem sobre futebol, é sobre vida e amor.
quinta-feira, julho 29, 2010
Jogo das Barricas III
Em 2008, meia dúzia de radicais, intolerantes e irracionais corinthianos e palmeirenses que viviam trocando suas farpas por blogues, e-mails e que tais - ainda não havia se disseminado o Twitter - resolveram consertar o ato mais irresponsável das diretorias de Corinthians e palmeiras de sua história. Um dos gaiatos teve a idéia de jerico e o restante não só concordou como ajudou a viabilizar aquilo que viríamos chamar de Jogo das Barricas - a reparação histórica.
Quem ainda não entendeu nada, deve obrigatoriamente visitar o Cruz de Savóia para ter noção exata do que foi a "Taça Augusto Mundell", eternizada e popularizada nos registros futebolísticos como o Jogo das Barricas a que nos referimos. Tal alcunha foi dada graças às esmolas arrecadadas pelas duas grandes equipes paulistanas, mais a Lusa, em benefício do time de Jd. Leonor, numa atitude que nos custou caro pouco tempo depois, com a intervenção na presidência do Corinthians e a mudança do palestra para palmeiras - a própria Portuguesa foi vítima de um dos rolos tricolores, comprando o Canindé depois que ele foi tungado pela escumalha dos alemães.
Pois é contra essas e diversas outras aberrações da história sombria do time de madame que queremos não só denunciar, mas também prestar tributo a todos os nossos guerreiros antepassados. Mais ainda, eis a prova de que corinthianos e palmeirenses (e agora consta que teremos a participação de uma esquadra lusa) conseguem conviver em clima fraterno quando o que está em pauta não é a disputa do maior clássico do mundo.
Assim, a 3ª Edição do Jogo das Barricas será realizada no próximo dia 21 de agosto, um sábado, a partir das 15h. Conseguimos, desta feita, fazer com que o evento aconteça na gloriosa várzea paulistana, local de gestação daquele futebol que todos aprendemos a amar, o futebol do povo. Voltar à várzea, aliás, ganha mais significado porque é um protesto contra a modernidade assassina, tão peculiar daquele clube que temos o prazer de combater.
Pedimos, então, a colaboração de R$20 dos interessados para custear o aluguel do campo e o churrasco que será feito durante e depois da partida. A cerveja e demais bebidas não estão inclusas, mas poderão ser adquiridas a preços honestos no bar da agremiação que irá nos receber. Infelizmente, não podemos divulgar abertamente o local do jogo por questões óbvias. As informações só serão enviadas para quem se identificar via e-mail (cramone99@gmail.com ou cruzdesavoia@gmail.com) e garantir presença. Posteriormente, iremos divulgar uma conta corrente para receber os depósitos. A prestação de contas será cristalina e, caso haja sobra, ela entrará no rateio das Brahmas.
Aos corinthianos e palmeirenses, reforço que essa edição será a "nega", já que os alvinegros levaram a primeira e os alviverdes faturaram a segunda. Quanto aos uniformes, vale a sugestão de levar tanto o primeiro quanto o segundo fardamento, para que os presentes decidam no voto qual das camisas deve entrar no gramado.
Recado final: leve suas moedinhas! Afinal de contas, madame está descontrolada também nos cofres e a intenção é despejar uma barrica cheia níqueis na porta do Morumbi. Contamos com a presença!
Jogo das Barricas - 3º edição
Data: 21 de agosto - às 15h (pontualmente)
Preço: R$20 (aluguel do campo e churrasco)
Inscrições e informações: cramone99@gmail.com / cruzdesavoia@gmail.com
Quem ainda não entendeu nada, deve obrigatoriamente visitar o Cruz de Savóia para ter noção exata do que foi a "Taça Augusto Mundell", eternizada e popularizada nos registros futebolísticos como o Jogo das Barricas a que nos referimos. Tal alcunha foi dada graças às esmolas arrecadadas pelas duas grandes equipes paulistanas, mais a Lusa, em benefício do time de Jd. Leonor, numa atitude que nos custou caro pouco tempo depois, com a intervenção na presidência do Corinthians e a mudança do palestra para palmeiras - a própria Portuguesa foi vítima de um dos rolos tricolores, comprando o Canindé depois que ele foi tungado pela escumalha dos alemães.
Pois é contra essas e diversas outras aberrações da história sombria do time de madame que queremos não só denunciar, mas também prestar tributo a todos os nossos guerreiros antepassados. Mais ainda, eis a prova de que corinthianos e palmeirenses (e agora consta que teremos a participação de uma esquadra lusa) conseguem conviver em clima fraterno quando o que está em pauta não é a disputa do maior clássico do mundo.
Assim, a 3ª Edição do Jogo das Barricas será realizada no próximo dia 21 de agosto, um sábado, a partir das 15h. Conseguimos, desta feita, fazer com que o evento aconteça na gloriosa várzea paulistana, local de gestação daquele futebol que todos aprendemos a amar, o futebol do povo. Voltar à várzea, aliás, ganha mais significado porque é um protesto contra a modernidade assassina, tão peculiar daquele clube que temos o prazer de combater.
Pedimos, então, a colaboração de R$20 dos interessados para custear o aluguel do campo e o churrasco que será feito durante e depois da partida. A cerveja e demais bebidas não estão inclusas, mas poderão ser adquiridas a preços honestos no bar da agremiação que irá nos receber. Infelizmente, não podemos divulgar abertamente o local do jogo por questões óbvias. As informações só serão enviadas para quem se identificar via e-mail (cramone99@gmail.com ou cruzdesavoia@gmail.com) e garantir presença. Posteriormente, iremos divulgar uma conta corrente para receber os depósitos. A prestação de contas será cristalina e, caso haja sobra, ela entrará no rateio das Brahmas.
Aos corinthianos e palmeirenses, reforço que essa edição será a "nega", já que os alvinegros levaram a primeira e os alviverdes faturaram a segunda. Quanto aos uniformes, vale a sugestão de levar tanto o primeiro quanto o segundo fardamento, para que os presentes decidam no voto qual das camisas deve entrar no gramado.
Recado final: leve suas moedinhas! Afinal de contas, madame está descontrolada também nos cofres e a intenção é despejar uma barrica cheia níqueis na porta do Morumbi. Contamos com a presença!
Jogo das Barricas - 3º edição
Data: 21 de agosto - às 15h (pontualmente)
Preço: R$20 (aluguel do campo e churrasco)
Inscrições e informações: cramone99@gmail.com / cruzdesavoia@gmail.com
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segunda-feira, julho 19, 2010
A Arte no Sofrer
Para começo de conversa, eu não sou masoquista, bem longe de mim gostar de sofrer e estas coisas, pois convenhamos: isto é chato pra caralho!
Mas uma coisa é necessária ser dita: a tristeza e o sofrimento são poéticos. E quando eu falo poético não estou me referindo a um estilo literário, mas sim a toda e qualquer forma de arte que seja criada com a alma e o coração. As obras mais bonitas não complementadas pela dor, seja de um amor perdido ou impossível, seja pela pelo vazio da solidão, seja por qualquer outra forma de tristeza.
Provavelmente porque o papel, a tela, a câmera, o pincel, um instrumento musical, na mão de um poeta sofrido serve como forma de exorcismo, quando o artista consegue transferir para o mundo físico toda aquela dor que existe no etéreo e, consequentemente, quem aprecia esta obra capta uma parcela deste sentimento para si.
Ninguém gosta de sofrer, mas a maioria vê o sofrimento como arte, por isso gostamos de livros e filmes tristes, músicas melancólicas, quadros e esculturas pesadas. E pensar nesta tristeza faz a gente dar maior valor para os momentos felizes te temos.
Mas uma coisa é necessária ser dita: a tristeza e o sofrimento são poéticos. E quando eu falo poético não estou me referindo a um estilo literário, mas sim a toda e qualquer forma de arte que seja criada com a alma e o coração. As obras mais bonitas não complementadas pela dor, seja de um amor perdido ou impossível, seja pela pelo vazio da solidão, seja por qualquer outra forma de tristeza.
Provavelmente porque o papel, a tela, a câmera, o pincel, um instrumento musical, na mão de um poeta sofrido serve como forma de exorcismo, quando o artista consegue transferir para o mundo físico toda aquela dor que existe no etéreo e, consequentemente, quem aprecia esta obra capta uma parcela deste sentimento para si.
Ninguém gosta de sofrer, mas a maioria vê o sofrimento como arte, por isso gostamos de livros e filmes tristes, músicas melancólicas, quadros e esculturas pesadas. E pensar nesta tristeza faz a gente dar maior valor para os momentos felizes te temos.
segunda-feira, julho 05, 2010
Um Contador de Histórias
Vendo ontem um filme bobo, daquelas comédias com cara de domingo, onde você não quer pensar, me vi pensando. O fato é que eu acabo me vendo pensando em praticamente todos os filmes e seriados que assisto, livros e quadrinhos que leio, propagandas de carros nas revistas que vejo.
Na verdade, tudo que que é escrito é feito para nos fazer pensar, mesmo que de uma forma inconsciente. Um filme não precisa ser sério, denso, para nos levar a refletir algo, mesmo na simplicidade a mensagem pode, e deve, ser transmitida. E quando falo de filme, é porque foi o que me fez pensar, mas vale para qualquer mídia que dependa da criatividade de alguém para criar algo.
As vezes me pego pensando, qual é a utilidade para a sociedade de alguém que escreve. Não salva vidas, não alimenta, não esquenta, não protege das intempéries da natureza, não cura, não transporta, não alivia a dor. É, teoricamente, uma coisa da qual podemos viver sem.
Teoricamente, pois graças a Deus não é assim que funciona. A vida é muito mais do que o tangível, e precisamos daquilo que não podemos dimensionar. Precisamos aprender lições, precisamos sonhar e acreditar. Porque sim, uma história salva vidas, alimenta a alma, esquenta nosso espírito numa noite fria e solitária, nos protege da chuva e do frio, cura nossas tristezas, nos transporta para um lugar mais bonito, colorido e feliz, alivia as nossas dores, dores da alma, dores do coração, dores da vida.
A escrita é um dom e o contador de histórias tem tanto valor quanto um médico ou um engenheiro, pois de que adianta um corpo são e pão na mesa, se a alma está vazia?
Na verdade, tudo que que é escrito é feito para nos fazer pensar, mesmo que de uma forma inconsciente. Um filme não precisa ser sério, denso, para nos levar a refletir algo, mesmo na simplicidade a mensagem pode, e deve, ser transmitida. E quando falo de filme, é porque foi o que me fez pensar, mas vale para qualquer mídia que dependa da criatividade de alguém para criar algo.
As vezes me pego pensando, qual é a utilidade para a sociedade de alguém que escreve. Não salva vidas, não alimenta, não esquenta, não protege das intempéries da natureza, não cura, não transporta, não alivia a dor. É, teoricamente, uma coisa da qual podemos viver sem.
Teoricamente, pois graças a Deus não é assim que funciona. A vida é muito mais do que o tangível, e precisamos daquilo que não podemos dimensionar. Precisamos aprender lições, precisamos sonhar e acreditar. Porque sim, uma história salva vidas, alimenta a alma, esquenta nosso espírito numa noite fria e solitária, nos protege da chuva e do frio, cura nossas tristezas, nos transporta para um lugar mais bonito, colorido e feliz, alivia as nossas dores, dores da alma, dores do coração, dores da vida.
A escrita é um dom e o contador de histórias tem tanto valor quanto um médico ou um engenheiro, pois de que adianta um corpo são e pão na mesa, se a alma está vazia?
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quinta-feira, julho 01, 2010
Meu Ano Novo
2009 foi um ano foda para mim, principalmente o primeiro semestre. Depois de um longo período de estagnação total, resolvi dar um rumo pra minha vida e, nestes casos, de mudança abrupta, temos duas possibilidades: ou uma aparente boa oportunidade que cai no colo, ou fazer aquilo que sabemos fazer. E no meu caso, parecia que tudo se acertava, uma oportunidade de ser sócio em um escritório de advocacia de Campinas que iria abrir em São Paulo, com grande know-how e clientela. Encurtando a história, em seis meses tudo que estava complicado ficou muito pior, e eu acabei sem grana, sem patrimônio, com um monte de cheque sem fundo e uma bucha na mão.
Lembro como se fosse hoje que eu tava no escritório que eu tinha alugado com outro cara, que também foi enganado, olhando pra tela do computador, totalmente perdido, imaginando o que eu iria fazer da minha vida, quando a Carol (com quem na época eu nem tinha tanta amizade ainda) me perguntou se eu estava interessado numa vaga no IPSO, onde ela trabalhava.
Eu comecei a trabalhar lá, num ambiente que me fez muito bem naquele período de extremo estresse, e me inseri em um novo (velho) mercado, o de tecnologia. E assim os caminhos começaram a se abrir pra mim. O dia que ela me chamou? 01 de julho de 2009.
Foi então que meu ano realmente começou e as coisas começaram a dar certo pra mim. Certo, ainda tinha muita bagagem anterior e outras coisinhas novas, mas é injusto dizer que foi um período ruim, prefiro acreditar que foi um período de aprendizado.
E este período durou até ontem. Aprendi muito coisa, de boas e de más maneiras, mas é assim que funciona a vida. E mais engraçado ainda é que têm momentos da nossa vida que estamos mais acessíveis às pequenas dicas que recebemos, e conseguimos assimilá-las bem. Incrível que coisas, apesar de óbvias, passem tanto tempo despercebidas, quando estamos sem foco.
Assim, meu ano começa. E resolvi começar com coisas práticas. Ontem vi um filme que, aparentemente, era bobinho, mas que acabou tendo uma puta sacada: quase no final dele, com um casal aparentemente apaixonado, a menina fala para o cara escrever uma carta explicando porque amava ela e que ela faria o mesmo. De posse delas, eles enteraram ao pé de uma árvore, para serem lidas exatamente um ano após (claro, a sacada não é só essa, e sim o desenrolar, mas não convém contar). E, se eu quero mudar, porque não escrever uma carta com a lista das coisas que eu quero mudar em um ano, colocar num envelope e datá-lo para 01 de julho de 2011? Foi o que fiz.
É óbvio que essas datas não valem nadas, são instituições do homem e, paralelamente ao 'calendário oficial', existem diversos outros, quase todos políticos, sem o mínimo de fundamento astrológico ou espiritual, mas quem faz as nossas datas somos nós mesmos, e eu decidi, novamente, fazer desta a minha. Que bons ventos me guiem para mares tranquilos e emocionantes. E com tesouros, porque ninguém é de ferro e ganhar dinheiro é bom!
Lembro como se fosse hoje que eu tava no escritório que eu tinha alugado com outro cara, que também foi enganado, olhando pra tela do computador, totalmente perdido, imaginando o que eu iria fazer da minha vida, quando a Carol (com quem na época eu nem tinha tanta amizade ainda) me perguntou se eu estava interessado numa vaga no IPSO, onde ela trabalhava.
Eu comecei a trabalhar lá, num ambiente que me fez muito bem naquele período de extremo estresse, e me inseri em um novo (velho) mercado, o de tecnologia. E assim os caminhos começaram a se abrir pra mim. O dia que ela me chamou? 01 de julho de 2009.
Foi então que meu ano realmente começou e as coisas começaram a dar certo pra mim. Certo, ainda tinha muita bagagem anterior e outras coisinhas novas, mas é injusto dizer que foi um período ruim, prefiro acreditar que foi um período de aprendizado.
E este período durou até ontem. Aprendi muito coisa, de boas e de más maneiras, mas é assim que funciona a vida. E mais engraçado ainda é que têm momentos da nossa vida que estamos mais acessíveis às pequenas dicas que recebemos, e conseguimos assimilá-las bem. Incrível que coisas, apesar de óbvias, passem tanto tempo despercebidas, quando estamos sem foco.
Assim, meu ano começa. E resolvi começar com coisas práticas. Ontem vi um filme que, aparentemente, era bobinho, mas que acabou tendo uma puta sacada: quase no final dele, com um casal aparentemente apaixonado, a menina fala para o cara escrever uma carta explicando porque amava ela e que ela faria o mesmo. De posse delas, eles enteraram ao pé de uma árvore, para serem lidas exatamente um ano após (claro, a sacada não é só essa, e sim o desenrolar, mas não convém contar). E, se eu quero mudar, porque não escrever uma carta com a lista das coisas que eu quero mudar em um ano, colocar num envelope e datá-lo para 01 de julho de 2011? Foi o que fiz.
É óbvio que essas datas não valem nadas, são instituições do homem e, paralelamente ao 'calendário oficial', existem diversos outros, quase todos políticos, sem o mínimo de fundamento astrológico ou espiritual, mas quem faz as nossas datas somos nós mesmos, e eu decidi, novamente, fazer desta a minha. Que bons ventos me guiem para mares tranquilos e emocionantes. E com tesouros, porque ninguém é de ferro e ganhar dinheiro é bom!
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segunda-feira, junho 21, 2010
Um Novo Começo ou Mais do Mesmo
Um dia, uma pessoa iluminada disse: Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. E embora esta frase possa soar como um chavão ou uma auto ajuda, ela é muito intensa e forte.
Mas o que é um novo começo? E quem disse que as vezes a gente quer um novo começo? Quem disse que coisas que ficaram para trás são ruins? Por que a gente não pode é ter de volta as coisas que perdemos, que deixamos pelo caminho?
As vezes, é mais do que uma coisa física, mas uma sensação, um sentimento, um momento, uma lembrança, um cheiro, uma imagem, um segundo de olhos fechados em que nos sentimos a pessoa mais completa do mundo. Mas tudo isso a gente deixou. Deixou por motivos inexplicados e inexplicáveis. Deixamos. Fomos deixados. Perdemos. Esquecemos. Não demos valor. Não percebemos. Não estávamos prontos.
Não estávamos prontos?
Nunca estamos prontos, estamos? Afinal, não sabemos o que queremos, nem como queremos. Queremos tudo perfeito, mas a perfeição não existe porque somos imperfeitos por natureza. Buscamos todos os prazeres, tudo ao mesmo tempo agora e não sabemos nem o que queremos. Não sabemos ou simplesmente não conhecemos, não temos parâmetros para saber. Como saber o gosto de uma fruta, saber se gostamos dela se numa a experimentamos. Nem a cheiramos. Muito menos a tocamos.
Buscamos a perfeição e não nos contentamos com menos, e depois fugimos. Deixamos um rastro das nossas histórias e nossas decisões, na esperança que aprendamos com ele, mas não é assim que a vida funciona. Nos viramos para olhar o rastro e tropeçamos em algum obstáculo. Caímos, nos machucamos. Aumentamos o rastro.
Abandonamos as sensações achando que vivemos melhor sem elas, mas daí percebemos que elas que nos conduzem. Um peito vazio e uma pele sem dor não serve para nada, são apenas receptáculos do vácuo e da insignificância. É desta forma que conduzimos, um trem sem condutor, que apenas continua no trilho pelas leis naturais e pelo acaso. O mesmo acaso que vai descarrilá-lo a qualquer momento. E ninguém irá chorar pelos seus mortos, porque ali não estava ninguém.
Fazer um novo começo pode significar muita coisa, mas só é possível no momento em que nos conscientizarmos de nossas incompetências, e aceitarmos vivermos com isso. Viver um novo começo só é possível quando vivemos com o que já vivemos, aceitando e não varrendo para debaixo do tapete.
É aceitar que erramos. É aceitar que somos falhos e fazemos merda. É perdoar. É pedir perdão. É chorar na hora certa, mas depois sorrir e seguir em frente. É sofrer, reclamar, maldizer, mas saber que, quem sente tudo isso é feliz, pois o pior sentimento é o de não mais sentir.
*texto escrito de uma vez só, sem revisão. é assim que eu funciono, é assim que este tipo de texto é aqui
Mas o que é um novo começo? E quem disse que as vezes a gente quer um novo começo? Quem disse que coisas que ficaram para trás são ruins? Por que a gente não pode é ter de volta as coisas que perdemos, que deixamos pelo caminho?
As vezes, é mais do que uma coisa física, mas uma sensação, um sentimento, um momento, uma lembrança, um cheiro, uma imagem, um segundo de olhos fechados em que nos sentimos a pessoa mais completa do mundo. Mas tudo isso a gente deixou. Deixou por motivos inexplicados e inexplicáveis. Deixamos. Fomos deixados. Perdemos. Esquecemos. Não demos valor. Não percebemos. Não estávamos prontos.
Não estávamos prontos?
Nunca estamos prontos, estamos? Afinal, não sabemos o que queremos, nem como queremos. Queremos tudo perfeito, mas a perfeição não existe porque somos imperfeitos por natureza. Buscamos todos os prazeres, tudo ao mesmo tempo agora e não sabemos nem o que queremos. Não sabemos ou simplesmente não conhecemos, não temos parâmetros para saber. Como saber o gosto de uma fruta, saber se gostamos dela se numa a experimentamos. Nem a cheiramos. Muito menos a tocamos.
Buscamos a perfeição e não nos contentamos com menos, e depois fugimos. Deixamos um rastro das nossas histórias e nossas decisões, na esperança que aprendamos com ele, mas não é assim que a vida funciona. Nos viramos para olhar o rastro e tropeçamos em algum obstáculo. Caímos, nos machucamos. Aumentamos o rastro.
Abandonamos as sensações achando que vivemos melhor sem elas, mas daí percebemos que elas que nos conduzem. Um peito vazio e uma pele sem dor não serve para nada, são apenas receptáculos do vácuo e da insignificância. É desta forma que conduzimos, um trem sem condutor, que apenas continua no trilho pelas leis naturais e pelo acaso. O mesmo acaso que vai descarrilá-lo a qualquer momento. E ninguém irá chorar pelos seus mortos, porque ali não estava ninguém.
Fazer um novo começo pode significar muita coisa, mas só é possível no momento em que nos conscientizarmos de nossas incompetências, e aceitarmos vivermos com isso. Viver um novo começo só é possível quando vivemos com o que já vivemos, aceitando e não varrendo para debaixo do tapete.
É aceitar que erramos. É aceitar que somos falhos e fazemos merda. É perdoar. É pedir perdão. É chorar na hora certa, mas depois sorrir e seguir em frente. É sofrer, reclamar, maldizer, mas saber que, quem sente tudo isso é feliz, pois o pior sentimento é o de não mais sentir.
*texto escrito de uma vez só, sem revisão. é assim que eu funciono, é assim que este tipo de texto é aqui
domingo, junho 20, 2010
A Terceira Revolução Industrial
Na última quinta e sexta eu tive a feliz oportunidade de participar da Infotrends, que tratou de diversos temas sobre internet, redes sociais e por aí vai. Para mim foi muito legal, pois eu ainda sou bem novo no tema, até pouco tempo atrás isto era apenas parte do meu tempo livre e, de repente, me vi trabalhando com isto.
Vi muitas palestras e debates de assuntos diversos, e me vi tentado a escrever alguma coisa. Claro, não tenho a pretensão de ensinar ninguém, até porque eu sou totalmente 'newbie' no assunto - profissionalmente, porque eu sou 'hard user' nas horas vagas -, e sim de dar a minha opinião sobre as coisas, afinal é para isso que um blog serve, certo?
Mas o mais engraçado é que, no meio de tanta coisa técnica e específica, a apresentação que mais me impressionou foi a do Chris Anderson, escritor do 'Long Tail', que foi praticamente inteira teórica e conceitual. Só que ela foi incrivelmente 'open minded', aquela coisa do ovo de Colombo, parece óbvio depois que ouvimos, mas nunca pensamos nisto antes.
Ele falou sobre o que ele chama da terceira revolução industrial, totalmente influenciada pela 'Long Tail', pela existência cada vez maior dos nichos, que por sua vez são cada vez mais específicos. Alguém precisa suprir estes nichos, e não serão as grandes empresas, que são muitas vezes engessadas e não investem em mercados sem muito volume. Assim, os atores desta revolução serão os microempreendedores, trabalhando cooperativamente e, principalmente, com paixão.
Esta é outra palavra chave deste momento, a paixão. Esta revolução está se dando por pessoas que fazem aquilo que amam, nos seus momentos de folga, sem a pressão de ganharem dinheiro. Elas fazem isto porque gostam, como um 'hobby', sem qualquer pretensão maior, mas daí as coisas vão tomando forma e se tornam um negócio. O que um dia começou como uma forma de suprir um interesse muito específico seu, que não era suprido pelo mercado convencional, pode dar início a um grande negócio.
É a era da cooperação, da especificidade, do trabalhar por prazer, não por obrigação. É a hora de arregaçar as mangas e tirar as idéias de dentro da sua cabeça e torná-las reais. É a hora de seguir seus sonhos e suas paixões, e transformar isto numa carreira.
Vi muitas palestras e debates de assuntos diversos, e me vi tentado a escrever alguma coisa. Claro, não tenho a pretensão de ensinar ninguém, até porque eu sou totalmente 'newbie' no assunto - profissionalmente, porque eu sou 'hard user' nas horas vagas -, e sim de dar a minha opinião sobre as coisas, afinal é para isso que um blog serve, certo?
Mas o mais engraçado é que, no meio de tanta coisa técnica e específica, a apresentação que mais me impressionou foi a do Chris Anderson, escritor do 'Long Tail', que foi praticamente inteira teórica e conceitual. Só que ela foi incrivelmente 'open minded', aquela coisa do ovo de Colombo, parece óbvio depois que ouvimos, mas nunca pensamos nisto antes.
Ele falou sobre o que ele chama da terceira revolução industrial, totalmente influenciada pela 'Long Tail', pela existência cada vez maior dos nichos, que por sua vez são cada vez mais específicos. Alguém precisa suprir estes nichos, e não serão as grandes empresas, que são muitas vezes engessadas e não investem em mercados sem muito volume. Assim, os atores desta revolução serão os microempreendedores, trabalhando cooperativamente e, principalmente, com paixão.
Esta é outra palavra chave deste momento, a paixão. Esta revolução está se dando por pessoas que fazem aquilo que amam, nos seus momentos de folga, sem a pressão de ganharem dinheiro. Elas fazem isto porque gostam, como um 'hobby', sem qualquer pretensão maior, mas daí as coisas vão tomando forma e se tornam um negócio. O que um dia começou como uma forma de suprir um interesse muito específico seu, que não era suprido pelo mercado convencional, pode dar início a um grande negócio.
É a era da cooperação, da especificidade, do trabalhar por prazer, não por obrigação. É a hora de arregaçar as mangas e tirar as idéias de dentro da sua cabeça e torná-las reais. É a hora de seguir seus sonhos e suas paixões, e transformar isto numa carreira.
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