Já postei isso, mas o Natal tá chegando de novo, então...
O Natal estava chegando. Para dizer a verdade, o dia 25 de dezembro estava chegando, pois o clima de Natal estava no ar há muito tempo, há pelo menos um mês. Lojas decoradas com motivos natalinos, árvores montadas nas casas, junto a piscas e toda sorte de enfeite, pessoas desesperadas atrás de presentes, papais noéis e seus duendes espalhados por todos os cantos, agüentando o calor tropical debaixo de uma roupa vermelha totalmente incoerente com a época do ano que vivemos.
Aquilo que era para ser uma data festiva, alegre, de paz e harmonia, na verdade não passava de uma data como outras. Pior ainda, era uma data que eu não fazia questão nenhuma de acompanhar.
Para mim, era algo artificial, totalmente mecânico e comercial, feito para que todos se sintam bem e varram para debaixo do tapete todos os problemas por um dia. Só que a sujeira continua lá, da mesma maneira que a colocamos, apenas esperando o amanhecer do dia 26 para começar a exalar o seu cheiro ruim.
Não conseguia sentir-me feliz, era como se eu esperasse por alguma coisa que não existe, uma angústia inexplicável que me faz torcer para tudo passar rápido, para que a rotina volte e eu posso, novamente, voltar ao meu normal.
Nem sempre as coisas foram assim. Quando criança eu adorava tudo isso, alguma pessoa vestida de Papai Noel carregando um saco vermelho cheio de presentes e, dentre eles, um para mim. E não me importava o conteúdo do pacote, ou o valor do mesmo, tão somente o fato de eu ter sido lembrado, de ter recebido algo.
Após isso a família toda se reunia na casa dos meus avós, muita gente, comida farta, alegria e, no final da noite, todo mundo cansado voltava para casa, de estômago cheio e carregando seus presentes.
Conforme eu fui crescendo, a rotina continuava a mesma, mas sem a mesma empolgação de antes. E os ânimos foram progressivamente esfriando até que meus avós falecerem, cada parte da família dispersou-se para um lado e o que eu conhecia por Natal deixou de existir.
E o vermelho foi substituído pelo cinza, as músicas natalinas deixaram de ser alegres para se tornarem melancólicas e a vontade de festejar simplesmente desapareceu.
No último Natal eu me lembro de muito pouco. Bebi muita cerveja, muito vinho, cheirei uma boa carreira e desmaiei no meu quarto bem antes da meia noite. Meu pai não gostou muito, minha mãe ficou chateada, mas pelo menos a noite passou rápido, e a ressaca do dia seguinte foi digna de um dia de Natal.
E esse ano que tinha tudo para ser um pouco melhor. Tinha era o melhor tempo verbal para expressar tudo, pois com tudo que aconteceu, esse estava para ser o pior Natal da minha vida.
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segunda-feira, dezembro 14, 2009
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Fábulas
A fina e fria garoa que cai ao entardecer daquele dia de agosto seria o suficiente para afastar das ruas todas as pessoas de bom senso, mas não é isto que acontece. As ruas estão cheios de carros, rodando, quando estão, a uma velocidade que as pessoas que os acompanham pela calçada, com passos apressados, os deixam para trás. Todos querem sair de lá o mais rápido possível, chegarem logo aos seus lares, perto ou longe dali ou daqui, para deixarem para trás as intempéries climáticas que tanto os castigam.
Mas, aparentemente, nem todos tem para onde ir. Nem todos têm um teto, quatro paredes e algo que os aqueça e os alimentem. Alguns, esquecidos pela cidade e pelas pessoas que fazem a cidade pulsar, estão jogados nos seus cantos, como um incômodo que deve ser evitado para, assim, quem sabe, ser esquecido. Pessoas que não são pessoas, são coisas, como se fossem um saco de lixo ou um caixa de entulho esquecidas ao relento e que, algum dia alguém vai se tocar e levar embora, como se nunca tivessem existidos. Alguém, mas nunca a gente.
E um destes incômodos estava, neste momento, sentado próximo a esquina de duas ruas movimentadas e então, quase paradas. Os carros que lá passavam, com pressa para chegarem à algum lugar, mal notavam a pequena criatura. Nem quando ela, em um esforço que lhe parecia descomunal, se dirigia até eles suplicando por algum trocado, um pouco de comida ou qualquer outra coisa que lhe trouxesse algum alívio, mesmo que momentâneo.
Alívio é a palavra certa, pois satisfação e prazer eram sensações que ele nem mais se lembrava se tinha vivido algum dia. Provavelmente sim, em algum momento do seu passado remoto, mas se encontrava tão tão remoto que agora nem uma lembrança era mais, não mais restava nada em que ele pudesse de escorar para buscar algum sentimento. Não, sem mais sentimentos que não fosse tristeza e desânimo, frio e fome, cansaço e desespero.
Nem raiva ele conseguia mais. Estava cansado demais para sentir raiva das pessoas, da situação, ou mesmo dele. Já sentira muito, disto ele se lembrava. Da raiva, do ódio, do maldizer. Da irritação e das explosões furiosas. Mas não, nem isto mais restava no seu coração.
Coração? O que era isto? Se coração é um órgão que serve para bombear o sangue pelo teu corpo, através de pequenas veias e artérias, provavelmente ele ainda tinha, pois estava vivo e, sangrava, mas o coração que as pessoas costumam dizer ser o receptáculo das emoções, já havia desaparecido. Fora corroído pelos ácidos do teu estômago e depois descartado pelo seu sistema intestinal, muito tempo atrás. E quando isto aconteceu, fedeu muito. E ele ficou enjoado.
Sua aparência era de uma criança, mas ele não era uma. Já vivera muito para ser uma criança, mas mesmo assim parecia uma. Sua pele negra e seus olhos apagados eram cobertos apenas por um gorro, largo demais para sua cabeça e uma roupa esfarrapada e suja que, agora molhada, não servia para aquecer seu corpo mirrado. Para tal, ele usava uma velha coberta, companheira do dia e da noite, puída e com alguns rasgos.
O odor que ele exalava era forte, como se a somatória de chuva, poeira e fuligem o tivesse apodrecido. As pessoas que passavam perto dele prendiam a respiração, mas ele nem ligava. Não sentia nada. Nada. Acostumara com seu cheiro e o asco de outrem.
Algumas vezes, quando o sinal ficava vermelho, levantava-se trôpego, com dificuldades e, amparado por uma muleta, que também poderia ser chamada de um pedaço de madeira podre, movia-se para os carros, pedindo. Nos dias de calor, com as janelas abertas, era mais difícil das pessoas o ignorarem, então davam-lhe algumas moedas para se verem livres de tão incômoda presença, mas nos dias de frio e chuva, com os vidros fechado e insufilmados, ele passava despercebido.
Quatro carros, o sinal mutou para o verde e, apressados, os veículos se puseram a mover, mesmo que meio metro, um metro no máximo, e ele voltou para seu canto, sua casa. Movia-se lentamente, pois ter apenas uma perna tornava tudo um pouco mais difícil.
Sentou-se e colocou a mão no bolso de sua velha calça. Era todo o dinheiro que tinha conseguido hoje, R$ 2,23 em moedas pequenas e um botão que tinha sido dado por engano, que por algum motivo encontrava-se entre as moedas de algum carro. Com esse dinheiro ele poderia comprar um pão com manteiga e tomar um copo de leite, que seria seu café da tarde, sua janta, sua ceia e, provavelmente, seu café da manhã do dia seguinte.
Pegou sua coberta, uma mala velha que carregava todas as suas posses, e que não eram muitas senão alguns badulaques como um velho gorro vermelho e um cachimbo de madeira esculpido toscamente à mão e rumou para um decrépito bar que tinha ali perto, o único em que aceitava o seu dinheiro em troca de alguma coisa para comer, o único que não o punha para fora como se põem as ratazanas e as baratas que fogem do esgoto para invadir os estabelecimentos.
Pegou o pão e copo de leite quente, servido em um copo de plástico, pois o de vidro o atendente teria nojo de lavar depois e, na porta, ficou olhando para o vazio. Engana-se quem acha que ele ficou pensando na vida, pois nem isto ele conseguia mais. Olhar era uma maneira de dizer, pois suas pálpebras estava abertas, mas não se sabe se ele via alguma coisa. Honestamente, ele nem sabia porque vivia, deveria ser porque não estava morto, tão simples e óbvio assim, pois ambições e interesses não tinha mais. Enquanto teu corpo respirasse, iria continuar a viver, e apenas comia e dormia pois o instinto de sobrevivência é primitivo, como o é nos animais. É, quem sabe ele não fosse hoje nada mais do que um animal.
A noite caiu, a chuva cessou, mas com isto o frio se intensificou. Estava cansado demais para mendigar por mais alguns centavos, então se encolheu no seu canto, debaixo do toldo rasgado de onde um dia foi algum foi algum comércio, mas que hoje estava fechado faz tempo, como denunciavam as paredes descascadas e a porta pichada.
Estava quase pegando no sono quando percebeu um pequeno vulto passando por ele e parando. Ensonado, achou ser algum cachorro, gato ou outro animal da rua, mas não deu nenhuma atenção, pois já estava acostumado com isto. Só percebeu que não deveria ser isto quando a pequena criatura deixou alguma coisa a seu lado e desapareceu instantaneamente.
Apalpando, ainda com os olhos entreaberto, viu se tratar de uma folha de papel, dobrada em quatro. Curioso, virou-a na direção do poste de luz e, numa letra de menina, leu:
“O que você fez consigo?”.
E o menino chorou. Como uma fábula nunca deveria chorar.
Mas, aparentemente, nem todos tem para onde ir. Nem todos têm um teto, quatro paredes e algo que os aqueça e os alimentem. Alguns, esquecidos pela cidade e pelas pessoas que fazem a cidade pulsar, estão jogados nos seus cantos, como um incômodo que deve ser evitado para, assim, quem sabe, ser esquecido. Pessoas que não são pessoas, são coisas, como se fossem um saco de lixo ou um caixa de entulho esquecidas ao relento e que, algum dia alguém vai se tocar e levar embora, como se nunca tivessem existidos. Alguém, mas nunca a gente.
E um destes incômodos estava, neste momento, sentado próximo a esquina de duas ruas movimentadas e então, quase paradas. Os carros que lá passavam, com pressa para chegarem à algum lugar, mal notavam a pequena criatura. Nem quando ela, em um esforço que lhe parecia descomunal, se dirigia até eles suplicando por algum trocado, um pouco de comida ou qualquer outra coisa que lhe trouxesse algum alívio, mesmo que momentâneo.
Alívio é a palavra certa, pois satisfação e prazer eram sensações que ele nem mais se lembrava se tinha vivido algum dia. Provavelmente sim, em algum momento do seu passado remoto, mas se encontrava tão tão remoto que agora nem uma lembrança era mais, não mais restava nada em que ele pudesse de escorar para buscar algum sentimento. Não, sem mais sentimentos que não fosse tristeza e desânimo, frio e fome, cansaço e desespero.
Nem raiva ele conseguia mais. Estava cansado demais para sentir raiva das pessoas, da situação, ou mesmo dele. Já sentira muito, disto ele se lembrava. Da raiva, do ódio, do maldizer. Da irritação e das explosões furiosas. Mas não, nem isto mais restava no seu coração.
Coração? O que era isto? Se coração é um órgão que serve para bombear o sangue pelo teu corpo, através de pequenas veias e artérias, provavelmente ele ainda tinha, pois estava vivo e, sangrava, mas o coração que as pessoas costumam dizer ser o receptáculo das emoções, já havia desaparecido. Fora corroído pelos ácidos do teu estômago e depois descartado pelo seu sistema intestinal, muito tempo atrás. E quando isto aconteceu, fedeu muito. E ele ficou enjoado.
Sua aparência era de uma criança, mas ele não era uma. Já vivera muito para ser uma criança, mas mesmo assim parecia uma. Sua pele negra e seus olhos apagados eram cobertos apenas por um gorro, largo demais para sua cabeça e uma roupa esfarrapada e suja que, agora molhada, não servia para aquecer seu corpo mirrado. Para tal, ele usava uma velha coberta, companheira do dia e da noite, puída e com alguns rasgos.
O odor que ele exalava era forte, como se a somatória de chuva, poeira e fuligem o tivesse apodrecido. As pessoas que passavam perto dele prendiam a respiração, mas ele nem ligava. Não sentia nada. Nada. Acostumara com seu cheiro e o asco de outrem.
Algumas vezes, quando o sinal ficava vermelho, levantava-se trôpego, com dificuldades e, amparado por uma muleta, que também poderia ser chamada de um pedaço de madeira podre, movia-se para os carros, pedindo. Nos dias de calor, com as janelas abertas, era mais difícil das pessoas o ignorarem, então davam-lhe algumas moedas para se verem livres de tão incômoda presença, mas nos dias de frio e chuva, com os vidros fechado e insufilmados, ele passava despercebido.
Quatro carros, o sinal mutou para o verde e, apressados, os veículos se puseram a mover, mesmo que meio metro, um metro no máximo, e ele voltou para seu canto, sua casa. Movia-se lentamente, pois ter apenas uma perna tornava tudo um pouco mais difícil.
Sentou-se e colocou a mão no bolso de sua velha calça. Era todo o dinheiro que tinha conseguido hoje, R$ 2,23 em moedas pequenas e um botão que tinha sido dado por engano, que por algum motivo encontrava-se entre as moedas de algum carro. Com esse dinheiro ele poderia comprar um pão com manteiga e tomar um copo de leite, que seria seu café da tarde, sua janta, sua ceia e, provavelmente, seu café da manhã do dia seguinte.
Pegou sua coberta, uma mala velha que carregava todas as suas posses, e que não eram muitas senão alguns badulaques como um velho gorro vermelho e um cachimbo de madeira esculpido toscamente à mão e rumou para um decrépito bar que tinha ali perto, o único em que aceitava o seu dinheiro em troca de alguma coisa para comer, o único que não o punha para fora como se põem as ratazanas e as baratas que fogem do esgoto para invadir os estabelecimentos.
Pegou o pão e copo de leite quente, servido em um copo de plástico, pois o de vidro o atendente teria nojo de lavar depois e, na porta, ficou olhando para o vazio. Engana-se quem acha que ele ficou pensando na vida, pois nem isto ele conseguia mais. Olhar era uma maneira de dizer, pois suas pálpebras estava abertas, mas não se sabe se ele via alguma coisa. Honestamente, ele nem sabia porque vivia, deveria ser porque não estava morto, tão simples e óbvio assim, pois ambições e interesses não tinha mais. Enquanto teu corpo respirasse, iria continuar a viver, e apenas comia e dormia pois o instinto de sobrevivência é primitivo, como o é nos animais. É, quem sabe ele não fosse hoje nada mais do que um animal.
A noite caiu, a chuva cessou, mas com isto o frio se intensificou. Estava cansado demais para mendigar por mais alguns centavos, então se encolheu no seu canto, debaixo do toldo rasgado de onde um dia foi algum foi algum comércio, mas que hoje estava fechado faz tempo, como denunciavam as paredes descascadas e a porta pichada.
Estava quase pegando no sono quando percebeu um pequeno vulto passando por ele e parando. Ensonado, achou ser algum cachorro, gato ou outro animal da rua, mas não deu nenhuma atenção, pois já estava acostumado com isto. Só percebeu que não deveria ser isto quando a pequena criatura deixou alguma coisa a seu lado e desapareceu instantaneamente.
Apalpando, ainda com os olhos entreaberto, viu se tratar de uma folha de papel, dobrada em quatro. Curioso, virou-a na direção do poste de luz e, numa letra de menina, leu:
“O que você fez consigo?”.
E o menino chorou. Como uma fábula nunca deveria chorar.
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terça-feira, agosto 25, 2009
Uma História
Esta história me foi contada algum tempo atrás por uma pessoa muito querida, que por sua vez a ouviu de outra pessoa, que ouviu de outra, e de outra, e de outra, desde o início dos tempos, quando o mundo era muito diferente do que é agora. Neste mundo, mais puro, vivia um caçador. Na verdade ele não era um caçador, era um homem que morava sozinho numa casa de madeira no meio de um bosque e que, por isso, precisava caçar para comer, o que faz dele um caçador para nossos limitados olhos, mas ele também era um pescador, um lenhador, um plantador, um marceneiro.
E talvez seja agora chamado de caçador porque no dia específico que esta história começa (e é história mesmo, porque a primeira pessoa que a contou jura que é real, e esta afirmação continua a segui-la boca após boca) o homem estava com uma velha espingarda, velha para nós, mas nova para aquela época, procurando algum animal para abater e, depois, comer. Mas o dia não estava bom, e após vagar por cerca de duas horas, cansado, sentou-se por alguns instantes em uma pedra na beira de um riacho, para recuperar o fôlego. E foi neste momento que ele viu uma das mais belas criaturas que já tinha visto naquele bosque, uma pequena e delicada borboleta azul.
Já vira milhares de borboletas por aquele lugar, tantas que as ignorava, mas aquela era diferente, por algum motivo. E ficou a observá-la, ao longe, enquanto a mesma dançava no ar, em um espetáculo mágico. Ela se aproximava dele, voava na altura dos seus olhos e se afastava, fez isto algumas vezes e desapareceu.
O homem então se levantou, e ainda maravilhado pela pequena criatura, retomou a busca pela caça. Alguns dias depois, passando pelo mesmo local, viu a mesma borboleta, no mesmo balé aéreo, sozinha, como se fosse a imperadora suprema dos céus. O homem chegou mais perto dela e, instintivamente, estendeu o braço para que lá ela pousasse
A borboleta se aproximou, voou perto, até que, simplesmente pousou em seu braço, na altura do pulso. Ele a aproximou dos seus olhos, e pode notar com precisão seus detalhes. Ela era pequena, pequena mesmo para uma borboleta, tinha um corpo esguio e um par de asas extremamente delicadas, mas com um tom de azul e com detalhes os quais ele nunca havia presenciado antes. Porém, passados alguns momentos, a borboleta decolou rumo ao nada e sumiu.
Tal situação se deu mais algumas vezes, e a cada vez a borboleta ficava mais tempo pousada nas mãos do homem. Até que um dia ele resolveu que iria levá-la para casa pois, apesar de pequena e delicada, estava maravilhado por ela, e não queria mais apenas vê-la esporadicamente. Levantou-se e dizendo para ela não se preocupar, começou a andar em direção à sua cabana.
A borboleta parecia tê-lo entendido pois, até entrar em sua cabana, ficou imóvel para, lá, voar novamente, dentro da pequena morada. O homem estava encantado com tão linda criatura perto dele, não podia conter a sua alegria. Só que, algum tempo após, a borboleta pousou no parapeito da janela e, ele teve certeza q ela lhe olhava diretamente nos olhos.
Percebeu então que não poderia ter a borboleta. Estava claro em seus pequenos olhos, como se ela conversasse com ele (ele juraria após que a borboleta realmente conversou com ele, de alguma forma que não sabe explicar como) e o explicou que não poderia viver ali. Ela lhe disse que também estava encantada com a forma como ele a tratava, mas ela não poderia viver ali naquele momento. E voou.
O homem ficou muito chateado, magoado até, mas percebeu que seria o melhor naquele instante. Ele estava apaixonado pela borboleta, só que a entendia. Por outro lado a borboleta deixara aquele local com extremo pesar, mas tinha certeza que sempre encontraria lá, naquela pequena cabana, um porto seguro, um local onde ela poderia pousar e descansar, sem correr perigo algum.
Diz a história que a borboleta voltou algumas vezes para lá e, ela e o homem conversavam daquela forma que só eles sabiam como era. Só que, quem me contou a história não soube me dizer se algum dia a borboleta voltou para o homem, para a cabana. Se esta parte foi contada, se perdeu em algum lugar no tempo e no espaço, deixando este final não contado.
Então, só nos resta imaginar o final, cada um a sua maneira. Eu, pessoalmente, acredito que, um dia a borboleta voltou. Mas não sei, acho que sou apenas uma pessoa sentimental e que acredita em finais felizes, será que existe espaço para isto no mundo de hoje?
E talvez seja agora chamado de caçador porque no dia específico que esta história começa (e é história mesmo, porque a primeira pessoa que a contou jura que é real, e esta afirmação continua a segui-la boca após boca) o homem estava com uma velha espingarda, velha para nós, mas nova para aquela época, procurando algum animal para abater e, depois, comer. Mas o dia não estava bom, e após vagar por cerca de duas horas, cansado, sentou-se por alguns instantes em uma pedra na beira de um riacho, para recuperar o fôlego. E foi neste momento que ele viu uma das mais belas criaturas que já tinha visto naquele bosque, uma pequena e delicada borboleta azul.
Já vira milhares de borboletas por aquele lugar, tantas que as ignorava, mas aquela era diferente, por algum motivo. E ficou a observá-la, ao longe, enquanto a mesma dançava no ar, em um espetáculo mágico. Ela se aproximava dele, voava na altura dos seus olhos e se afastava, fez isto algumas vezes e desapareceu.
O homem então se levantou, e ainda maravilhado pela pequena criatura, retomou a busca pela caça. Alguns dias depois, passando pelo mesmo local, viu a mesma borboleta, no mesmo balé aéreo, sozinha, como se fosse a imperadora suprema dos céus. O homem chegou mais perto dela e, instintivamente, estendeu o braço para que lá ela pousasse
A borboleta se aproximou, voou perto, até que, simplesmente pousou em seu braço, na altura do pulso. Ele a aproximou dos seus olhos, e pode notar com precisão seus detalhes. Ela era pequena, pequena mesmo para uma borboleta, tinha um corpo esguio e um par de asas extremamente delicadas, mas com um tom de azul e com detalhes os quais ele nunca havia presenciado antes. Porém, passados alguns momentos, a borboleta decolou rumo ao nada e sumiu.
Tal situação se deu mais algumas vezes, e a cada vez a borboleta ficava mais tempo pousada nas mãos do homem. Até que um dia ele resolveu que iria levá-la para casa pois, apesar de pequena e delicada, estava maravilhado por ela, e não queria mais apenas vê-la esporadicamente. Levantou-se e dizendo para ela não se preocupar, começou a andar em direção à sua cabana.
A borboleta parecia tê-lo entendido pois, até entrar em sua cabana, ficou imóvel para, lá, voar novamente, dentro da pequena morada. O homem estava encantado com tão linda criatura perto dele, não podia conter a sua alegria. Só que, algum tempo após, a borboleta pousou no parapeito da janela e, ele teve certeza q ela lhe olhava diretamente nos olhos.
Percebeu então que não poderia ter a borboleta. Estava claro em seus pequenos olhos, como se ela conversasse com ele (ele juraria após que a borboleta realmente conversou com ele, de alguma forma que não sabe explicar como) e o explicou que não poderia viver ali. Ela lhe disse que também estava encantada com a forma como ele a tratava, mas ela não poderia viver ali naquele momento. E voou.
O homem ficou muito chateado, magoado até, mas percebeu que seria o melhor naquele instante. Ele estava apaixonado pela borboleta, só que a entendia. Por outro lado a borboleta deixara aquele local com extremo pesar, mas tinha certeza que sempre encontraria lá, naquela pequena cabana, um porto seguro, um local onde ela poderia pousar e descansar, sem correr perigo algum.
Diz a história que a borboleta voltou algumas vezes para lá e, ela e o homem conversavam daquela forma que só eles sabiam como era. Só que, quem me contou a história não soube me dizer se algum dia a borboleta voltou para o homem, para a cabana. Se esta parte foi contada, se perdeu em algum lugar no tempo e no espaço, deixando este final não contado.
Então, só nos resta imaginar o final, cada um a sua maneira. Eu, pessoalmente, acredito que, um dia a borboleta voltou. Mas não sei, acho que sou apenas uma pessoa sentimental e que acredita em finais felizes, será que existe espaço para isto no mundo de hoje?
segunda-feira, julho 27, 2009
Novo Conto
Novo conto no blog. Pra quem acha que eu não consigo escrever sobre temas amenos e fofinhos. =)
segunda-feira, junho 08, 2009
segunda-feira, março 30, 2009
quinta-feira, setembro 18, 2008
terça-feira, setembro 09, 2008
segunda-feira, agosto 11, 2008
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