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sexta-feira, outubro 29, 2010

A Maldade Está nos Olhos de Quem Vê

Se os Paralamas disseram que "...o espanto está nos olhos de quem vê o grande monstro a se criar", podemos afirmar que a maldade idem, o que é uma pena.

Hoje cedo fui olhar os Trend Topics do Twitter e vi a palavra "Lobato" neles. Achei estranho, mas ao mesmo tempo fiquei curioso para saber se realmente era algo relacionado ao Monteiro Lobato, e qual o motivo. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que se deu por causa de um parecer do CNE (Conselho Nacional da Educação) que recomenda suspender o livro "Caçadas de Pedrinho" das escolas públicas sob a alegação de Racismo.

Segundo apurado, em duas passagens do texto são usadas palavras racistas para se referir à Tia Nastácia e, por causa disto, o livro só deve ser usado "quando o professor tiver a compreensão dos processos históricos que geram o racismo no Brasil".

Concordo que o racismo, assim como qualquer forma de preconceito, seja racial, social, religioso, político ou o que seja, mas temos que tomar muito cuidado com o patrulhamento, para não começarmos assim uma nova inquisição. Monteiro Lobato é, para mim, o maior escritor brasileiro de todos os tempos e sua obra infantil completa, "O Sítio do Pica-Pau Amarelo", foi a maior responsável por minha paixão pela leitura. Ainda criança eu li todos os livros e, além de aprender muito com os ensinamentos embutidos nas histórias, me diverti muito.

Para quem leu pelo menos alguns deles vai perceber que de racista a obra nada tem. A personagem da Tia Nastácia é uma das mais queridas da coleção (senão de toda literatura nacional) e, apesar de alguns termos pejorativos, em nenhum momento ela é humilhada, muito pelo contrário. Proibir a sua obra é ajudar a tapar os olhos de todo uma geração (e das seguintes) de uma situação histórica que realmente ocorreu. Neste ponto eu até concordo com o CNE mas, sabemos que, para que educar se é mais fácil omitir? Vale a pena instruir melhor os professores? Nâo, é mais fácil e barato proibir algumas obras. E se começarmos com as "Caçadas de Pedrinho" logo vamos fazer o mesmo com toda a coleção pois, convenhamos, o linguajar da Emília não era fácil, ô boneca de pano liguaruda!

E só para constar, apesar de ter lido toda a obra ainda criança, eu não me tornei um adulto racista. Vale a pena pensar nisso.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Nunca Cometam o Pecado de Trocar Nosso Time

Parece que eu sou meio monotemático, mas não é bem assim. Cá vou eu falar de duas coisas que eu falei recentemente aqui: Futebol e o tal do livro Comer Rezar e Amar, mas num contexto diferente do habitual.

Certo, além disto não é exatamente sobre o livro, mas sim sobre o filme (que eu não assisti) e futebol não é sobre o Palmeiras (se fosse seria no outro blog), apesar de eu citá-lo como exemplo pessoal.

No pouco que li do livro tem uma parte que a protagonista vai ao Estádio Olímpico de Roma com um amigo assistir um jogo da Lazio, e que este amigo era um tifosi fanático. Bem, então o livro virou filme e, na hora de retratar esta parte da história um (desculpe o termo) imbecil decidiu que eles iriam assistir um jogo da... Roma!

Está certo que norte-americano não entende nada de futebol, mas eles entendem de esportes e sabem que tal pecado não deve ser cometido jamais, trocar o time de um homem! Ainda mais em se tratando de Lazio e Roma que, para quem não sabe, é uma das rivalidades mais brutais e selvagens do mundo. Para terem idéia é como fazessem um filme da minha vida e colocassem meu protagonista torcendo para os Gambás ou para os Bambis. Inadmissível, imperdoável.

Confesso que não estava afim de ver o filme, mas esta informação me deixou completamente brochado. Soa muito mais do que uma simples desinformação, e sim como uma ofensa! Caro Spaghetti, eu compartilho da tua dor e apoio a sua revolta!

quinta-feira, setembro 16, 2010

Livros Para Meninas e Para Meninos

Eu queria a um tempo ler o "Beber, Jogar, F@#er" do Bob Sullivan, mas me disseram que para entendê-lo eu precisava primeiro ler o "Comer, Rezar, Amar". Certo, lá fui eu tentar ler um livro de menininha e best-seller, coisas que definitivamente não me dão tesão nenhum, mas paciência. Li um pouco, aos trancos e barrancos, caindo no sono sempre depois de meia dúzia de páginas, e na metade do primeiro arco (são três), eu desisti. Desisti e resolvi começar a ser o outro.

Realmente admito que ler pelo menos a introdução daquele livro ajudou a entender melhor a 'piada'. Fica claro desde o começo que é uma sátira deslavada, ácida e até certo ponto machista do original, mas o que é válido, pois ele era muito menininha e fofinho, de uma forma que a vida real e as mulheres reais não são (ok, até onde eu li), além do que, se elas podem ser as mocinhas e nós os vilões em um livro, porque o contrário não pode acontecer em outro?

Não é questão de contar ou não o(s) livro(s) e sim de constatar que, no meio de muitos nichos, ainda existem estes, um para mulheres e outros para homens, onde a escrita, o direcionamento e até as piadas são direcionadas para um dos gêneros. E não há nada de errado nisto, errado é achar que isto é sexismo, misoginia, preconceito. Sem hipocrisia, as mulheres precisam do romance e dos contos de fada e os homens da putaria e o humor escrachado, pelo simples fato de que isto é legal, a gente gosta e ponto, não precisam de explicações científicas nem psicológicas.

Por um tempo o politicamente correto e o patrulhamento tentaram matar isso. A mulher tinha que ser forte como o homem e o homem tinha que ser sensível como a mulher, qualquer coisa que saísse desta linha era sinal de fraqueza. Mas sabe qual é a graça de existirem homens e mulheres? É que eles são diferentes, graças a Deus. E antes que comecem o patrulhamento contra homofobia, uma coisa não tem nada a ver com a outra, muitos podem não concordar comigo, mas e daí? Esta é a beleza da dialética e das discussões de mesas de bar, a diferença de opinião.

Mas voltando ao foco da conversa, parece que isto está se aliviando, e finalmente se tocaram que uma mulher não é menos forte ou menos profissionalmente sucedida se ela gosta de um filme ou livro de romance água com açúcar e sonha com o príncipe encatado e um homem não é um troglodita ignorante e espancador de mulheres se ele assiste um filme do estilo "Se Beber Não Case" ou ri de uma piada machista. Deixem o mundo em paz com as suas diferenças, pois isto é que faz dele divertido e interessante.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Meu Livro

Quem não leu, agora pode ler o "Quando a Vida Imita a Arte" no Bookess, no link abaixo:

segunda-feira, julho 05, 2010

Um Contador de Histórias

Vendo ontem um filme bobo, daquelas comédias com cara de domingo, onde você não quer pensar, me vi pensando. O fato é que eu acabo me vendo pensando em praticamente todos os filmes e seriados que assisto, livros e quadrinhos que leio, propagandas de carros nas revistas que vejo.

Na verdade, tudo que que é escrito é feito para nos fazer pensar, mesmo que de uma forma inconsciente. Um filme não precisa ser sério, denso, para nos levar a refletir algo, mesmo na simplicidade a mensagem pode, e deve, ser transmitida. E quando falo de filme, é porque foi o que me fez pensar, mas vale para qualquer mídia que dependa da criatividade de alguém para criar algo.

As vezes me pego pensando, qual é a utilidade para a sociedade de alguém que escreve. Não salva vidas, não alimenta, não esquenta, não protege das intempéries da natureza, não cura, não transporta, não alivia a dor. É, teoricamente, uma coisa da qual podemos viver sem.

Teoricamente, pois graças a Deus não é assim que funciona. A vida é muito mais do que o tangível, e precisamos daquilo que não podemos dimensionar. Precisamos aprender lições, precisamos sonhar e acreditar. Porque sim, uma história salva vidas, alimenta a alma, esquenta nosso espírito numa noite fria e solitária, nos protege da chuva e do frio, cura nossas tristezas, nos transporta para um lugar mais bonito, colorido e feliz, alivia as nossas dores, dores da alma, dores do coração, dores da vida.

A escrita é um dom e o contador de histórias tem tanto valor quanto um médico ou um engenheiro, pois de que adianta um corpo são e pão na mesa, se a alma está vazia?

quarta-feira, março 10, 2010

Uma Vida em Retalhos

No meu aniversário eu ganhei da Veri uma edição do 'Retalhos' do Craig Thompson. É uma obra acima de tudo ousada, por dois motivos. Um que é uma auto biografia, o que é algo complicado de se fazer, pois expõe muito, feridas abertas, decepções, segredos, traumas. O outro, e talvez mais difícil de lidar, é que a história foi escrita quando ele tinha menos de 30 anos, ou seja, todos os fatos eram relativamente recentes, os personagens ainda estão vivos, a exposição é ainda maior.

Talvez até por isso o roteiro é tão fascinante, porque os acontecimentos ainda estão frescos e são parte de uma época que eu e muitos de vocês viveram, afinal o autor nasceu em 75, apenas 2 anos antes de mim. E, com desenhos caprichados, a leitura rendeu e devorei tudo em uma tarde.

É uma história simples, sem grandes inovações, cujo mote é como a culpa cristã atua na vida de uma pessoa. O terror da dualidade Céu-Inferno, a rigidez no tratamento dos filhos pelos pais, a rotina rígida de frequentar a igreja, a figura do Deus vigilante e punitivo e, principalmente, a culpa pelos prazeres 'mundanos'.

Existe uma passagem muito boa, onde o autor comenta na Escola da Igreja que quer fazer uma faculdade de arte e um outro aluno comenta que tem um irmão que foi para uma dessas, e logo no começo teve que pintar pessoas nuas, depois se afastou do cristianismo e no final, meu Deus, virou homossexual. É um mundo a parte, fechado, mas ao mesmo tempo muito perto e presente.

Vale conferir, é uma leitura bem agradável!

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Susan Is in the In-Between

Que as distribuidoras brasileiras tem uma criatividade ao inverso, para criar nomes rídiculos para filmes, não é novidade para ninguém. Desta forma, "Um Olhar do Paraíso", nome nacional para o filme "The Lovely Bones", tenta simplificar a história e resumir, sem sucesso, no título, toda a história.

Falha porque, o filme, baseado na obra literária de Alice Sebold e dirigido por Peter Jackson, não apresenta nada de Paraíso, muito pelo contrário, mostra a menina Susan, a adolescente assassinada, naquilo que é definido como o meio do caminho entre o Céu e a Terra.

A história? Uma adolescente de 14 anos conta, em off e com diversos flashbacks, a história do seu assassinato. Quem espera um filme de mistério vai se decepcionar, pois desde o começo fica claro quem é o assassino, apesar da polícia e da família não saber. O que a história conta é a dificuldade de todos em aceitar o que aconteceu. Dos pais e dos irmãos em aceitar a sua morte e, principalmente, dela, em aceitar que morreu, que seu corpo está desaparecido (em uma parte do filme, ela desabafa que não é ninguém, só 'uma garota desaparecida') e que não há nada que ela possa fazer, a não ser sentir raiva!

E é isto que acontece, a sua raiva, seu ódio pelo seu agressor, seu desejo de vingança, a impede de seguir em frente, mantendo-a presa nesta 'entre sala' do paraíso.

O filme, na minha opinião, é muito bom. Tem momentos de suspensa, angústia e tristeza, prendendo a atenção até o final, que não é assim tão previsível quanto eu li em diversos sites. Porém, o mesmo pode ser olhado de dois ângulos diferentes. O ângulo ficcional, no qual tudo que se passa é uma mera ficção, e o ângulo de quem crê naquilo que está acontecendo.

Como eu me encaixo na segunda opção, o filme acabou sendo para mim bem interessante. Creio em diversas coisas que são mostradas, como o que acontece com a negação do desencarne, a recusa em 'olhar para frente' até completar 'coisas inacabadas', a maneira como os desencarnados influenciam os vivos. Além disso, a concepção estética do 'outro lado' foi bem interessante, fugindo por completo do lugar-comum.

Gostei porque não é caricato nem forçado, uma história bem desenvolvida e um roteiro muito bom. Com isso, fiquei interessado em ler o livro, vamos esperar que logo ele é lançado, como todo que baseia um filme hollywoodiano.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Arquivando 2009

Livros

* O Cão da Meia-Noite - Marcos Rey
* Fender Benders - Bill Fitzhugh
* O Sequestro do Senhor Empresário - Levi Bucalem Ferrari
* Fantoches! - Marcos Rey
* Malditos Paulistas - Marcos Rey
* Motley Crue: The Dirt - Confessions of the World's Most Notorious Rock Band
* Coraline - Neil Gaiman
* Jogos da Atração - Breat Easton Ellis
* Faz Parte do Meu Show - Robson Pinheiro
* Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e Eu - Julián Fuks
* Ele Simplesmente Não Está a Fim de Você - Greg Behrendt e Liz Tuccillo
* Mais uma Vez - Tony Parsons
* A Estrada da Noite - Joe Hill

Shows

* Copacabana Club
* Autoramas
* Ecos Falsos
* Radiohead
* Kraftwerk
* Los Hermanos
* Móveis Coloniais de Acajú
* Fino Coletivo
* Forgotten Boys
* Los Porongas

Filmes

* 500 Days of Summer
* Bastardos Inglórios
* 9
* O Anticristo
* Amantes
* Se Beber Não Case
* Pagando Bem que Mal Tem
* Era do Gelo 3
* Divã
* Minhas Adoráveis Ex-Namoradas
* Anjos e Demônios
* Star Trek
* Wolverine
* Role Models
* Gran Torino
* Ele Simplesmente Não Está Afim de Você
* Watchmen
* O Lutador
* Operação Valquíria
* Noivas em Guerra
* O Menino do Pijama Listrado
* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Madagascar 2

Albuns e MP3's

* A Day to Remember - Homesick
* Alice in Chains - Black Gives Way to Blue
* Arctic Monkeys - Humbug
* Ben Kweller - Changing Horses
* Bob Dylan - Together Through Life
* Bruce Springsteen - Working on a Dream
* Cachorro Grande - Cinema
* Cheap Trick - The Latest
* Chickenfoot - Chickenfoot
* Colbie Caillat - Breakthrough
* Collective Soul - Afterwords
* Daughtry - Leave This Town
* Dave Matthews Band - Big Whiskey and the GrooGrux King
* Death Cab for Cutie - The Open Door EP
* Dolores O'Riordan - No Baggage
* Doves - Kingdom of Rust
* Franz Ferdinand - Tonight, Franz Ferdinand
* Gloriana - Gloriana
* Green Day - 21st Century Breakdown
* Hoobastank - For(n)ever
* Iggy Pop - Preliminaires
* Julian Casablancas - Phrazes for the Young
* Kassabian - The West Pauper Lunatic
* Kate Voegele - A Fine Mess
* Kelly Clarkson - All I Ever Wanted
* Kiss - Sonic Boom
* Lilly Allen - It's Not Me, It's You
* Ludov - Caligrafia
* Marilyn Manson - The High End of Low
* Metric - Fantasies
* Monsters of Folk - Monsters of Folk
* Muse - The Resistance
* Our Lady Peace - Burn Burn
* Pearl Jam - Backspacer
* Placebo - Battle for the Sun
* Rammstein - Liebe Ist Für Alle Da
* Rascal Flatts - Unstoppable
* Regina Spektor - Far
* Rob Thomas - Cradlesong
* Sam Roberts - Love at the End of the World
* Sepultura - A-Lex
* Silversun Pickups - Swoon
* Son Volt - American Central Dust
* The Black Crowws - Before the Frost
* The Dead Weather - Horehound
* The Decemberist - The Hazards of Love
* The Flaming Lips - Embryonic
* The Lemonheads - Varshons
* The Watchmen - OST
* Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures
* They Might Be Giants - Here Came the 123
* Tinted Windows - Tinted Windows
* U2 - No Line on the Horizon
* Wilco - Wilco
* Yo La Tengo - Popular Songs
* Zero 7 - Yeah Ghost

Seriados

* House
* 10 Things I Hate About You
* Cupid
* Psychoville
* The Penguins of Madagascar
* Chuck
* Being Erica
* Dollhouse

domingo, setembro 06, 2009

E Viveram Felizes Para Sempre? Mesmo?

Finais felizes. Fiz um comentário sobre eles estes dias e a Ju comentou que gosta deles abaixo. O que é engraçado, pois eu não gosto de finais felizes, literariamente falando.

Falo isto quando eu escrevo, eu já tentei diversas vezes mas não consigo terminar as minhas histórias com um final feliz, por mais que eu tente. Parece que sempre fica meio óbvio, muito certinho e previsível, chato até. Você tem milhares de forma de uma história terminar 'mal', mas apenas uma para terminar bem. Então acho que eu tento fugir do batido.

Isto não faz de mim uma pessoa amarga e triste, como pode pensar alguém que leia os meus contos aí ao lado, é apenas uma forma de escrever. Deve ser por isso que eu tenho uma extrema dificuldade em escrever comédia.

Mas, pra vida, até eu que sou tonto prefiro finais felizes.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Fragmentos

Quando eu era criança – e entenda-se bem criança mesmo – o momento da semana que eu mais esperava era o domingo, quando eu ia almoçar na casa dos meus avós e, depois de me empanturrar de macarronada, eu me sentava ao lado do meu avô e ficava a tarde inteira ouvindo as suas histórias.

Ele adorava contar as suas histórias, das coisas que ele tinha feito enquanto era jovem, antes de conhecer a minha avó e, pelo jeito, eu era a única pessoa da família que se interessava por ela pois, assim que ele se sentava em sua espaçosa poltrona, todo mundo arrumava, convenientemente, alguma coisa importante para fazer.

Mas eu não, eu adorava as suas histórias. Histórias sobre a guerra que ele participou, sobre as suas aventuras pelo interior desse país, sobre o tempo que ele abandonou tudo para seguir um circo, trabalhando como equilibrista, enfim, situações que, quando analisadas friamente pareciam fantasiosas e exageradas, era exatamente por isso que elas me fascinavam.

E assim seguiam meus domingos, algumas horas de agradáveis histórias até que meu avô, sentindo o peso da idade, adormecia, muitas vezes no meio de uma narrativa, deixando-me frustrado. E essa era a deixa da minha mãe me pegar e me levar embora.

Essa situação se repetiu por alguns anos, desde que eu me lembro por gente até por volta dos meus sete anos, quando meu avô, no lugar de contar a sua história dominical, me chamou para perto dele e, com uma voz ainda mais baixa que o normal, me disse:

- Meu neto, você pode fazer um favor para o vovô? – assenti com a cabeça, então ele continuou – Vá até o meu quarto, abra meu guarda-roupa e, debaixo de uma pilha de roupas velhas vai encontrar uma pasta de couro velha. Pegue-a e traga até mim.

Fui para pegar o que ele me pediu. Abri a porta antiga e foi fácil perceber uma pilha de camisas e blusas dobradas. Ergui-as com cuidado e lá estava, uma pasta de couro marrom, bem desgastada pelo tempo. Peguei tal e levei-a para a sala, colocando no colo dele. Segurando-a apoiada nas suas pernas, me perguntou:

- Você nunca se perguntou como eu tenho tantas histórias para contar? – para dizer a verdade, nunca, pois naquela idade tais coisas são completamente irrelevantes e lógica, realidade, coerência, verossimilhança, eram palavras e conceitos que eu somente iria conhecer alguns anos após, ao perder a doçura e a inocência da infância.

- Eu vou te contar um segredo, - continuou – um segredo que eu nunca contei para ninguém até hoje e que você precisa me prometer que nunca vai contar para ninguém, você me promete?

Concordei mais uma vez com a cabeça, quando ele me chamou para sentar ao lado dele, na poltrona, se apertando para o lado, liberando um espaço suficiente para que o meu corpo mirrado coubesse.

- O meu grande segredo é esse aqui. – disse, apontando para a pasta – foi ela quem me permitiu viver as maiores aventuras e ter a vida que muitos apenas podem sonhar, mas que, para mim, foi muito real. – Notando a minha expressão de perplexidade, ele começou a ser mais específico.

(...)

segunda-feira, agosto 24, 2009

Algo No Jeito Como Ela Se Move


Depois da peça de teatro, agora em livro.

sábado, julho 25, 2009

O Espelho É Nosso Reflexo Deturpado


Quando a Coraline atravessa a porta secreta, e sai no outro mundo, no primeiro momento é tudo bonito e agradável, é como se fosse uma versão perfeita do seu próprio mundo. Mas, conforme as situações foram se sucedendo, ela percebeu que lá era apenas uma versão deturpada de sua vida, que primeiro tentou agradá-la para depois devorá-la.

O espelho transmitia uma imagem deturpada de tudo, e é assim que funciona, porque na verdade ele reflete uma verdade inconveniente, aquela que quando pomos na boca é doce, mas que quando engolimos passa a ser amarga, deixando um gosto desagradável.


Estou com um gosto amargo na boca. Olhei para o espelho e vi a face pálida da mentira. Senti a dor infligida por cada pedaço de vidro que voou após o espelho estourar, cansado de fingir a verdade. Juntei os cacos, para montar uma nova peça e vi então os retalhos da minha face verdadeira.

Dizem que precisamos sentir na pele para saber o fazemos os outros sentir, mas nem sempre chega necessário tanto. Se conseguimos ver o outro lado do espelho, o opaco, sem brilho e sem reflexo, percebemos enfim como nos veem.

Não quero mais espelhos rachados nem imagens retalhadas. Não quero mais o gosto amargo que desce pela garganta, nem o peso da pedra que se acomoda no estômago. Não quero mais o calor que vem da dor de outrem. Não quero mais o reflexo deturpado de quem eu não sou. Não quero mais viver no Outro Mundo, ele não é mais legal, perdeu a graça.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Ele Simplesmente Não Está a Fim de Você

Vi o trailer do “Ela Simplesmente Não Está A Fim de Você”, o que parecia ser mais uma comédia romântica com diversos figurões no elenco, mas daí  a Larissa me disse que se trata da adaptação de um livro de grande sucesso lá fora, feito por dois roteiristas do “Sex and the City”, que ela me enviou para eu ler.

Na verdade se trata de uma mistura de auto ajuda com humor, onde um cara responde questionamentos femininos, com uma premissa básica: se um homem não faz de tudo pela mulher, ele simplesmente não está a fim dela.

O livro foi escrito para mulheres, mas é divertido lê-lo. A primeira coisa que eu pensei foi que o livro deveria ser todo recolhido e queimado, pois o cara entrega muitos ‘segredos’ dos homens, mas depois eu me toquei de toda a piada. Trata-se de uma esculhambação, tanto contra homens como contra mulheres, tratando das inseguranças e medos de ambos os sexos. A parte masculina é muito preto ou branco e a feminina fica procurando mensagens subliminares em qualquer espirro.

Dizer que o livro é leitura obrigatória é um tanto quanto exagerado, mas não tenho como negar que me divertiu e fez rir, e tem algumas passagens impagáveis. Quem quiser uma cópia, é só me pedir.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Genialidade

I am a dire world, prey-stalking, lethal prowler.

I am a hunter, horse-mounted, wolf-stabbing.

I am a horsefly, horse-stinging, hunter-throwing.

I am a spider, fly-consuming, eight legged.

I am a snake, spider-devouring, posion-toothed.

I am an ox, snake-crushing, heavy footed.

I am an anthrax, butcher, bacterium, warm-life destroying.

I am a world, space-floating, life nurturing.

I am a nova, all-exploding... planet-cremating.

I am the Universe -- all things encompassing, all life embracing.

I am Anti-Life, the Beast of Judgement. I am the dark at the end of everything. The end of universes, gods, worlds... of everything. Sss. And what will you be then, Dreamlord?

I am hope

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Quando você pára de escrever

Que eu sempre gostei de escrever nunca escondi de ninguém. Algumas vezes eu acho que gosto mesmo mais de escrever do que de tocar baixo, até porque escrevo muito melhor do que toco, apesar de serem duas coisas bem diferentes, uma solitária e introspectiva, outra coletiva e explosiva.

Porém, ando fazendo muito pouco um e outro. Tocar está complicado pois ainda estou morando em SBO e tá árdua a logística de ir ensaiar em Sampa, mas para escrever esta desculpa não cola. O que acontece é que não estou conseguindo passar para o papel as boas idéias que venho tendo, falta disciplina, falta concentração.

Pior é que eu escrevo bem (sem falsa modéstia nesta hora), eu mostro meus contos para as pessoas e a maioria os elogia. Eu mesmo acho que são bons, que estou conseguindo chegar ao nível da época que escrevi o livro, porém com mais maturidade nos temas, o que é bom.

Estou com três histórias engatilhadas, todas diferentes uma das outras, inclusive no formato, que quero terminá-las logo, pois além de eu sentir que elas têm um 'tino comercial', preciso fazer a energia circular, terminar uma para começar outra.

A primeira é no formato de um seriado de tv, o qual estou escrevendo o piloto. Trata de uma mistura de Reaper com My Name Is Earl, onde o protagonista recebe uma "maldição" e, para quebrá-la, precisa se desculpar com todas as mulheres com quem ele saiu e desapareceu. Estou tentando dar uma veia cômica e utilizar mais diálogos para, uma dia, tentar vender como um roteiro, mas eu ainda apanho com essas duas coisas.

A segunda é uma história completamente non sense, onde uma criança recebe de seu avô um tipo de máquina de escrever (a qual eu não consegui ainda definir a aparência) em que ele consegue "escrever" a sua história. Tudo vai bem até que ele descobre que sobre um fato específico esta máquina não tem efeito. É para ser uma história bem desconexa e fantasiosa.

A terceira é uma história romântica, água com açúcar mesmo, sobre duas pessoas que se conheceram rapidamente no passado e, quando não achavam que iriam se encontrar novamente, o destino os faz reencontrar. Sim, terá muito romance, algumas vezes será meloso demais, mas é para ser algo mais, sobre correr atrás dos seus sonhos e não deixar a vida te acomodar.

Três histórias diferentes, diferentes dos meus contos e ainda diferentes do meu livro, pois não quero ser um músico de uma nota só, quero rodar por todos os campos até achar um que eu me encontre, apesar de eu gostar desta variação, pois a vida não é sempre uma comédia, um drama ou uma aventura, ela é a soma de tudo e mais um pouco.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

O Natal está chegando. Na verdade, eu não gosto de Natal, eu costumava gostar, mas depois que meus avós faleceram, como comomoravamos na casa deles, parece que tudo perdeu a graça. Atualmente, o Natal pra mim é meio depressivo.

Para meu livro natimorto, uma vez que desisti dele, escrevi o seguinte trecho sobre o Natal, que deveria se encaixar na história, mas já que ele não existirá, não há problema em colocá-lo aqui:


O Natal estava chegando. Para dizer a verdade, o dia 25 de dezembro estava chegando, pois o clima de Natal estava no ar há muito tempo, há pelo menos um mês. Lojas decoradas com motivos natalinos, árvores montadas nas casas, junto a piscas e toda sorte de enfeite, pessoas desesperadas atrás de presentes, papais noéis e seus duendes espalhados por todos os cantos, agüentando o calor tropical debaixo de uma roupa vermelha totalmente incoerente com a época do ano que vivemos.

Aquilo que era para ser uma data festiva, alegre, de paz e harmonia, na verdade não passava de uma data como outras. Pior ainda, era uma data que eu não fazia questão nenhuma de acompanhar.

Para mim, era algo artificial, totalmente mecânico e comercial, feito para que todos se sintam bem e varram para debaixo do tapete todos os problemas por um dia. Só que a sujeira continua lá, da mesma maneira que a colocamos, apenas esperando o amanhecer do dia 26 para começar a exalar o seu cheiro ruim.

Não conseguia sentir-me feliz, era como se eu esperasse por alguma coisa que não existe, uma angústia inexplicável que me faz torcer para tudo passar rápido, para que a rotina volte e eu posso, novamente, voltar ao meu normal.

Nem sempre as coisas foram assim. Quando criança eu adorava tudo isso, alguma pessoa vestida de Papai Noel carregando um saco vermelho cheio de presentes e, dentre eles, um para mim. E não me importava o conteúdo do pacote, ou o valor do mesmo, tão somente o fato de eu ter sido lembrado, de ter recebido algo.

Após isso a família toda se reunia na casa dos meus avós, muita gente, comida farta, alegria e, no final da noite, todo mundo cansado voltava para casa, de estômago cheio e carregando seus presentes.

Conforme eu fui crescendo, a rotina continuava a mesma, mas sem a mesma empolgação de antes. E os ânimos foram progressivamente esfriando até que meus avós falecerem, cada parte da família dispersou-se para um lado e o que eu conhecia por Natal deixou de existir.

E o vermelho foi substituído pelo cinza, as músicas natalinas deixaram de ser alegres para se tornarem melancólicas e a vontade de festejar simplesmente desapareceu.

No último Natal eu me lembro de muito pouco. Bebi muita cerveja, muito vinho, cheirei uma boa carreira e desmaiei no meu quarto bem antes da meia noite. Meu pai não gostou muito, minha mãe ficou chateada, mas pelo menos a noite passou rápido, e a ressaca do dia seguinte foi digna de um dia de Natal.

E esse ano que tinha tudo para ser um pouco melhor. Tinha era o melhor tempo verbal para expressar tudo, pois com tudo que aconteceu, esse estava para ser o pior Natal da minha vida.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Blackout

Eu acho que a Alê tem razão, ficar o tempo inteiro livre baixado e assistindo séries faz mal, pois desde que eu instalei a internet na chácara, eu não escrevi mais nada. Tenho uns 3 contos começados e um maxi-conto ou mini-livro que mal saiu da minha cabeça, cujas cinco páginas que escrevi são brochantes e merecem ir para o limbo. 

Preciso melhorar o nível da minha atividade cerebral. 

quarta-feira, novembro 19, 2008

Eu Não Sei Escrever

Óbvio que eu penso que sei escrever, pois meto-me a fazer esses posts, publicar os meus contos e ainda resolvi ter a petulância de escrever um livro. Mas, existem alguns escritores que, após eu lê-los, fico com a sensação de que não sei escrever nada!

Ontem a noite eu terminei de ler o Deuses Americanos, do Neil Gaiman e percebi que ainda tenho muito à melhorar, se é que vou conseguir nesta vida. E não falo apenas da maneira como ele escreve, da sua narrativa e tudo o mais, mas principalmente das suas idéias. O cara cria coisas não sei da onde e tem uma imaginação que, ser chamada de fértil é depreciar sua capacidade.

Quem leu ao menos um arco de histórias do Sandman, com certeza eliminou com completo o preconceito contra quadrinhos (isso é uma outra história pra outro post), pois trata-se de um enredo denso, violento, aterrorizante e muito, mas muito, criativo. Além disso, o cara escreveu quadrinhos fantásticos como os Livros da Magia e livros como Stardust, além de personagens únicos com os Perpétuos (e a melhor personificação da Morte em todas as mídias em todos os tempos), Tim Hunter e Caim e Abel.

Não há muito o que dizer, apenas: "quando eu crescer eu quero ser Neil Gaiman"

quarta-feira, outubro 08, 2008

VMB 2009

Porque adaptar (plagiar?) com estilo é uma arte


VMB 2008: A melhor festa do ano (para variar)
por Felipe Machado, Seção: Baladas s 13:24:57.

Como sempre, o Video Music Brasil da MTV foi a melhor festa do ano. Eu divido o ano, inclusive, em duas partes: antes do VMB e depois do VMB. Como a festa acontece sempre nessa época (mais ou menos), dá para dizer que a festa marca o início... do fim do ano. É isso aí: eu já estou pensando em 2009.

Antes de falar da festa, no entanto, vamos falar da premiação. E isso também foi como sempre: um pouco longa, mas com uma produção incrível, momentos divertidos, alguns micos.

O apresentador Marcos Mion, por exemplo, foi muito bem. É claro que o egocentrismo dele irrita um pouco, principalmente pela necessidade de tirar a camisa e mostrar que está fortão, etc. Mas acho que ele está mais na boa, perdeu um pouco aquele jeito adolescente/trash que ele tinha há alguns anos. Hoje, ele parece ser um cara engraçado e inteligente. Não sei se foi porque Daniela Cicarelli era muito ruim (só valia a pena para quem assistisse o programa sem som, porque, convenhamos, ela é muito linda), mas Mion tem o ritmo perfeito para o VMB: é divertido, ágil, tem boas sacadas. É engraçado perceber isso, mas em um país com tradição forte em TV como o Brasil, parece que ainda falta gente com aptidão para o papel de Mestre de Cerimônias, principalmente em um evento jovem e descolado como o VMB. Talvez o Marcelo Adnet, que também foi muito bem ontem, possa ser uma aposta para o ano que vem. Ele foi muito engraçado, principalmente nas imitações - Dinho Ouro Preto, por exemplo, ficou igualzinho.

Uma coisa que eu acho ridícula nas bandas que ganham o VMB: ninguém fala nada com nada na hora que sobe no palco. Os indicados poderiam pelo menos pensar num textinho para o caso de ganharem. Não precisa ser uma lista do Oscar, mas pelo menos alguma coisa que fuja do 'Porraaaaaaaa', 'Demaaaaaais', 'Aêêêê', 'Valeeeeeeuuuu' e coisas do tipo. Alguém ainda acha que falar palavrão na TV ao vivo é símbolo de subversão? É burrice e só. Não precisa declarar a teoria da relatividade, mas pelo menos alguém podia subir no palco e dizer alguma coisa interessante. Seria inédito.

A premiação do VMB também marcou a estréia da banda Nove Mil Anjos. Eles se acham uma 'superbanda', mas estão longe disso. No máximo eles são uma superbanda teen, mas acho que nem isso. Para quem não sabe, NMA é a banda do Junior-da-Sandy-&-Junior, também conhecido como Junior Lima. A banda tem, sim, bons músicos: Junior é um bom baterista, Champignon (ex-Charlie Brown) é um bom baixista, Peu (ex-Pitty) é um bom guitarrista. O vocal é um cara desconhecido, o nome dele é Péricles/Perí. Mas acho que sobrou um pouco de atitude e faltou som na apresentação de ontem. Os caras estavam tão ansiosos que passaram a música inteira pulando de um lado para o outro; isso é legal para agitar o público, mas fica meio 'over' quando ninguém conhece a música ou a banda. O som deles é uma mistura de Red Hot Chili Peppers com Velvet Revolver; um hard rock com pegada anos 70 e um pouco de groove. Parece bom no papel, não? Mas 'Chuva Agora' podia ter um refrão mais forte, uma linha vocal mais definida... é o tipo de 'somzera' meio indefinida que quando acaba você nem se lembra de como era a música. Mas desejo boa sorte a eles, se tiverem humildade e deixarem de achar que são uma 'superbanda', pode ser que apresentem coisas interessantes no futuro próximo. Músicos para isso a banda tem.

Rapidinhas: O Ben Harper tocou duas músicas, uma com Vanessa da Mata. O cara estava tão em casa que não duvido que ele mude para o Brasil num futuro próximo; O NXZero, que ganhou quase tudo, é um fenômeno entre as teens; a melhor banda estrangeira foi o Paramore, banda que eu nunca nem tinha ouvido falar; os baianos do Cascadura têm uma das melhores bandas de rock do País; a categoria 'banda dos sonhos', com músicos escolhidos pelos artistas presentes, teve o Chimbinha do Calypso na guitarra - ele toca bem, mas daí a ser a banda dos sonhos... de quem, cara pálida? Entre os indicados, o Lúcio Maia (Nação Zumbi) era o melhor; a Mallu Magalhães é legalzinha - quando ela aprender a tocar violão vai ser muito melhor.

Mico da noite: o Bloc Party, uma das bandas inglesas mais hypadas da atualidade, era uma das minhas favoritas até fazer uma palhaçada na noite de ontem. O caras dublaram, dá para acreditar? Playback na cara dura. Estavam os quatro músicos no palco, um superequipamento; luzes incríveis; um repertório bem legal... e como se não bastasse uma, os caras dublam duas músicas! Foi inacreditável, muito decepcionante. Foram vaiados, merecidamente. E o Mion fez a sua melhor participação da noite: "Quem sabe faz ao vivo..." Foi aplaudido, merecidamente.

Agora vamos falar sobre a festa... foi incrível. Este ano o evento foi na Pacha, na Zona Oeste, e mais uma vez teve a produção do Lallo Amaral - esse cara sabe fazer uma festa. Quem sabe eu o convido para fazer minha festa de aniversário de 40, daqui a dois anos. (até parece que eu tenho esse cacife).

Podem falar o que quiser, mas festa boa é festa com mulher bonita. E isso não faltou ontem: faz tempo que eu não vejo uma festa com tanta mulher bonita. Pena que isso é tudo o que eu posso falar sobre a festa.

Abaixo, os vencedores do VMB 2008

CLIPE DO ANO - PELA ÚLTIMA VEZ (NXZero)

WEBHIT -A DANÇA DO QUADRADO

SHOW DO ANO - PITTY

ARTISTA INTERNACIONAL - PARAMORE

APOSTA MTV - GAROTAS SUECAS

HIT DO ANO - PELA ÚLTIMA VEZ NXZero

VC FEZ - FÁBIO VIANA

REVELAÇÃO - STRIKE

ARTISTA DO ANO - NXZero


Então vem...

VMB 2009: A melhor festa do ano (para variar de novo)
por Felipe Machado, Seção: Baladas s 13:24:57.

Como sempre, o Video Music Brasil da MTV foi a melhor festa do ano. Eu divido o ano, inclusive, em duas partes: antes do VMB e depois do VMB. Como a festa acontece sempre nessa época (mais ou menos), dá para dizer que a festa marca o início... do fim do ano. É isso aí: eu já estou pensando em 2010.

Antes de falar da festa, no entanto, vamos falar da premiação. E isso também foi como sempre: um pouco longa, mas com uma produção incrível, momentos divertidos, alguns micos.

O apresentador Marcos Mion, por exemplo, foi muito bem. É claro que o egocentrismo dele irrita um pouco, principalmente pela necessidade de tirar a camisa e mostrar que está fortão, etc. Mas acho que ele está mais na boa, perdeu um pouco aquele jeito adolescente/trash que ele tinha há alguns anos. Hoje, ele parece ser um cara engraçado e inteligente. Não sei se foi porque Daniela Cicarelli era muito ruim (só valia a pena para quem assistisse o programa sem som, porque, convenhamos, ela é muito linda), mas Mion tem o ritmo perfeito para o VMB: é divertido, ágil, tem boas sacadas. É engraçado perceber isso, mas em um país com tradição forte em TV como o Brasil, parece que ainda falta gente com aptidão para o papel de Mestre de Cerimônias, principalmente em um evento jovem e descolado como o VMB. Talvez o Marcelo Adnet, que também foi muito bem ontem, possa ser uma aposta para o ano que vem. Ele foi muito engraçado, principalmente nas imitações - Dinho Ouro Preto, por exemplo, ficou igualzinho.

Uma coisa que eu acho ridícula nas bandas que ganham o VMB: ninguém fala nada com nada na hora que sobe no palco. Os indicados poderiam pelo menos pensar num textinho para o caso de ganharem. Não precisa ser uma lista do Oscar, mas pelo menos alguma coisa que fuja do 'Porraaaaaaaa', 'Demaaaaaais', 'Aêêêê', 'Valeeeeeeuuuu' e coisas do tipo. Alguém ainda acha que falar palavrão na TV ao vivo é símbolo de subversão? É burrice e só. Não precisa declarar a teoria da relatividade, mas pelo menos alguém podia subir no palco e dizer alguma coisa interessante. Ainda bem que esse ano tivemos a grata novidade da banda Bresser, dando um novo alento à cena rock.

Falando neles, é nessas horas que você anima com a música novamente, quando percebe que nem tudo está perdido e que o rock não está restrito aos Fresnos e NXZeros da vida. Uma ótima banda, super entrosada, com melodias grudentas e letras muito acima da média. Se não são grandes músicos, compensam com a empolgação. Mereceram todos os prêmios e vêm muito mais por aí, podem apostar.

Rapidinhas: O Ben Harper tocou duas músicas, uma com o Ian McColloch e outra com o MC Serginho. O cara está em casa, fez bem em mudar para o Brasil ; O Bresser, que ganhou quase tudo, é um fenômeno entre as teens e as mais crescidinhas também, além de todos os que gostam da boa música; a melhor banda estrangeira foi o Emoboiola, banda que eu nunca nem tinha ouvido falar; os baianos do Cascadura têm uma das melhores bandas de rock do País; a categoria 'banda dos sonhos', com músicos escolhidos pelos artistas presentes, teve o Vanzo do Bresser na guitarra - ele toca bem, mas daí a ser a banda dos sonhos... Entre os indicados, o Lúcio Maia (Nação Zumbi) era o melhor; a Mallu Magalhães é legalzinha - quando ela aprender a tocar violão vai ser muito melhor.

Mico da noite: o Frolsdpkdfwsfs, mais uma dessas bandas suecas mais hypadas da atualidade, era uma das minhas favoritas até fazer uma palhaçada na noite de ontem. O caras dublaram, dá para acreditar? Playback na cara dura. Estavam os quatro músicos no palco, um superequipamento; luzes incríveis; um repertório bem legal... e como se não bastasse uma, os caras dublam duas músicas! Foi inacreditável, muito decepcionante. Foram vaiados, merecidamente. E o Mion fez a sua melhor participação da noite: "Quem sabe faz ao vivo..." Foi aplaudido, merecidamente.

Agora vamos falar sobre a festa... foi incrível. Este ano o evento foi na Pacha, na Zona Oeste, e mais uma vez teve a produção do Lallo Amaral - esse cara sabe fazer uma festa. Quem sabe eu o convido para fazer minha festa de aniversário de 40, daqui a um ano. (até parece que eu tenho esse cacife).

Podem falar o que quiser, mas festa boa é festa com mulher bonita. E isso não faltou ontem: faz tempo que eu não vejo uma festa com tanta mulher bonita. Pena que isso é tudo o que eu posso falar sobre a festa.

Abaixo, os vencedores do VMB 2009

CLIPE DO ANO - INFINITO - BRESSER

WEBHIT - A DANÇA DO DUNGA

SHOW DO ANO - BRESSER

ARTISTA INTERNACIONAL - EMOBOIOLA

APOSTA MTV - O ZÉ

HIT DO ANO - INFINITO - BRESSER

VC FEZ - O JOÃO

REVELAÇÃO - TONINHO DO DIABO

ARTISTA DO ANO - BRESSER

sexta-feira, setembro 26, 2008

Mercúrio

Orgias e pregações
Comidas e orações
Dores e comoções
Contratos e traições
Falhas e noções
Usuras e punições
Classes e excursões
Chuvas e punções
Musas e dragões
Políticas e poções
Mínguas e noções
Choro e emoções

Abrem-se os portões
Fecham-se os corações
Portão de corações
Coração em porções