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sexta-feira, dezembro 31, 2010

Someday I will walk away and say, “You disappoint me"

Nem tudo são flores. E 2010 trouxeram algumas decepções, e é sobre elas que nós vamos falar aqui. Mas primeiro, é preciso deixar bem claro que está não é uma lista de piores do ano, mas sim de desapontamentos, algo que você espera muito e, ao final, fica um gostinho amargo da decepção.

Álbum

Tivemos muita coisa ruim este ano, mas muita mesmo, mas a maior decepção do ano veio justamente daquela que é, para mim, a maior de todas: Sheryl Crow. Não é segredo para ninguém que eu a adoro, tenho todos os seus álbuns, mais uma porrada de bootlegs e singles, além de DVDs e MP3s, desta forma qualquer lançamento dela é, para mim, uma alegria. Porém, o 100 Miles From Memphis foi decepcionante. De longe, o pior álbum dela, com umas influências bizarras que eu nem sei definir e uma cover irritante do Jackson Five. É tão ruim que eu ainda nem tive coragem de comprar o original pra coleção.



Filme

Esta é uma escolha complicada, pois eu não vi muitos filmes este ano e, os que eu vi, a grande maioria eu gostei. Os filmes que eu nutria alguma expectativa, eu gostei, como Zumbilândia, Machete, Príncipe da Pérsia e Nosso Lar, então, partindo por essa linha de pensamento, o que me decepcionou um pouco foi o Scott Pilgrim. Certo, não foi um mega desapontamento como foi o Indiana Jones e a Caveira de Cristal, mas acho que ficou faltando algo.



Série

Outra complicada, pois eu não experimentei muitas sérias novas este ano, já que estou acompanhando um monte, mas acho que o nível de desapontamento pode ser medido pelo fato dos episódios de uma série estarem baixados no seu computador, mas você sempre arrumar uma desculpa para não assisti-los, sempre baixando uma nova. E neste ponto eu escolheria a Life Unexpected. Ela começou muito boa mas, principalmente na segunda temporada, deu uma declinada, apelando demais no melodrama e se tornando cansativa.



Show

Este é fácil, num ano de muitos e bons shows, o troféu só pode ir para o senhor Axl Rose e sua banda cover do Guns n Roses. Sejamos honestos, se você vai a um show do Guns o que você espera? Os clássicos! Pena que não é isso que a diva obesa pensa, pois deve achar que todo mundo ama o Chinese Democracy, ao ponto de tocarem todas as músicas no show. Além disso, seu estado físico está lastimável, não conseguindo emendar duas músicas na sequência e sua voz já era. Papelão.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

You Wanted The Best, You Got The Best

E 2010 acabou. Todo final de ano eu faço uma listinha dos melhores do ano e tal, e este ano não poderia faltar né? O ano foi cheio de altos e baixos, com coisas muito boas e outras bem ruins, decepcionantes até, mas desta vez eu resolvi escolher apenas os melhores do ano, nada de primeiro, segundo, terceiro e décimo quinto colocados. Algo assim como: "E a Espanha na Copa do Mundo deste ano foi:"

Melhor Álbum


Até que tivemos alguns bons álbuns em 2010, como o do Bret Michaels (Custom Built), os homônimos do Stone Temple Pilot e do Slash e o da Charlotte Gainsbourg (IRM), mas o melhor de todos, fácil, foi o "All in Good Time" do Barenaked Ladies, o que não deixou de ser uma surpresa, pois eu não sabia o que esperar após a saída do Steven Page. Certo, o álbum perdeu um pouco da alegria dos anteriores, mas foi praticamente perfeito, mostrando uma melancolia que eu não sabia que eles tinham, mas sem perder o estilo.



Ps: antes que alguém me pergunte, não, eu não esqueci do Arcade Fire, eu simplesmente não achei nada do que o povo está dizendo dele.

Melhor Canção

E não é que neste ano tivemos uma dobradinha? Além de melhor álbum, o Barenaked Ladies levou o prêmio de melhor canção, com a sensacional, maravilhosa e triste "You Run Away". E olha, só não leva como melhor canção da década porque existe "The Scientist".



Merecem menções honrosas as do Bret Michaels e Miley Cyrus (Nothing to Lose), Bush (Afterlife), Charlotte Gainsbourg e Beck (Heaven Can Wait), Scorpions (The Best Is Yet To Come), She & Him (In the Sun) e STP (Cinnamon).

Melhor Filme


No ano dos filmes nerds e geeks (os videogames cinematograficos de Scott Pilgrim e Príncipe da Persia, o violento Kick-Ass e o sério Redes Sociais), não tem como não premiar um. E portanto o melhor do ano é Zumbilândia. Praticamente tudo que você espera de um filme, você encontra: premissa interessante, bons atores, ótimas tiradas, trilha sonora boa e muitas risadas. Tá, vão me dizer que faltou roteiro mas, me respondam, desde quando filme de zumbi tem roteiro?! Ok, Extermínio tinha, mas é uma exceção (e um ótimo filme).



Melhor Série


Poucas séries foram lançadas este ano e eu acompanhei, a maioria foram as antigas que eu já assistia e, destas a temporada que mais me marcou foi a do Dexter. As quarta (que só vi este ano) e a quinta foram algo de tirar o fôlego. Sensacionais e esperando pela próxima temporada já.



Melhor Show

No ano que um ex-Beatle toca no Brasil um repertório de 3 horas, que o mesmo considera este show o melhor do ano e um dos melhores da carreira (e que eu estava lá), pode parecer impossível um outro show ser escolhido o melhor do ano, certo? Errada. Apesar do show ter sido ótimo, o melhor do ano aconteceu alguns dias depois, no Via Funchal lotado, com uma banda piromaníaca que canta em alemão. Sobre o show do Rammstein, só há uma coisa a ser dito: O que foi aquilo?

quarta-feira, novembro 24, 2010

O que é ser Paul McCartney?


Que o show do Paul McCartney foi apoteótico e inesquecível, não preciso dizer, pois já dito milhares e milhares de vezes nos últimos dias. Também não é preciso ficar repetindo que os presentes em algum (ou alguns) dos shows nunca mais esquecerão daquelas três horas.

A questão é: se alguém tinha alguma dúvida, não deveria ter mais, pois é claro que Paul McCartney é o maior artista vivo. Mais do que isto, ele é uma entidade que transcende a humanidade, sendo, na minha opinião, uma das duas únicas e últimas pessoas vivas que se encaixam isto (a outra é o Pelé).

Isto porque ele é foi essencial na construção daquilo que conhecemos como cultura pop, não apenas inspirando quase tudo que se fez no rock, mas também na moda, personalidade, televisão, cinema, entre outros. Compôs letras e melodias que fizeram ou fazem parte da vida de bilhões de pessoas. É um dos rostos e vozes mais conhecidos do mundo, há pelo menos 45 anos. Sem contar que é bilionário, pois o simples fato dele acordar pela manhã vivo já gera mais dinheiro que muitos de nós jamais sonharam ganhar.

E onde eu quero chegar? O cara é o mais próximo de uma divindade que existe e igual a ele não vai mais existir ninguém, e mesmo assim, no alto de seus 68 anos ele mostrou, durante toda a apresentação, um carisma e uma humildade inigualável, muito diferente do que a gente vê por aí, de 'artistas' que no alto de seus dois álbuns gravados se acham os maiorais e que podem esnobar qualquer um.

O que é ser Paul McCartney? Para nós, reles mortais, é ser um Deus na Terra, é ser uma das pessoas mais famosas, importantes, talentosas, influentes ainda vivas mas, para ele, é apenas ser James Paul McCartney, pai, avô e músico. Nada mais. E talvez por isso que ele seja quem é, pois em nenhum momento deixou a fama subir a cabeça e mudar seu comportamento. E como eu sei? Eu estava no domingo lá, vendo um senhor de 68 anos tocando e cantando por 3 horas, como se fosse um jovem num palco em Hamburgo ou no Cavern Club, tentando fazer da música a sua profissão.

E que me desculpem os fãs, uma vez que o Paul sempre foi meu Beatle preferido, mas se o John estivesse vivo, com certeza ele seria um velho pedante e arrogante, fazendo coisas estranhas e protestando contra tudo e todos, mais ou menos como um Caetano Veloso britânico. Muito diferente do que vimos nestes três shows. 

Vida longa aos Beatles, vida longa a Sir Paul McCartney.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Perfeições Pop



DRINK ME - Anna Nalick

Talk about the weather
Will you miss me ever?
Lately I'm obsessed
And I need the rest
I hope that you're impressed
She's so pretty, I'm jealous
And she's lost like Alice
In a painted past
In a looking glass
I see me looking back

I'll take another Drink Me, baby
Slowly, I'll disappear
And wear my life like a barbed wire necklace
So let's play it truth or dare

So you're a fan of Coltrane
I wanna be Kurt Cobain
When the truth gets scary
I'll take my gin and sherry
And some Drink Me they'll be
Plath and Joplin with verse writing suiciders
Kennedy and Monroe come to see my rock show
I'll be there in the front row

I'll take another Drink Me, baby
Slowly, I'll disappear
And wear my life like a barbed wire necklace
So let's play truth or dare

And I won't be around to play your games
There will come a day when you won't know my name
And I'll get smaller with
Every swallow you'll
Wait tomorrow and things won't be the same

Talk about the weather
Will you miss me ever?
Lately I'm obsessed
And I need the rest
I hope that you're impressed
Cuz I need the rest
Yeah my head's a mess
I need the rest
I need the rest
I need the rest

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Cauda Longa

Resolvi neste ano de 2010 ler mais sobre assuntos relacionados à tecnologia, principalmente voltadas para o entretenimento, que é uma área que eu gosto, e para o Direito que, mesmo não sendo algo que gosto muito, pelo menos eu entendo. E o primeiro livro que eu peguei foi o "A Cauda Longa" do Chris Anderson.

O conceito que ele trabalha é aparentemente simples, mas faz muito sentido. Ele mostra como o mundo virtual alterou profundamente as relações comerciais, principalmente as relacionada à produtos que não precisam ser necessariamente físicos. É muito comentado sobre a música, que trata-se do exemplo perfeito.

Uma loja física vende a música de forma física (em CD's). Neste caso, tudo custa dinheiro (o transporte, o armazenamento, a exposição dos CD's) e, como não é possível expor muitos títulos, obviamente a escolha recai sobre os mais vendidos, em detrimento daqueles títulos mais inexpressivos comercialmente. Mas, com o advento das lojas virtuais, um novo leque se abriu. E duas vezes.

Na primeira, com as lojas virtuais que vendem o produto físico, permitiu-se uma gama maior de títulos, pois não há a exposição real dos mesmos, apenas uma tela com os dados informativos. Quando uma pessoa entra no site e escolhe um CD, o mesmo é enviado de um grande galpão, unificado, e com um custo físico muito menor.

Porém, com a evolução da tecnologia, o comércio musical atingiu um novo estágio, completamente virtual, onde as músicas passaram a ser arquivos virtuais, armazenados em um Hard Drive em qualquer lugar do mundo, podendo ser comercializadas (e transferidas) milhões de vezes, sem por isso ocupar mais espaço.

E tudo se modificou. A indústria se modificou, pois teve que mudar a maneira de gerir teus negócios, vez que esta nova modalidade de comércio é afetada diretamente pela tão criticada pirataria. Os músicos mudaram, pois a divulgação se torna cada vez mais fácil e mais barata, permitindo o surgimento de artistas de regiões e estilos até estão inexistentes comercialmente. Os periféricos e agregados mudaram, pois mudou-se a forma de divulgar a música, de cobrir a mesma, saindo daquele universo até então restrito do "artista vende muito CD e toca na rádio". Tudo teve que se modificar, se modernizar.

Mas o fator mais importante disto tudo é que o mercado parou de ser restrito para se tornar infinito. As restrições físicas praticamente caíram por terra e qualquer pessoa pode jogar na rede seus trabalhos, decidindo o quanto e se quer cobrar por ele. Os grandes vendedores desapareceram, pois uma coisa era competir num universo de 10, outra é competir num de 10.000. Claro que os procura aumentou, mas não na mesma proporção que a demanda. E a tendência é esta progressão ser cada vez maior.

Se você toca música celta cantada em paquistanês, com certeza alguém, em algum lugar no mundo, vai ouvi-la, e isto é o lindo desta nova indústria.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Arquivando 2009

Livros

* O Cão da Meia-Noite - Marcos Rey
* Fender Benders - Bill Fitzhugh
* O Sequestro do Senhor Empresário - Levi Bucalem Ferrari
* Fantoches! - Marcos Rey
* Malditos Paulistas - Marcos Rey
* Motley Crue: The Dirt - Confessions of the World's Most Notorious Rock Band
* Coraline - Neil Gaiman
* Jogos da Atração - Breat Easton Ellis
* Faz Parte do Meu Show - Robson Pinheiro
* Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e Eu - Julián Fuks
* Ele Simplesmente Não Está a Fim de Você - Greg Behrendt e Liz Tuccillo
* Mais uma Vez - Tony Parsons
* A Estrada da Noite - Joe Hill

Shows

* Copacabana Club
* Autoramas
* Ecos Falsos
* Radiohead
* Kraftwerk
* Los Hermanos
* Móveis Coloniais de Acajú
* Fino Coletivo
* Forgotten Boys
* Los Porongas

Filmes

* 500 Days of Summer
* Bastardos Inglórios
* 9
* O Anticristo
* Amantes
* Se Beber Não Case
* Pagando Bem que Mal Tem
* Era do Gelo 3
* Divã
* Minhas Adoráveis Ex-Namoradas
* Anjos e Demônios
* Star Trek
* Wolverine
* Role Models
* Gran Torino
* Ele Simplesmente Não Está Afim de Você
* Watchmen
* O Lutador
* Operação Valquíria
* Noivas em Guerra
* O Menino do Pijama Listrado
* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Madagascar 2

Albuns e MP3's

* A Day to Remember - Homesick
* Alice in Chains - Black Gives Way to Blue
* Arctic Monkeys - Humbug
* Ben Kweller - Changing Horses
* Bob Dylan - Together Through Life
* Bruce Springsteen - Working on a Dream
* Cachorro Grande - Cinema
* Cheap Trick - The Latest
* Chickenfoot - Chickenfoot
* Colbie Caillat - Breakthrough
* Collective Soul - Afterwords
* Daughtry - Leave This Town
* Dave Matthews Band - Big Whiskey and the GrooGrux King
* Death Cab for Cutie - The Open Door EP
* Dolores O'Riordan - No Baggage
* Doves - Kingdom of Rust
* Franz Ferdinand - Tonight, Franz Ferdinand
* Gloriana - Gloriana
* Green Day - 21st Century Breakdown
* Hoobastank - For(n)ever
* Iggy Pop - Preliminaires
* Julian Casablancas - Phrazes for the Young
* Kassabian - The West Pauper Lunatic
* Kate Voegele - A Fine Mess
* Kelly Clarkson - All I Ever Wanted
* Kiss - Sonic Boom
* Lilly Allen - It's Not Me, It's You
* Ludov - Caligrafia
* Marilyn Manson - The High End of Low
* Metric - Fantasies
* Monsters of Folk - Monsters of Folk
* Muse - The Resistance
* Our Lady Peace - Burn Burn
* Pearl Jam - Backspacer
* Placebo - Battle for the Sun
* Rammstein - Liebe Ist Für Alle Da
* Rascal Flatts - Unstoppable
* Regina Spektor - Far
* Rob Thomas - Cradlesong
* Sam Roberts - Love at the End of the World
* Sepultura - A-Lex
* Silversun Pickups - Swoon
* Son Volt - American Central Dust
* The Black Crowws - Before the Frost
* The Dead Weather - Horehound
* The Decemberist - The Hazards of Love
* The Flaming Lips - Embryonic
* The Lemonheads - Varshons
* The Watchmen - OST
* Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures
* They Might Be Giants - Here Came the 123
* Tinted Windows - Tinted Windows
* U2 - No Line on the Horizon
* Wilco - Wilco
* Yo La Tengo - Popular Songs
* Zero 7 - Yeah Ghost

Seriados

* House
* 10 Things I Hate About You
* Cupid
* Psychoville
* The Penguins of Madagascar
* Chuck
* Being Erica
* Dollhouse

terça-feira, dezembro 15, 2009

...and the Oscar goes to:

E o ano acabou (graças a Deus). Acho que nem vou mais escrever nada neste blog este ano, talvez só alguma coisa pra exorcizar esse ano do capeta, portanto, como de costume, vai aqui a lista de melhores do ano:

Na categoria Melhor Filme, os indicados são:

Gran Torino
Se Beber Não Case
Bastardos Inglórios
Watchmen
O Lutador

...e o Oscar vai para: Watchman

Na categoria Melhor Seriado, os indicados são:

Being Erica
House
Cupid
Chuck
Dollhouse

...e o Oscar vai para: Being Erica

Na categoria Melhor Album, os indicados são:

Ben Kweller - Changing Horses
Lily Allen - It's Not Me, It's You
Muse - The Resistance
Pearl Jam - Backspacer
Rammstein - Liebe Ist Für Alle Da

...e o Oscar vai para: Muse - The Resistance

Na categoria Melhor Canção, os indicados são:

Muse - United States of Eurasia
Lily Allen - Fuck You
Dave Matthews Band - Funny the Way It Is
Pearl Jam - Just Breathe
Arctic Monkeys - My Propeller

...e o Oscar vai para: Muse - United States of Eurasia

segunda-feira, novembro 09, 2009

Entrevista com Paulo Back



Eu gosto de diversas coisas, mas algumas mais do que outras, e existem três que estão entre as minhas cinco preferidas: música, quadrinhos e escrever. Alguns meses atrás, a Denise entrou em contato comigo, disse que estava começando uma revista e perguntou se eu queria escrever uma coluna de música para a mesma. E, com isso, eu comecei a minha participação na Revista Young.

Falar sobre música é uma coisa que eu gosto, e como a revista é sobre educação, resolvi falar sobre a influência dela nas profissões. Na primeira edição decidi ir pelo caminho mais fácil e entrevistar alguém que fez faculdade de música, no caso a Larissa. Após, tentei ir para caminhos menos óbvios e, nestas, via Twitter, eu cheguei ao Paulo Back.

Músico e roteirista das histórias da Turma da Mônica, achei que poderia ser uma entrevista interessante, então entrei em contato com ele, via Emerson Abreu, e perguntei sobra entrevista, a qual ele se prontificou a me responder. Mandei as perguntas e ele me retornou as respostas.

Aí eu tive uma 'problema', o espaço que eu tenho na revista é bem menor do que a entrevista, de forma que tive que editá-la. Porém, era uma pena eu 'perder' todo aquela conteúdo, de forma que decidi publicá-la aqui, neste blog, integralmente.

Aqui vai ela:

Qual seu nome e sua profissão?

Paulo Back - Roteirista e Músico.

Trabalha nesta profissão a quanto tempo?

Como Roteirista, ha 15 anos, como Músico ha mais tempo, desde que entrei para a primeira banda.

Como foi seu início de carreira? Como você chegou nesta carreira?

Já era um sonho que eu tinha desde criança trabalhar com historia em quadrinhos. No Brasil existiam dois grandes nomes: Disney e Mauricio de Sousa. Acabei fazendo arquitetura na UFSC, me formei e trabalhei algum tempo com isso, dividindo com a Música. Chegou uma hora que resolvi abraçar o meu sonho de criança, coloquei uma pilha de desenhos embaixo do braço e fui falar com o Mauricio de Sousa. No fim ele acabou gostando das historias que levei e comecei de leve, caprichando no desenho e aprendendo algumas manhas dos roteiros.

Qual a importância da música na tua vida pessoal e profissional?

A música está sempre presente, ou tocando lá no fundo, enquanto trabalho, ou grudada nos pensamentos, assobiando. É tão importante quanto os desenhos. A Música me proporcionou grandes momentos, experiências, abriu portas, conheci pessoas e lugares. Com a banda já gravei alguns discos e fizemos um grande retorno há um ano, também tive outra banda de covers para tocar em lugares pequenos, bares e festas.

Qual o personagem da Turma que você mais gosta de desenhar?

Olha, costumo dizer que é aquele personagem que estou trabalhando naquele momento. O próprio Mauricio diz que quando ele faz uma história, ele incorpora o personagem. É esquisito isso, porque acho que a idéia segue por aí. Você se sente o personagem, que no fundo existe dentro de cada pessoa. O roteirista é apenas uma ponte entre o personagem e o papel. Eu gosto demais de dar vida aos personagens 'secundários', dar características marcantes a eles, deixá-los um pouquinho mais em evidência. Adoro a vidinha simples do Chico Bento, a infância no bairro da turminha, os papos 'humanos' do Bidu e sua turma.... mas provavelmente, se é para eu escolher um xodó, talvez eu fique com o Mingau, o gato da Magali.

Como funciona o teu processo criativo?

Para falar a verdade, não sei. Eu me obrigo a cumprir a minha cota de páginas, e mesmo não pintando nenhuma inspiração eu faço alguma coisa. Se ficou ruim, paciência, coloco na gaveta e num belo dia de sol eu dou uma olhada para ver se dá para salvar a idéia ou não. Aí folheio alguma revista, releio alguma historinha, penso num personagem, e aí vai.
E há aqueles dias que parece que paira um anjo sobre a cabeça. Pode ser o Anjinho, a Mônica ou o Jotalhão. Tanto faz. Aí então é o personagem que faz a história, não eu. O próprio Mauricio diz que muitas vezes a historia vem por si só. Então nós somos um instrumento, Numa ponta o roteirista, e em outra o personagem. No meio existe o Mauricio, pois para uma historia ficar boa, temos que pensar como ele.

Você criou algumas histórias baseadas ou em homenagens à músicos. Quais foram eles?

Foram várias sim. Das últimas cito a homenagem ao Michael Jackson, que foi divulgada ainda no rascunho pela internet e ganhou uma edição especial. Houve também uma referencia à Madonna, Amy Winehouse, Lady Gaga e B-52´s numa das últimas revistas da Mônica. Dos Beatles já fiz várias, como a turminha imitando os garotos, Beatles no parque, e tantas outras. Na época dos Mamonas Assassinas fiz uma paródia com a turminha, que acabou saindo depois do fim do grupo, e acabou sendo uma homenagem. Teve também U2, Rita Lee, The Cure, Elvis, e algumas outras com Michael Jackson (ele foi uma referencia e tanto para as historinhas)
E vale lembrar que Mauricio de Sousa criou o personagem cadeirante Luca, em homenagem ao Herbert Viana. Tanto que o apelido do personagem é 'Paralaminha'.

Você é um grande fã dos Beatles, a historia "Paul is Dead", que homenageia a banda, é tua?

Infelizmente não, pois gostaria de tê-la feito. Tanto esta como 'Paul in Roça' com Chico Bento, foram de outros roteiristas, na época que estava entrando no estúdio. Mesmo antes disso, Mauricio tinha um projeto de lançar personagens baseados nos Beatles, Beatles 4 Kids. Era algo muito bem estudado e estruturado, mas uma das quatro partes ( dos 3 Beatles na época, mais Yoko ) vetou. Ninguém sabe qual foi. Pena. Não peguei esse processo, pois foi anterior a minha entrada no estúdio, mas acho que adoraria estar envolvido nisso.

Poucos dias depois da morte de Michael Jackson, o storyboard de uma história homenagem já estava na internet. Como foi desenvolver essa história num tempo tão curto?

Bom, foi um choque para todo mundo. Eu mesmo dizia por aí que o Michael Jackson não ia durar muito, mas quando soube da morte dele fiquei estarrecido também. Soube só tarde da noite por um programa, achava que era brincadeira, só quando me toquei que era verdade, caiu a ficha.
Como anos atrás já havia feito uma pequena homenagem numa historia do Penadinho, onde a turma do cemitério invade um estúdio de gravação e se fazer passar pelos monstros de 'Thriller', pensei na mesma hora em fazer uma continuação.
No outro dia de manhã, rabisquei a historia e fiz o rascunho até o meio da tarde. Enviei para o Mauricio o roteiro, como todos fazem.
Surpresa a minha quando vi, no inicio da noite, a história sendo mostrada a todos na internet, pelo twitter do Mauricio.
No fundo foi uma grande honra, pois foi a primeira vez que algo assim aconteceu. Uma historia foi disponibilizada apenas no roteiro, sem acabamento e sem arte final. O Mauricio achou melhor mostrá-la dessa forma para homenagear o astro, já que, menos de 24 horas depois, o mundo estava bastante comovido. A historinha ganhou blogs, jornais, TV, dessa forma. De uma maneira triste, foi uma ação feliz. Foi espontânea..

Existe algum músico que você tenha vontade de inserir numa história ou homenagear e que ainda não pode?

Muitos, mas alguns a maioria dos leitores não devem conhecer, já que são crianças.
Dos músicos que gosto, já coloquei os que citei acima, mas as vezes, por uma nova 'mania' ou 'moda', eu colo um ou outro que não curto e torço o nariz. Na época do Tchan, por exemplo, usei as dançarinas numa historinha, apesar de não gostar da música nem do estilo, mas respeito quem gosta.

Você tem algum projeto profissional que não tenha realizado?

Gostaria de trabalhar com animação, já que faço desenhos também. Mas como algumas historinhas já foram e continuam sendo adaptadas para os cine-gibis, me sinto realizado nessa parte.. Gostaria de fazer algo relacionado ao bem estar dos animais, e tento passar alguma mensagem nas historinhas também. Na musica me considero realizado assim como nas HQs, Nem tudo que faço eu gosto, sempre acho que poderia fazer maior (geralmente no dia seguinte de finalizar e entregar). É sempre bom almejar um degrauzinho a mais. De resto, outras coisas que gosto, bonsais, aquarismo, coleções, figuras, pinturas, as tenho como hobby, isso é, quando sobra um tempinho. Tudo almejando o bem estar do espírito e da paz.

terça-feira, outubro 20, 2009

Quando o Passado Convive Com o Presente

Tempos atrás escrevi um post sobre pessoas que só conseguem enxergar o passado no futebol, que futebol bom era o de outros tempos, que agora tudo isso é uma bosta e etc.

Só que isso é uma constante em todos os campos. Temos a infeliz mania de achar que tudo o que é bom é aquilo que conhecemos quando novos, e que tudo o que vem depois não presta mais, independente da qualidade que venha a ter.

A discussão mais insuportável é no campo musical. Me irrita neguinho vir dizer que o rock acabou nos anos 70, que banda boa era Led, Sabbath, Purple, Stones e que depois deles nunca mais nada que presta apareceu. Tá certo, eu gosto de muita coisa mais antiga, mas os anos 2000 nos deram muita coisa boa, como Coldplay, Muse, Killers, Kings of Leon, Keane entre diversas outras.

Mas vemos isso em diversos outros campos culturais e artísticos: cinema, teatro, desenhos, programas de humor, quadrinhos.

Essa coisa de viver no passado demonstra, pra mim, uma estagnação mental e intelectual total. É muito mais fácil lembrar das coisas do passado com a magia que só a inocência pode fornecer, manter essa imagem ilusória na mente e simplesmente ignorar tudo o que venha a seguir.

A graça da vida é descobrir coisas novas, e isso não significa abandonar as antigas. Não é aquela coisa de substituir uma pela outra, e sim de agregar, sempre.

Novas experiências, novos conhecimentos. Abrir a mente e aceitar que a vida é muito maior do que aquela caixa quadrada dentro da qual crescemos. E também mais divertida.

terça-feira, setembro 15, 2009

She Bangs the Drums, And Plays a Samba

Se tem uma coisa com que eu sou chato pra caralho (mais do que o normal) é com música. Eu não escondo que sou um pouco radical, que só ouço o que eu gosto e que me sinto extremamente desconfortável em ambientes os quais a música não é do meu agrado. Somado a isto, sou pouco ou quase nada aberto há novos estilos musicais, especialmente os regionalismos, acho tudo a mesma coisa e não tenho paciência.

Carnaval pra mim, desde quando deixei de ser adolescente (na época, eu ia para 'o clube' todas as noites, enchia a cara e tentava pegar quem me desse bola), passou a ser um período de retiro. Onde fosse mais distante e isolado de qualquer coisa que lembrasse o Carnaval, lá estava eu. E, se não desse, eu me escondia em casa mesmo, fazendo porra nenhuma.

Porém, neste último domingo fui convidado para uma experiência nova e, até então única: assistir à um ensaio de uma escola de samba, a Águia de Ouro, pra ser mais preciso. Até pouco tempo atrás, tal seria completamente inconcebível para mim, mas as meninas aqui do trabalho quiseram ir, me convidaram e eu, que estou tentando deixar de ser cuzão, fui.

Fora a companhia agradável e a cerveja, eu fiquei entusiasmado com a bateria. Nem era uma bateria muito grande, duvido que chegavam a 100 integrantes, mas o som, a altura, a intensidade me impressionaram. Lembro que já que entrei, me aproximei e fiquei alguns minutos chapado, prestando a atenção nos instrumentos, nos timbres, na batida.

É algo mesmo sensacional, e não dá pra ficar com o pé parado. A batida do surdo faz vibrar cada parte do teu corpo, contagia. Confesso, adorei a experiência.

Assim, voltei pra casa querendo voltar, e com a impressão que eu não sou mais tão chato quanto eu pensava ser.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Perfeições Pop

"You are more beautiful when you awake
Than most are in a lifetime"

Perfeição pop ao extremo, quando vc daria tudo para ter escrito um simples verso de uma canção, duas frases mais do que perfeitas.





quarta-feira, agosto 12, 2009

Ando Só

ando só
pois só eu sei
pra onde ir
por onde andei
ando só
nem sei por que
não me pergunte
o que eu não sei


Quanto tempo de nossas vidas andamos só? Boa parte dela, podemos afirmar. Quantas vezes estamos sozinhos mesmo estando cercados por diversas pessoas? Muitas. E me sinto muito bem sozinho, muitas vezes isto é necessário, mas eu também sinto falta de não mais estar só, como todos.

O pecado mora ao lado
E o paraíso... paira no ar


E a solidão desaparece quando menos esperamos, sem qualquer explicação.

Cai a noite sobre a minha indecisão
Sobrevoa o inferno minha timidez
Um telefonema bastaria
Passaria a limpo a vida inteira
Cai a noite sem explicação
Sem fazer a ligação


É um estado de espírito. É um querer estar, muito mais do que um forçar estar. É mais simples do que parece, muito mais simples...

Já perdemos muito tempo brincando de perfeição
Esquecemos o que somos: simples de coração



Nós que complicamos...

Que a chuva caia como uma luva
Um diluvio um delírio
Que a chuva traga alivio imediato


...a vida, que é muito mais simples e suave e deliciosa que fazemos transparecer.

A vida é uma viagem
passagem só de ida
Há quem diga que não vale


E sim, eu quero. Quero isto que você está pensando, que você me disse.

Todos os dias eu venho ao mesmo lugar,
Às vezes fica longe, impossível de encontrar
Mas, quando o Bourbon é bom
Toda noite é noite de luar.


Quero, contra tudo, contra todos. Contra meus medos e minha demora. Quero.

Se faltar calor, a gente esquenta
Se ficar pequeno, a gente aumenta
E se não for possível, a gente tenta
Vamos velejar no mar de lama
Se faltar o vento, a gente inventa.


Você quer? Me quer?

quarta-feira, julho 29, 2009

Urtigão



Isso pode parecer um post sobre o Muricy no Palmeiras, mas não é. Tudo que eu tenho a dizer sobre ele está no Palestra Per Sempre. Mas isso não quer dizer que este post não fale sobre futebol. Fala, também de futebol.

Eu venho todas as manhãs ouvindo a BandNews FM, e o Milton Neves tem uma coluna de futebol todos os dias. Hoje, tinha um convidado, que não lembro quem é, mas pela voz já era um senhor e, aberto a possibilidade dele fazer alguma pergunta para o Milton, ele começou com aquela ladaínha de futebol arte, que depois da seleção de 82 o Brasil nunca mais teve um time que jogou bonito, essas coisas. Então, o metrô entrou no túnel e não vi o resto da conversa.

Acho certo e coerente que as pessoas guardem boas lembranças de outros tempos e que o que foi bom seja louvado e lembrado, mas me irrita profundamente essa atitude, de gente 'velha' (mentalidade, não idade) e ranzinza, que só da valor para o que passou e já não existe mais, e que as coisas novas nunca são boas, por melhor que sejam.

Isso acontece em todos os meios a ambientes. A seleção de 82 era boa? Por que não ganhou a Copa então? Futebol é resultado, não espetáculo. Se eu compro ingresso pra ver uma peça de teatro, eu quero ver espetáculo, mas se eu compro para um jogo de futebol, eu quero é vitória, nem que seja jogando mal. Pra mim, a melhor seleção é a de 2002, que jogava bem, mas tinha vontade e foi campeã, com 100% de aproveitamento. Mas eu tenho coerência para dizer que essa seleção do Dunga parece estar no caminho certo e, quando eu vejo novos jogadores, eu acho que eles tem qualidade, não fico só pagando pau pra quem nem joga mais, como se eles fossem a última maravilha do futebol.

Na música isso também acontece, e muito. Canso de ver gente dizer que as últimas coisas que prestam foram gravadas quando o CD ainda era um devaneio tecnológico. Certo, eu adoro bandas antigas, mas muitas delas também são um porre, como existem ótimas bandas novas. Se Beatles e Queen são maravilhosos, assim o são Muse, Foo Fighters e Radiohead.

Enche o saco viver encapsulado no passado, com os olhos e os ouvidos tapados para o presente. Eu só espero que um dia eu não fique assim, porque pessoas assim são muito chatas!

terça-feira, junho 30, 2009

E Porque no Final É Quase Tudo Sobre o Amor. Ou Alguma Coisa Perto Disto

Qual a receita de um bom filme? Calma, eu não estou falando daquelas obras primas, que surgem uma vez na vida, com um tema completamente inovador e que explodem o cérebro de quem assiste, mudando suas vidas para sempre e tornando-se atemporais. Não, eu falo bem menos do que isto, eu falo de um bom filme para mim, uma pessoa ‘comum’, que não conhece mais do que cinco diretores, que assiste mais filmes no DVD do que no cinema, mas que, por outro lado, adora se emocionar, se divertir ou se aterrorizar com eles.

Houve uma época da minha vida em que o filme precisava ter explosões ou lutas ou aventura ou mortes ou tudo ao mesmo tempo. Mas eu me cansei disto, ainda assisto alguns destes gêneros, mas estão longe de ser uma aposta certeira. Porém, eu acredito que não exista necessariamente uma receita, como de bolo, para ser fazer um grande filme, mas alguns quesitos ajudam em muito.

Um filme que nos divirta é sempre muito bem vindo. Claro, adoro alguns densos, mas nem sempre é o horário. É aquilo que chamo de filme de domingo a noite, quando você não está necessariamente a fim de pensar muito, apenas imergir numa história ficcional por aproximadamente duas horas, de pessoas imaginárias em situações imaginárias, mas que arranquem de nossos rostos carrancudos e cansados um sorriso.

Um bom roteiro também ajuda muito. Dá para ser bom sendo óbvio e dá para estragar uma história inovadora, mas convenhamos que sair do básico é muito interessante. Novidades, situações imprevisíveis, nada que nos deixe com um gosto de café requentado na boca.

Também gostamos de nos identificar com os personagens. Quando os vemos com problemas, dúvidas, angústias, sofrimento, conquistas, alegrias semelhantes àquelas que vivenciamos, temos uma tendência a nos apaixonar por eles, a torcer ou sofrer por e com eles. Afinal, todos nós passamos por estas sensações no decorrer de nossas vidas, mas temos a tendência egoísta de achar que tudo é conosco e apenas conosco, principalmente as situações mais amargas. E, vermos cenas que presenciamos na tela de uma TV ou do cinema nos faz sentirmos mais humanos.

Encaixando tudo isto, uma ótima trilha sonora. Canções que se encaixam em cada situação, que amplifiquem a emoção, tornando parte do universo retratado. Uma canção que nos faça sorrir ou que nos faça chorar. Porque a música tem esse poder, esse dom mágico de atingir a parte mais inatingível de nossa alma e arrancar nossos sentimentos à força.

Porém, precisamos de atores carismáticos e com química, pessoas que olhemos e nos espelhamos. Homens e mulheres que nos façam desejá-los, loucamente, e não porque eles são maravilhosos deuses gregos do photoshop, mas sim porque são normais, e isto é o que mais nos atrai.

E, finalmente, o amor. Sempre ele. O maldito amor. O bendito amor. O amor que constrói e o amor que destrói. O amor da certeza e o amor da dúvida. O amor puro e o amor turvo. O amor que você ama e o amor que você odeia. O amor, ou alguma coisa perto dele.

Sofremos com os personagens porque sofremos em nossas vidas. Também perdemos nossos amores, deixamos eles escapar pelos nossos dedos, como a areia levada pelo vento litorâneo, em direção ao mar. Sofremos porque fazemos merdas, insensatas e impensadas, que maculam tudo o que um dia foi perfeito e puro. Sofremos porque vemos a porta de nossas vidas abrir, o amor sair por ela e batê-la, para nunca mais abrir.

Mas também nos deleitamos com o primeiro amor, o primeiro verdadeiro amor, aquele que, ao sentimos, percebemos imediatamente que todos os que anteriormente vivemos não foram o que achávamos que eram. Sentimos borboletas no estômago e frio na espinha, mãos suadas, voz fraquejante e frases desconexas, a perda do senso crítico. Sentimos também a redescoberta do amor, o árduo trabalho de remover toda a rocha que cresceu em volta de nosso coração, deixando o rubi lapidado e brilhante para, então, perceber que a vida continua, que sempre há espaço para mais felicidade, basta deixarmos. E sabermos ler nas entrelinhas e nos pequenos detalhes da vida.

Muitos filmes já vi que se encaixam neste modelo, daqueles que você termina e pergunta ‘por que não posso ter uma vida dessa para mim’, mas dois são especiais. O primeiro é ‘Elizabethtown’, pois a primeira vez que eu o assisti, foi um tapa na minha cara, por estar num momento depressivo e solitário da minha vida e por mostrar que existe vida após o final no poço, basta sabermos deixar a vida fazer a sua parte. É um vídeo que agora faz parte da minha videoteca e que, com certeza verei e reverei novamente. E, como todo bom filme, o melhor não é o roteiro em si, e sim as pequenas partes.

Partindo disto, duas me são extremamente deliciosas. A primeira é a conversa que ambos tem por celular, que dura horas e horas, sem nunca acabar. Quem já se encantou por alguém sabe o que é perder horas num único telefonema e, assim que desligar, ficar com aquele gostinho amargo de quero mais. O segundo é a parte da viagem final, com as músicas e o mapa. Primeiro pelas canções em si, por eu ser um verdadeiro fanático por música e o segundo, pela sensação de liberdade de dirigir horas e horas a fio, sozinho, sem nada em que pensar e sem saber para onde a estrada vai te levar. Prometi, com isto, a mim mesmo, que assim que acertar a minha situação, farei uma desta, levando comigo apenas muitas canções, um mapa e o incerto, parando em cada ponto que me identificar para jogar as cinzas de uma era espinhosa, mas que moldou meu caráter. A despedida de uma vida e a celebração de uma nova era. É o roteiro que eu gostaria de ter escrito, se tivesse capacidade. E não exagero quando digo que é o filme da minha vida.

O segundo que me atingiu como um soco no queixo foi ‘The Last Kiss’. É uma história de dúvidas, de angústias, de mudança de uma fase para outra da vida, como se estivéssemos na beira de um desfiladeiro e tenhamos que escolher permanecer nesta beirada ou pularmos para o outro lado, pois é isto que esperam da gente. É sobre decisões. É sobre deixar para trás.

Afinal, estamos prontos para seguir adiante? E será que é mesmo necessário deixar para trás uma vida para viver outra? Casamentos que ruem por causa de filhos, separações que ruem corações, medos que ruem nossa confiança. Mas, afinal, amar não é ceder? E quem disse que o lado de lá não tem as suas vantagens?

Minto ao dizer que não penso muito sobre isto. Estou com 32 anos, tenho um sobrinho maravilhoso da minha irmã que é mais nova do que eu, estou vendo meus amigos se casarem, terem filhos, e eu, no momento encontro-me no limbo. Minto se disser que não quero isto novamente, pois já tive antes e me foi maravilhoso. Mas também minto se disser que não tenho medo, do que pode virar a minha vida com tão importante decisão.

Medo, é este o maior tempero da vida. Não existe nada na vida sem uma pontinha de medo, muito menos o amor. O amor e o medo caminham lado a lado, pois a comodidade é o pior inimigo do primeiro e o segundo é o ingrediente mágico para acabar com ela.

É, o amor é a razão de tudo. ‘All you need is love’. E é por ele que acordamos todos os dias. Para conquistá-lo ou para mantê-lo. Para descobri-lo ou para redescobri-lo. Para nos propiciar nosso maior sorriso, para abraçar a pessoa amada sem qualquer razão, para o doce sofrimento que só a saudade pode gerar. O amor é o mel e o fel, um completando ao outro. É a esperança, pois pior que a lágrima do amor perdido, é a dor de nunca ter amado.

sexta-feira, junho 26, 2009

Le Roi Est Mort, Vive Le Roi!

Não vou me aventurar a falar nestas linhas sobre o Michael Jackson e seu legado para a música pop. É indiscutível o seu valor e a qualidade de suas composições, além de ter alterado a estética da música, tornando-a, em alguns momentos, muito mais visual, tendo em vista que 'Thriller' foi um divisor da águas na história dos vídeos musicais. Porém, o meu conhecimento da sua obra é mínimo e se restringe ao que a maioria leiga sabe.

Entretanto, algumas coisas são difíceis de não perceber, principalmente a degradação do ser humano em detrimento ao ícone público. O Michael Joseph Jackson morreu faz muitos anos e ninguém se importou. Morreu quando a música e a dança se tornaram menores perante os escândalos com pedofilia, as operações plásticas, o esbranquiçamento da pele, a fábula de Neverland, suas excentricidades. Passou então a ser motivo de piada de todos, sendo tratado mais como uma aberração, daqueles lendários 'freak shows'.

Este não era mais o ser humano, nunca mais foi tratado como tal, até tuas músicas foram relegadas à segundo plano pela imprensa sedenta por tragédias que alimentava um público sádico, onde quanto mais trágico, melhor.

Mas agora ele morreu. E de repente, a figura alegórica desapareceu, restando apenas o cadáver putrefato do que um dia foi um ser humano. Mais de repente ainda, todos percebem que perderam muito tempo privilegiando o ícone em detrimento ao artista, que já não mais habitava aquela casca pálida, e todos estão tristes.

Tristeza carregada de culpa, pois os que hoje choram a tua perda foram os mesmos que fizeram tudo isto com ele. E, indepentente de ser artista ou não, ser talentoso ou não, rico ou não, é (foi) um homem, uma vida que foi atirada aos leões para diversão dos romanos. Panis et Circensis.

Típico de nós, seres humanos, apedrejar o ídolo pra depois chorar a morte dele.

sexta-feira, abril 24, 2009

Role Model

RPG Medieval + Kiss + Peitos = Role Models, o filme mais engraçado do ano

quarta-feira, março 11, 2009

Mais Tempero, Por Favor

O novo álbum do U2, como qualquer outro deles, desde o Joshua Tree, é esperado com muita expectativa. O No Line On The Horizon, em particular, era vendido como a salvação (sempre odiei esse termo) e a reinvenção do rock.

Assim que o álbum foi lançado eu o baixei (é, vão me prender?) e na primeira audição eu fiquei extremamente decepcionado. Sim, porque de primeira pra mim este álbum significou nada! 
Nenhuma música me empolgou, ele foi simplesmente sendo tocado e tocado, música após música, servido para aquilo que é a pior função de uma canção: música ambiente.

Eu acho isso péssimo, quando eu ouço um álbum pela primeira vez e ele me causa a mesma sensação de comer uma comida sem sal, dificilmente eu virei a gostar dele. Certo, eu posso depois de algumas vezes perceber que ele não é tão ruim, que tem uma ou outra boa canção, mas nunca virá a ter um posto entre os álbuns essenciais da minha vida. O U2 conseguiu isto com All That You Can Leave Behind, mas não com o No Line On The Horizon.

Por outro lado, a maior surpresa deste ano é um cara que eu achava que era apenas mais um daqueles cantorzinhos indies, que lamentavam sobre a vida, chamado Ben Kweller. Eu já tinha ouvido falar nele, já tinha ouvido algo mas não havia me atraído, tanto que a minha pasta de MP3’s não contava com uma mísera canção. Porém, resolvi arriscar e baixei o Changing Horses.

Primeiro, de indie ele não tem nada! Ele tem os dois pés no country, mas o som é temperado com o folk, orgulhando tanto Bruce Springsteen quanto Bob Dylan ou Hawk Williams. Ele tem uma voz sensacional, o instrumental é sem exagero, muito bem encaixado.

Gipsy Rose e Fight são músicas de raiz, podendo facilmente serem confundidas com outras compostas na Louisiana muitas décadas atrás, enquanto Old Hat tem uma linha de baixo simples e marcada, porém arrebatadora. Ballad of Wendy Baker parece ter ser sido composta por Paul McCartney logo após She’s Leaving, assim como Sawdust Man parece uma sobre de estúdio do Revolver ou do Rubber Soul. E qualquer outra canção, se fosse gravada pela The Boss ou por Bob Dylan, seriam aclamadas como geniais. E, para não desagradar os moderninhos, o vocal remete ao Wilco em algumas faixas, como Hurtin’ You.

Sabe aquele álbum perfeito, que com 30 segundos da primeira música você pára e pensa: “caralho, o que é isto?”, e então larga tudo o que está fazendo para prestar a atenção? Este é o Changing Horses do Ben Kweller. Um álbum que toca profundamente, com melodias incríveis, e que não dá vontade de parar de ouvir.

O terceiro mês do ano começou, mas já acho difícil algum álbum tomar do Changing Horses o posto de melhor álbum de 2009, só se uma obra prima aparecer por aí. Se ele fosse lançado em 2008, teria sido o número um da minha lista.
Mas, como dizem que tem novo do Muse por aí, pode ser que algo de bom aconteça.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Grammy

Concorrentes nas principais categorias do Grammy.

GRAVAÇÃO DO ANO
"Chasing Pavements" - Adele
"Viva La Vida" - Coldplay
"Bleeding Love" - Leona Lewis
"Paper Planes" - M.I.A
"Please Read The Letter" - Robert Plant & Alison Krauss

ÁLBUM DO ANO
"Viva La Vida Or Death And All His Friends" - Coldplay
"Tha Carter 3" - Lil Wayne
"Year Of The Gentleman" - Ne-Yo
"Raising Sand" - Robert Plant & Alison Krauss
"In Rainbows" - Radiohead

MÚSICA DO ANO
"American Boy" - Compositores: William Adams, Keith Harris, Josh
Lopez, Caleb Speir, John Stephens, Estelle Swaray e Kanye West
(Interpretação de Estelle e Kanye West)

"Chasing Pavements" - Compositores: Adele Adkins e Eg White
(Interpretação de Adele)

"I'm Yours" - Compositor: Jason Mraz (Interpretação de Jason Mraz)

"Love Song" - Compositora: Sara Bareilles (Interpretação de Sara
Bareilles)

"Viva La Vida" - Compositores: Guy Berryman, Jonny Buckland, Will
Champion e Chris Martin (Interpretação do Coldplay)

MELHOR ARTISTA REVELAÇÃO
Adele
Duffy
Jonas Brothers
Lady Antebellum
Jazmine Sullivan

MELHOR ÁLBUM DE MÚSICA POP
"Detours" - Sheryl Crow
"Rockferry" - Duffy
"Long Road Out Of Eden" - Eagles
"Spirit" - Leona Lewis
"Covers" - James Taylor

MELHOR ÁLBUM DE ROCK
"Viva La Vida Or Death And All His Friends" - Coldplay
"Rock N Roll Jesus" - Kid Rock
"Only By The Night" - Kings Of Leon
"Death Magnetic" - Metallica
"Consolers Of The Lonely" - The Raconteurs

MELHOR ÁLBUM DE MÚSICA ALTERNATIVA
"Modern Guilt" - Beck
"Narrow Stairs" - Death Cab For Cutie
"The Odd Couple" - Gnarls Barkley
"Evil Urges" - My Morning Jacket
"In Rainbows" - Radiohead

sábado, janeiro 17, 2009

A Rainha do Pop

A Madonna acabou de fazer alguns show no Brasil, mas eu não gosto dela, nunca gostei, e não é sobre ela que eu vou falar, desculpem-me os fãs xiitas, que são muitos. 

Eu gosto de rock, sempre ouvi rock, toco numa banda de rock, mas gosto um pouco do pop, e muitas vezes daquele pop bem comercial, bem plastificado. E uma que eu gostei desde a primeira vez que eu vi o primeiro clipe foi a Britney Spears. Convenhamos, "Baby, One More Time" é um clássico, uma das melhores músicas pop já feitas e ela, novinma ha, naquela roupinha de colegial, era o sonho de qualquer homem, adolescente ou qualquer outro.

O tempo passou, ela passou por muitos altos e baixos, atingindo ambos os extremos mais de uma vez, e agora volta com um novo álbum, "Circus", que por sinal estou acabando de ouvir. O que dizer dele? É um PUTA álbum, passa por tudo que o pop tem de bom para oferecer, é dançante, é romântico, é cantante, é agradável. 

Uma vez ouvi alguém dizer que fazer uma música pop perfeita é o trabalho mais difícil que existe, pois o limite entre a perfeição e o ridículo é uma linha muito tênue. E posso dizer que neste caso, pendeu muito mais para a perfeição. E com certeza é um álbum que eu ouvirei mais vezes.