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quinta-feira, abril 01, 2010

Confusão

O que tem a ver coelhos com ovos de chocolate com Jesus? E samba e cerveja com a crucificação do mesmo? E um tiozinho gordo de barba branca com presentes com o nascimento do mesmo Jesus? E os dias de São João e/ou Santo Antônio com música sertaneja e pé de moleque?

De uma forma ou de outra, criamos uma confusão de datas e celebrações. Por sermos um país de origem católica, praticamente todas (com exceção de um ou outro feriado histórico) as datas comemorativas tem um fundo religioso.

Porém, com o tempo, o mix de novas religiões e os interesses comerciais, os feriados religiosos foram perdendo o significado, se misturando com celebrações pagãs, e virando o samba do crioulo doido que é o Brasil. E isso não é uma crítica, pelo contrário, pois se tem uma coisa boa com relação ao Brasil é esta diversidade, tolerância e até intersecção religiosa.

Pensando bem, essa mutação de datas é histórica, pois o Natal foi inspirado numa celebração Celta, ou algo do gênero. E, se eu resolver pesquisar, com certeza acharei mais datas.

A tendência é que, com o passar do tempo, estas datas percam por completo o sentido religioso? Ou eles ficarem cada vez mais restritos aos seus nichos, como são as comemorações islâmicas, judaicas ou do candomblé?

E por falar nisso, alguém sabe, sem olhar no Google, o que realmente significa o tal do Corpus Christ?

quarta-feira, março 10, 2010

Uma Vida em Retalhos

No meu aniversário eu ganhei da Veri uma edição do 'Retalhos' do Craig Thompson. É uma obra acima de tudo ousada, por dois motivos. Um que é uma auto biografia, o que é algo complicado de se fazer, pois expõe muito, feridas abertas, decepções, segredos, traumas. O outro, e talvez mais difícil de lidar, é que a história foi escrita quando ele tinha menos de 30 anos, ou seja, todos os fatos eram relativamente recentes, os personagens ainda estão vivos, a exposição é ainda maior.

Talvez até por isso o roteiro é tão fascinante, porque os acontecimentos ainda estão frescos e são parte de uma época que eu e muitos de vocês viveram, afinal o autor nasceu em 75, apenas 2 anos antes de mim. E, com desenhos caprichados, a leitura rendeu e devorei tudo em uma tarde.

É uma história simples, sem grandes inovações, cujo mote é como a culpa cristã atua na vida de uma pessoa. O terror da dualidade Céu-Inferno, a rigidez no tratamento dos filhos pelos pais, a rotina rígida de frequentar a igreja, a figura do Deus vigilante e punitivo e, principalmente, a culpa pelos prazeres 'mundanos'.

Existe uma passagem muito boa, onde o autor comenta na Escola da Igreja que quer fazer uma faculdade de arte e um outro aluno comenta que tem um irmão que foi para uma dessas, e logo no começo teve que pintar pessoas nuas, depois se afastou do cristianismo e no final, meu Deus, virou homossexual. É um mundo a parte, fechado, mas ao mesmo tempo muito perto e presente.

Vale conferir, é uma leitura bem agradável!

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Susan Is in the In-Between

Que as distribuidoras brasileiras tem uma criatividade ao inverso, para criar nomes rídiculos para filmes, não é novidade para ninguém. Desta forma, "Um Olhar do Paraíso", nome nacional para o filme "The Lovely Bones", tenta simplificar a história e resumir, sem sucesso, no título, toda a história.

Falha porque, o filme, baseado na obra literária de Alice Sebold e dirigido por Peter Jackson, não apresenta nada de Paraíso, muito pelo contrário, mostra a menina Susan, a adolescente assassinada, naquilo que é definido como o meio do caminho entre o Céu e a Terra.

A história? Uma adolescente de 14 anos conta, em off e com diversos flashbacks, a história do seu assassinato. Quem espera um filme de mistério vai se decepcionar, pois desde o começo fica claro quem é o assassino, apesar da polícia e da família não saber. O que a história conta é a dificuldade de todos em aceitar o que aconteceu. Dos pais e dos irmãos em aceitar a sua morte e, principalmente, dela, em aceitar que morreu, que seu corpo está desaparecido (em uma parte do filme, ela desabafa que não é ninguém, só 'uma garota desaparecida') e que não há nada que ela possa fazer, a não ser sentir raiva!

E é isto que acontece, a sua raiva, seu ódio pelo seu agressor, seu desejo de vingança, a impede de seguir em frente, mantendo-a presa nesta 'entre sala' do paraíso.

O filme, na minha opinião, é muito bom. Tem momentos de suspensa, angústia e tristeza, prendendo a atenção até o final, que não é assim tão previsível quanto eu li em diversos sites. Porém, o mesmo pode ser olhado de dois ângulos diferentes. O ângulo ficcional, no qual tudo que se passa é uma mera ficção, e o ângulo de quem crê naquilo que está acontecendo.

Como eu me encaixo na segunda opção, o filme acabou sendo para mim bem interessante. Creio em diversas coisas que são mostradas, como o que acontece com a negação do desencarne, a recusa em 'olhar para frente' até completar 'coisas inacabadas', a maneira como os desencarnados influenciam os vivos. Além disso, a concepção estética do 'outro lado' foi bem interessante, fugindo por completo do lugar-comum.

Gostei porque não é caricato nem forçado, uma história bem desenvolvida e um roteiro muito bom. Com isso, fiquei interessado em ler o livro, vamos esperar que logo ele é lançado, como todo que baseia um filme hollywoodiano.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Você Acredita em Reencarnação?

Não, antes de tudo, esta não é uma postagem religiosa, pois eu não gosto disso e evito tal tema ao máximo. Eu tenho a minha crença e ponto, e eu acredito em reencarnação.

Existe uma teoria que tudo o que você viveu em vidas passadas está guardado em alguma parte do teu cérebro, uma parte conscientemente inacessível mas que, algumas vezes, dá uns 'estalos', como quando a gente vê ou está em um lugar nunca dantes visitado ou uma reencenação histórica, mas tem a plena sensação de que lá já esteve alguma vez antes, tem a certeza que conhece certa construção, ou certa situação.

Eu já senti isso diversas vezes, tenho praticamente certeza de alguns lugares e épocas históricas que eu vivi, pela sensação que tenho ao ver ou estar em certos lugares. Neste final de semana eu fui assistir ao filme do Sherlock Holmes, que se passa na Londres do final do século XIX. A retratação da cidade acabou ficando perfeita, suas ruas escuras, suas casas, a London Bridge em obras, talvez porque deram a honra de filmar as histórias de um dos maiores ícones ingleses para aquele que é, provavelmente, o diretor que melhor retrata do submundo londrino: Guy Ritchie.

Onde eu quero chegar? Eu acho a Grã Bretanha um lugar interessante, e que tenho vontade de visitar, mas não tenho a adoração por ela que algumas pessoas que conheço têm. Porém, qualquer referência à Londres obscura e decrépita dos anos 1800 me fascina de uma forma inexplicável. Eu sempre tive uma curiosidade absurda pela história do Jack o Estripador e outros histórias contemporâneas, e uma das coisas que eu vou fazer em Londres, quando for, será um passeio para conhecer estes lugares, que preservam a arquitetura característica da época.

Por isso e por tudo, eu sinto que vivi naquela época, não sei em que momento específico, nem em qual situação, mas eu simplesmente sei. E tenho outras sensações ou experiências semelhantes.

Quando eu fui para Toronto, foi algo muito estranho. Já tinha visitado outros lugares antes, mas nunca me senti tão confortável e adaptadoà nenhum deles como lá. No meu terceiro dia, eu estava voltando para a casa que eu fiquei, estava escuro, nevando e entre o ponto de ônibus e lá a caminhada era de aproximadamente uns 20 minutos. Conforme eu ia caminhando e olhando em volta, eu sentia que como se eu morasse lá há anos. A mesma sensação eu tive diversas e diversas vezes durante o tempo que fiquei lá, era uma absoluta sensação de volta à casa.

E outros lugares me despertam esta sensação, de uma maneira mais remota, tal como o Egito na época dos Faraós e a Romênia, numa época incerta e não sabida. Com certeza já vivi outras reencarnações em outros lugares, mas estas me são muito claras.

Acreditar ou não? Isto depende de cada um...