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terça-feira, outubro 26, 2010

Dia da Marmota


No último episódio de Being Erica que eu assisti ontem, ela recebe uma informação pelo Kai que não deveria ter recebido e que a deixa bem confusa e em parafuso. Por isto ela procura o Dr.Tom para reclamar e a 'solução' que ele encontra é fazê-la voltar ao passado, no horário que ela recebe a notícia (as 8 da manhã), para ela entender melhor o que tá acontecendo. E assim vira o dia dela, um enorme loop entre as 8 da manhã e o meio dia, até que ela tenha uma reação razoável.

Ela faz de tudo, tranca o Kai na sala pra ele contar mais, expulsa ele, enche a cara pra aceitar, briga com o  mundo, até que, no momento que ela 'aceita' os fatos e pára de se preocupar com o futuro para se focar no presente, ela se liberta deste loop e o dia segue.

A mensagem é simples, viva o presente, repense seus atos, sorria mais, não magoe as pessoas, faça exercícios, escove os dentes, olhe para os dois lados antes de atravessar a rua, coma verduras, blá blá blá. A questão nem é esta. Apesar de ser um saco viver, reviver e rererereviver o mesmo momento sem sabermos até quando, as vezes deve ser legal termos a oportunidade de tentarmos até conseguirmos. Porém, o que é 'conseguir', numa vida que não tem script e que cada ação causa uma mudança que nem sempre reflete aquilo que parecia ser?

quinta-feira, setembro 16, 2010

Livros Para Meninas e Para Meninos

Eu queria a um tempo ler o "Beber, Jogar, F@#er" do Bob Sullivan, mas me disseram que para entendê-lo eu precisava primeiro ler o "Comer, Rezar, Amar". Certo, lá fui eu tentar ler um livro de menininha e best-seller, coisas que definitivamente não me dão tesão nenhum, mas paciência. Li um pouco, aos trancos e barrancos, caindo no sono sempre depois de meia dúzia de páginas, e na metade do primeiro arco (são três), eu desisti. Desisti e resolvi começar a ser o outro.

Realmente admito que ler pelo menos a introdução daquele livro ajudou a entender melhor a 'piada'. Fica claro desde o começo que é uma sátira deslavada, ácida e até certo ponto machista do original, mas o que é válido, pois ele era muito menininha e fofinho, de uma forma que a vida real e as mulheres reais não são (ok, até onde eu li), além do que, se elas podem ser as mocinhas e nós os vilões em um livro, porque o contrário não pode acontecer em outro?

Não é questão de contar ou não o(s) livro(s) e sim de constatar que, no meio de muitos nichos, ainda existem estes, um para mulheres e outros para homens, onde a escrita, o direcionamento e até as piadas são direcionadas para um dos gêneros. E não há nada de errado nisto, errado é achar que isto é sexismo, misoginia, preconceito. Sem hipocrisia, as mulheres precisam do romance e dos contos de fada e os homens da putaria e o humor escrachado, pelo simples fato de que isto é legal, a gente gosta e ponto, não precisam de explicações científicas nem psicológicas.

Por um tempo o politicamente correto e o patrulhamento tentaram matar isso. A mulher tinha que ser forte como o homem e o homem tinha que ser sensível como a mulher, qualquer coisa que saísse desta linha era sinal de fraqueza. Mas sabe qual é a graça de existirem homens e mulheres? É que eles são diferentes, graças a Deus. E antes que comecem o patrulhamento contra homofobia, uma coisa não tem nada a ver com a outra, muitos podem não concordar comigo, mas e daí? Esta é a beleza da dialética e das discussões de mesas de bar, a diferença de opinião.

Mas voltando ao foco da conversa, parece que isto está se aliviando, e finalmente se tocaram que uma mulher não é menos forte ou menos profissionalmente sucedida se ela gosta de um filme ou livro de romance água com açúcar e sonha com o príncipe encatado e um homem não é um troglodita ignorante e espancador de mulheres se ele assiste um filme do estilo "Se Beber Não Case" ou ri de uma piada machista. Deixem o mundo em paz com as suas diferenças, pois isto é que faz dele divertido e interessante.

terça-feira, agosto 03, 2010

Nunca diga que isto aqui é 'apenas' futebol

Perdi a conta de quantas vezes, após uma derrota do Palmeiras, eu, de mau humor, ouvi de muita gente: Por que você está bravo, isto é apenas futebol, você não ganha nada com isto. Mas isto é uma grande mentira, e quem não entende o que isto realmente é, deveria se abster de qualquer comentário nesta hora.

Futebol nunca é apenas futebol. Futebol é amor, é paixão, no seu maior nível. Na vida você pode trocar de tudo, de esposa, de orientação política, de carreira, de religião, de opção sexual, mas nunca, em tempo algum, você pode trocar de time. E outra coisa, você nunca escolhe o time para o qual vai torcer por alguma razão aparentemente racional, é ele que te escolhe e, quando você menos percebe, é um torcedor apaixonado.

Futebol nunca é apenas futebol, pois eu não sei separar a minha vida de antes ou depois dele, pois para mim eu sempre fui um torcedor, e não lembro de uma vida sem torcer. As primeiras lembranças que eu tenho de futebol são de 85, quando o Palmeiras perdeu para o XV de Jaú por 3x2 no Palestra. Estávamos voltando da chácara da minha vó e meu pai ouvia o jogo no carro, que terminou pouco antes de chegarmos, e eu lembro claramente dele muito puto e decepcionado.

Futebol nunca é apenas futebol porque eu não consigo separar a relação com meu pai sem o futebol, e sem o Palmeiras. Depois daquele dia, eu passei a ser um torcedor apaixonado, junto com ele. E ele me levou as primerias vezes ao estádio. Ele me levou 2 vezes ao estádio da Inter de Limeira, me levou ao Pacaembu ver o Palmeiras jogar com o Vasco e empatar em 1x1, me levou algumas vezes ao Palestra, tudo isso quando eu era criança. Lembro que cada jogo era uma epopéia, e eu adorava cada momento.

Futebol nunca é apenas futebol porque eu lembro das noites que eu passei acordado até tarde, gravando os melhores momentos dos jogos do Palmeiras para quando meu pai chagasse do trabalho, ele pudesse assistir.

Futebol nunca é apenas futebol porque eu perdi noites e noites sofrendo com derrotas do Palmeiras nos anos da fila, derrotas inaceitáveis, que eu acampanhava num velho radio que tinha e ficava, na minha cama imaginando como as coisas se desenrolaram. Inter de Limeira, Ferroviária, Portuguesa, Bragantino, estes times povoavam a minha imaginação com um gosto amargo de derrota.

Futebol nunca é apenas futebol porque mesmo com os 16 anos de fila e sendo sempre o único palmeirense da escola, eu nunca desisti, muito pelo contrário. A minha alma de torcedor foi forjada no fogo do inferno da derrota e da humilhação, e isto ninguém vai destruir.

Futebol nunca é apenas futebol porque naquele início de noite de junho de 1993, o Palmeiras foi campeão e eu não sabia o que fazer. Eu não sabia se corria, se gritava, se chorava, e tive que perguntar pro meu pai como fazer, mas ele também não conseguia me responder.

Futebol nunca é apenas futebol porque naquele dia eu aprendi uma sensação nova, que eu só imaginava que existia mas não fazia idéia do que era, algo apenas comparável com o primeiro beijo ou a perda da virgindade. Eu enfim poderia parar de ler aquela Placar velha, que falava sobre as glórias do passado e não precisava mais tentar imaginar o que tinha sido aquela decisão de 1976 contra o XV de Piracicaba.

Futebol nunca é apenas futebol porque ele nunca me abandona, como eu nunca o abandonarei. O Palmeiras me deu muito, muitos amigos, muitas alegrias, também muitas tristezas, mas eu tenho certeza que ele não queria isso, o Palmeiras nunca quis me magoar, ele sempre me quis ver feliz. Mas nem sempre isso é possível.

Futebol nunca é apenas futebol porque futebol e Palmeiras são sinônimos de mim e meu pai, eu não consigo imaginar o Palmeiras sem a existência do meu pai, que me apresentou este time, me apresentou esta paixão, me levou aos estádios quando eu mal entendia as coisas e continuou me levando quando eu entendia aquilo muito bem.

Futebol nunca é apenas futebol porque mesmo quando tudo ruiu, e a minha relação com ele chegou aos piores níveis possíveis, o futebol nos uniu e nos confortou. Nos confortou naquele jogo contra o Cruzeiro, pelo Brasileiro do ano passado, quando ganhamos bem e nos trouxe um pouco de luz no inferno. Nos alegrou quando pudemos, ano passado também, assistir ao jogo contra o Vitória no Palestra depois de tantos anos longe, sendo que daquela vez eu o convidei, e isso me deu uma alegria gigante.

Futebol nunca é apenas futebol porque no jogo contra o Grêmio, na despedida em jogos oficiais do estádio que eu aprendi a amar, a alegria não foi completa, porque eu não pude olhar para o lado e ver ele comigo, lá, xingando e comemorando.

Futebol nunca é apenas futebol porque as lembranças, histórias e laços que ele cria são eternos.

Portanto nunca, jamais, em tempo algum, diga para um apaixonado que aquilo é 'apenas' futebol, pois não é verdade. O futebol é muito maior do que isso e quem não consegue compreender, não deve criticar nem fazer pouco, pois o futebol nunca é apenas futebol.

E obrigado pai, por me transformar num apaixonado por futebol, e por trazer o Palmeiras até a minha vida!


Texto replicado nos meus dois blogs, pois ele é muito mais do que apenas uma postagem sobre futebol, é sobre vida e amor.

segunda-feira, julho 19, 2010

A Arte no Sofrer

Para começo de conversa, eu não sou masoquista, bem longe de mim gostar de sofrer e estas coisas, pois convenhamos: isto é chato pra caralho!

Mas uma coisa é necessária ser dita: a tristeza e o sofrimento são poéticos. E quando eu falo poético não estou me referindo a um estilo literário, mas sim a toda e qualquer forma de arte que seja criada com a alma e o coração. As obras mais bonitas não complementadas pela dor, seja de um amor perdido ou impossível, seja pela pelo vazio da solidão, seja por qualquer outra forma de tristeza.

Provavelmente porque o papel, a tela, a câmera, o pincel, um instrumento musical, na mão de um poeta sofrido serve como forma de exorcismo, quando o artista consegue transferir para o mundo físico toda aquela dor que existe no etéreo e, consequentemente, quem aprecia esta obra capta uma parcela deste sentimento para si.

Ninguém gosta de sofrer, mas a maioria vê o sofrimento como arte, por isso gostamos de livros e filmes tristes, músicas melancólicas, quadros e esculturas pesadas. E pensar nesta tristeza faz a gente dar maior valor para os momentos felizes te temos.

quinta-feira, julho 01, 2010

Meu Ano Novo

2009 foi um ano foda para mim, principalmente o primeiro semestre. Depois de um longo período de estagnação total, resolvi dar um rumo pra minha vida e, nestes casos, de mudança abrupta, temos duas possibilidades: ou uma aparente boa oportunidade que cai no colo, ou fazer aquilo que sabemos fazer. E no meu caso, parecia que tudo se acertava, uma oportunidade de ser sócio em um escritório de advocacia de Campinas que iria abrir em São Paulo, com grande know-how e clientela. Encurtando a história, em seis meses tudo que estava complicado ficou muito pior, e eu acabei sem grana, sem patrimônio, com um monte de cheque sem fundo e uma bucha na mão.

Lembro como se fosse hoje que eu tava no escritório que eu tinha alugado com outro cara, que também foi enganado, olhando pra tela do computador, totalmente perdido, imaginando o que eu iria fazer da minha vida, quando a Carol (com quem na época eu nem tinha tanta amizade ainda) me perguntou se eu estava interessado numa vaga no IPSO, onde ela trabalhava.

Eu comecei a trabalhar lá, num ambiente que me fez muito bem naquele período de extremo estresse, e me inseri em um novo (velho) mercado, o de tecnologia. E assim os caminhos começaram a se abrir pra mim. O dia que ela me chamou? 01 de julho de 2009.

Foi então que meu ano realmente começou e as coisas começaram a dar certo pra mim. Certo, ainda tinha muita bagagem anterior e outras coisinhas novas, mas é injusto dizer que foi um período ruim, prefiro acreditar que foi um período de aprendizado.

E este período durou até ontem. Aprendi muito coisa, de boas e de más maneiras, mas é assim que funciona a vida. E mais engraçado ainda é que têm momentos da nossa vida que estamos mais acessíveis às pequenas dicas que recebemos, e conseguimos assimilá-las bem. Incrível que coisas, apesar de óbvias, passem tanto tempo despercebidas, quando estamos sem foco.

Assim, meu ano começa. E resolvi começar com coisas práticas. Ontem vi um filme que, aparentemente, era bobinho, mas que acabou tendo uma puta sacada: quase no final dele, com um casal aparentemente apaixonado, a menina fala para o cara escrever uma carta explicando porque amava ela e que ela faria o mesmo. De posse delas, eles enteraram ao pé de uma árvore, para serem lidas exatamente um ano após (claro, a sacada não é só essa, e sim o desenrolar, mas não convém contar). E, se eu quero mudar, porque não escrever uma carta com a lista das coisas que eu quero mudar em um ano, colocar num envelope e datá-lo para 01 de julho de 2011? Foi o que fiz.

É óbvio que essas datas não valem nadas, são instituições do homem e, paralelamente ao 'calendário oficial', existem diversos outros, quase todos políticos, sem o mínimo de fundamento astrológico ou espiritual, mas quem faz as nossas datas somos nós mesmos, e eu decidi, novamente, fazer desta a minha. Que bons ventos me guiem para mares tranquilos e emocionantes. E com tesouros, porque ninguém é de ferro e ganhar dinheiro é bom!

segunda-feira, junho 21, 2010

Um Novo Começo ou Mais do Mesmo

Um dia, uma pessoa iluminada disse: Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. E embora esta frase possa soar como um chavão ou uma auto ajuda, ela é muito intensa e forte.

Mas o que é um novo começo? E quem disse que as vezes a gente quer um novo começo? Quem disse que coisas que ficaram para trás são ruins? Por que a gente não pode é ter de volta as coisas que perdemos, que deixamos pelo caminho?

As vezes, é mais do que uma coisa física, mas uma sensação, um sentimento, um momento, uma lembrança, um cheiro, uma imagem, um segundo de olhos fechados em que nos sentimos a pessoa mais completa do mundo. Mas tudo isso a gente deixou. Deixou por motivos inexplicados e inexplicáveis. Deixamos. Fomos deixados. Perdemos. Esquecemos. Não demos valor. Não percebemos. Não estávamos prontos.

Não estávamos prontos?

Nunca estamos prontos, estamos? Afinal, não sabemos o que queremos, nem como queremos. Queremos tudo perfeito, mas a perfeição não existe porque somos imperfeitos por natureza. Buscamos todos os prazeres, tudo ao mesmo tempo agora e não sabemos nem o que queremos. Não sabemos ou simplesmente não conhecemos, não temos parâmetros para saber. Como saber o gosto de uma fruta, saber se gostamos dela se numa a experimentamos. Nem a cheiramos. Muito menos a tocamos.

Buscamos a perfeição e não nos contentamos com menos, e depois fugimos. Deixamos um rastro das nossas histórias e nossas decisões, na esperança que aprendamos com ele, mas não é assim que a vida funciona. Nos viramos para olhar o rastro e tropeçamos em algum obstáculo. Caímos, nos machucamos. Aumentamos o rastro.

Abandonamos as sensações achando que vivemos melhor sem elas, mas daí percebemos que elas que nos conduzem. Um peito vazio e uma pele sem dor não serve para nada, são apenas receptáculos do vácuo e da insignificância. É desta forma que conduzimos, um trem sem condutor, que apenas continua no trilho pelas leis naturais e pelo acaso. O mesmo acaso que vai descarrilá-lo a qualquer momento. E ninguém irá chorar pelos seus mortos, porque ali não estava ninguém.

Fazer um novo começo pode significar muita coisa, mas só é possível no momento em que nos conscientizarmos de nossas incompetências, e aceitarmos vivermos com isso. Viver um novo começo só é possível quando vivemos com o que já vivemos, aceitando e não varrendo para debaixo do tapete.

É aceitar que erramos. É aceitar que somos falhos e fazemos merda. É perdoar. É pedir perdão. É chorar na hora certa, mas depois sorrir e seguir em frente. É sofrer, reclamar, maldizer, mas saber que, quem sente tudo isso é feliz, pois o pior sentimento é o de não mais sentir.

*texto escrito de uma vez só, sem revisão. é assim que eu funciono, é assim que este tipo de texto é aqui



terça-feira, maio 25, 2010

The Lost Art of Keeping a Secret

Eu sou um eterno fuçador de séries. Muitas vezes eu pego uma, pela sinopse ou mesmo pelo nome, e assisto um ou dois episódios, para ver se eu gosto. Algumas são ruins e logo são jogadas no lixo, as vezes antes de terminar o primeiro, mas algumas são muito boas.

A última 'descoberta' foi Life UneXpected, uma série que eu não dava nada, até porque o cartaz dela teve a 'grande' idéia de dizer ser 'uma mistura de Gilmour Girls com Juno', fato que me afastou por um tempo, porque eu imaginava que era muito #mimimi, até que eu fiquei sabendo que a Erin Karpluk (Being Erica) trabalhava na série. Daí resolvi dar uma chance.

A história é básica, nada demais. Um casal faz sexo uma única vez, aos 16 anos, engravida e dá a criança para adoção. Outros 16 anos se passaram e a criança-agora-adolescente aparece se identificando e pedindo a assinatura de um documento de emancipação, pois ninguém a adotou. Com isso, a vida dos dois, um dono de bar imaturo e falido e uma famosa, bem sucedida e amarga radialista, vira de cabeça para baixo.

Roteiro simples mas bem amarrado, situações leves e deliciosas, dramas e mais dramas. Eu gostei muito do resultado, tanto que em 2 dias eu vi 5 episódios (4 em seguida) e o resto já está no forno. Mas o que mais me pega nestas séries (e ultimamente isto acontece muito mais do que em filmes) são que elas me fazem pensar na vida, nas coisas que acontecem ou aconteceram e eu, quando menos espero, vejo lá um pedacinho da minha vida e dos meus dramas, e me teleporto para dentro da tela. Daí começa todo aquele processo imaginativo, e minha mente funciona a mil por hora.

Eu gosto disso, pois eu sem imaginação e sem sonhos não existo, além do que também preciso de estímulos exteriores para pensar na vida, e nas coisas ao redor dela.

terça-feira, maio 11, 2010

Ctrl + Alt + Del

As vezes a gente brinca que nosso cérebro parece um computador, hoje um Vista, mas já foi um XP, um 3.1, um DOS. Que a gente não consegue processar duas coisas ao mesmo tempo sem dar pau em uma, que quando estamos numa janela e vamos abrir outra, fica aquele tempo que não faz uma coisa nem outra, um branco total, que o cérebro trava mesmo, e daí não resolve fazer nada.

E exatamente por isto que as vezes (ou quase sempre) a gente gostaria de poder dar um boot no cérebro, começar a funcionar de novo, com toda memória liberada. Só que a gente não pode. Não é tão fácil assim.

Mas as vezes a gente consegue fazer algumas coisinhas assim, como desinstalar um software desnecessário, ou apagar alguns cookies, um drive incômodo. E acho que consegui isso de uns dias pra cá. Acertei alguns focos, resolvi fazer valer aquela listinha que eu fiz no começo do ano de resoluções para o ano novo (que já não é tão novo assim).

Estou ficando menos tempo ocioso na internet, entrei na academia, estou comendo menos tranqueira e bebendo menos, joguei umas coisas velhas fora.

Sei lá, as vezes a gente tem que fazer alguma coisa, ?

segunda-feira, abril 26, 2010

Culpa


Mutas vezes eu fico procurando um ditado popular pra explicar alguma coisa, ou 'desexplicar', já que Alice está na moda, mesmo que eu não curta muito eles. Não sei, é uma mania que eu tenho ao escrever, usá-los como alegorias nos meus textos. Funciona mais ou menos assim: eu tenho uma idéia, daí eu fico tentando encaixar as coisas, pra tentar fazer com que aquilo que faz sentido na minha cabeça passe a fazer também no papel. E em diversas ocasiões estes ditados ajudam a dar esta liga. Mas hoje eu sentei, olhei pra tela em branco, com uma idéia na cabeça e... nada.

É foda quando você tem uma coisa entalada na garganta, tem muita vontade de dizer, mas não consegue. E nem não consegue porque não tem coragem ou algo do gênero, e sim porque não consegue se expressar. A sensação está lá, incomoda, mas não quer vir pro papel. E com isso ela te enrola, te faz gastar linhas e linhas de um texto que não significa absolutamente nada.

Deve ser porque é difícil mesmo se expor e falar coisas que nos atingem, é muito mais fácil falar sobre besteiras e futilidades. Mesmo quando é algo particular, é muito mais fácil um desabafo raivoso do que um sentido. Principalmente quando, analisando friamente, nós somos o personagem ativo e gerador dele.

A vida caleja a gente, eu posso dizer que passei por um intensivão em matéria de tomar no cu e ter que continuar a vida, como se nada tivesse acontecido, o que não é nada fácil. Mas eu descobri uma coisa, que se não é regra, pelo menos é como funciona comigo: por mais que eu me foda, eu sempre sofro mais quando, direta ou indiretamente, eu faço alguém sofrer.

Algumas situações que, quando vítima, eu tento me manter forte, quando algoz eu me corroo em culpa, mesmo tendo a certeza que tomei a decisão correta. Culpa por de repente não ter feito algo, quando na verdade não faço a mínima idéia do que poderia fazer. Culpa por ter sido omisso onde não via a omissão, culpa por ter sido ausente onde não via a ausência. Culpa por sentir culpa. Culpa porque a vida não é lógica e nem tudo aquilo que deveria ser é, ou o que gostaríamos que fosse é.

E com isso lembrei de um ditado, quase no fim deste post: "Deus não nos dá um fardo maior do que podemos carregar", e isso me consola. As vezes.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

2012. Ou o Fim do Mundo


Ontem, sem ter nada o que fazer a tarde na casa dos meus pais, eu acabei assistindo ao 2012 com meus irmãos. É mais um filme sobre a destruição da Terra, com imagens incríveis, uma história com furos técnicos e cheio de 'marmeladas' e coincidências absurdas.

Para um domingo preguiçoso foi um ótimo filme, pois o mesmo não é ruim e você nem precisa pensar muito para entender o mesmo: cientista descobre calamidade iminente + governo yankee tenta dar um jeito + tudo vai pro ar e morre um monte de gente, menos o mocinho. E agora o inimigo da vez é interno, a crosta terrestre que descola e gera um monte de tragédias e tal.

Não é o primeiro nem o último filme a explorar a catástrofe irreversível e devastadora, onde todo mundo vai morrer e ponto. Você olha as cenas e vê gente rezando, gente desesperada, gente chorando, gente alucinada. A proximidade do fim de tudo tem um efeito inesperado sobre a gente, mas nos atinge e formas diferentes.

Eu não creio que uma situação desta venha a acontecer com o planeta, e que o tal Apocalipse é uma grande metáfora, nada de destruição em massa, mas fico pensando como eu agiria se ligasse a TV e visse alguém afirmando que o mundo da forma que conhecemos está condenado e que, dentro de algumas horas não vai sobrar nada de ninguém.

A primeira coisa é que eu acho que não iria querer ver a coisa toda acontecer, seja meteoros caindo, ondas gigantes ou tudo desabando. Outra coisa é que provavelmente eu iria encher a cara, pra não sentir tudo o que acontece, pelo menos não estar totalmente consciente. Sei lá, se você morrer bêbado, você desencarna com ressaca? Acho que nem. E iria querer estar num lugar agradável, não sofrendo, nem chorando, nem em desespero.

É, resumindo, se o mundo fosse realmente acabar, eu ia tomar umas e depois morrer trepando. Não seria mal.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

O Limiar do Sonho e da Realidade

Existem situações em nossas vidas que, mesmo tendo acontecido, parecem ter sido apenas sonhos, como um filme que a gente assistiu, adorou e, de tão intenso, é como se tivéssemos vivenciado tudo aquilo, parte integrante e ativa daquela realidade que não é real.

Normalmente são situações completamente fora do nosso dia a dia, onde, por algum motivo, escapamos - ou somos 'escapados' - da rotina, e acontecem coisas que nos surpreendem, nos chocam, nos impressionam.

Isto funciona para o bem ou para o mal, quando os extremos são atingidos e a situação é surreal demais para ser crível. Quando é ruim, tentamos de todas as formas fazê-la desaparecer, em cantos obscuros e perdidos da nossa mente, debaixo de toneladas e informação. Mas quando é bom, a situação é diferente.

Tentamos rememorar de todas as formas e, quanto mais o tempo passa, mais o ocorrido se torna difícil de acreditar, passando a ganhar contornos de fantasia, dados pela nossa fértil imaginação. Porém, certos dias sentamos e afirmamos: realmente aconteceu.

Estes dias não voltam mais, mas se tornaram parte do nosso maior tesouro, as nossas lembranças. E isso, ninguém pode tirar da gente.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Você Acredita em Reencarnação?

Não, antes de tudo, esta não é uma postagem religiosa, pois eu não gosto disso e evito tal tema ao máximo. Eu tenho a minha crença e ponto, e eu acredito em reencarnação.

Existe uma teoria que tudo o que você viveu em vidas passadas está guardado em alguma parte do teu cérebro, uma parte conscientemente inacessível mas que, algumas vezes, dá uns 'estalos', como quando a gente vê ou está em um lugar nunca dantes visitado ou uma reencenação histórica, mas tem a plena sensação de que lá já esteve alguma vez antes, tem a certeza que conhece certa construção, ou certa situação.

Eu já senti isso diversas vezes, tenho praticamente certeza de alguns lugares e épocas históricas que eu vivi, pela sensação que tenho ao ver ou estar em certos lugares. Neste final de semana eu fui assistir ao filme do Sherlock Holmes, que se passa na Londres do final do século XIX. A retratação da cidade acabou ficando perfeita, suas ruas escuras, suas casas, a London Bridge em obras, talvez porque deram a honra de filmar as histórias de um dos maiores ícones ingleses para aquele que é, provavelmente, o diretor que melhor retrata do submundo londrino: Guy Ritchie.

Onde eu quero chegar? Eu acho a Grã Bretanha um lugar interessante, e que tenho vontade de visitar, mas não tenho a adoração por ela que algumas pessoas que conheço têm. Porém, qualquer referência à Londres obscura e decrépita dos anos 1800 me fascina de uma forma inexplicável. Eu sempre tive uma curiosidade absurda pela história do Jack o Estripador e outros histórias contemporâneas, e uma das coisas que eu vou fazer em Londres, quando for, será um passeio para conhecer estes lugares, que preservam a arquitetura característica da época.

Por isso e por tudo, eu sinto que vivi naquela época, não sei em que momento específico, nem em qual situação, mas eu simplesmente sei. E tenho outras sensações ou experiências semelhantes.

Quando eu fui para Toronto, foi algo muito estranho. Já tinha visitado outros lugares antes, mas nunca me senti tão confortável e adaptadoà nenhum deles como lá. No meu terceiro dia, eu estava voltando para a casa que eu fiquei, estava escuro, nevando e entre o ponto de ônibus e lá a caminhada era de aproximadamente uns 20 minutos. Conforme eu ia caminhando e olhando em volta, eu sentia que como se eu morasse lá há anos. A mesma sensação eu tive diversas e diversas vezes durante o tempo que fiquei lá, era uma absoluta sensação de volta à casa.

E outros lugares me despertam esta sensação, de uma maneira mais remota, tal como o Egito na época dos Faraós e a Romênia, numa época incerta e não sabida. Com certeza já vivi outras reencarnações em outros lugares, mas estas me são muito claras.

Acreditar ou não? Isto depende de cada um...

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Jogos de Azar

Existe aquela piada do cara que vive pedindo uma forcinha para que o Santo o ajude à ganhar na loteria, até que um dia este se cansa e diz que ajudaria muito se o cara pelo menos jogasse. É mais ou menos o meu caso, muitas vezes eu fico pensando que seria bom ganhar uma grana na loteria, ou em algo do gênero, mas quem disse que eu jogo?

De todos os vícios que eu poderia ter, definitivamente o último seria no jogo. Nunca tive muito saco para isso, estas coisas de arriscar, apostar, contar com a sorte, e acho que não existe um motivo muito claro para tal. Não jogo na loteria, não preencho cupons de lojas e supermercados, não mando SMS's para concorrer à carros, nem de 'concursos culturais' eu participo.

Quando a onda dos bingos explodiu no Brasil, eu passei incólume pela mesma. Tinha um desses bingos, enorme, na esquina da minha casa, e eu devo ter entrado nele umas duas vezes, já que abriu, porque o povo queria jogar, e era nas máquinas. Entrar na parte de bingo propriamente dita eu nunca entrei.

Na verdade, a única vez que eu entrei e permaneci num ambiente destes foi em 1998, quando eu estava na Argentina, era o jogo da final da Copa do Mundo, e o único lugar que iria passar o mesmo era num cassino. Para ter uma noção no meu nível de desprendimento, antes da final começar, eu comprei uma meia dúzia de fichas, para passar o tempo, e fui brincar naquelas maquininhas que vemos nos filmes, onde se puxa uma alavanca e os símbolos começam a girar, precisando parar iguais para ganhar. Na minha última ficha eu puxei e nem sei porque fui embora, até que fui chamado pelo segurança do lugar, que me deu um copinho com um monte de fichas, que eu havia ganho - e nem sabia! Tinha 25 pesos, e foi a única vez que eu ganhei algo.

Cerca de uns seis meses atrás, peguei um livro que tinha em casa, já meio antigo, para finalmente ler, e dentro dele tinha um cartão da Mega-Sena, com dois jogos preenchidos. Pensei, então, que poderia ser um sinal, que eu poderia ganhar alguma coisa, e decidi que iria usar aquele jogo. E usei, como marcador de página, até terminar o livro. Então, começou o papo da Mega-Sena da virada e toda essa coisa, e mais uma vez achei que poderia ficar rico usando aquele cartão.

Retirei o mesmo do livro, já finalizado, coloquei na minha carteira, e lá ele ficou, até este ano - obviamente, não joguei na Mega-Sena da virada. Até que, semana passada, no mercado, vi uma casa lotérica e decidi jogar. Dei o cartão, paguei R$ 4,00, peguei o jogo feito e guardei os dois no bolso da calça. Fui ao mercado, fiz minhas compras, voltei pra casa, guardei tudo e comecei os afazeres domésticos, que, entre eles, era lavar minhas roupas.

Mais tarde, saí para fazer algo na rua e, de repente, tive um estalo: cadê o meu jogo? Cheguei em casa, procurei na carteira, no meu quarto, em todos os lugares que o mesmo poderia estar, e nada. Daí lembrei da calça, que tinha sido lavada. Fui ao varal, procurei no bolso e, a única coisa que tinha era um monte de papel triturado e molhado. Lá se foi meu jogo e, pior, os números.

Daí desisti. Era realmente um sinal, de que eu não devo perder meu tempo jogando em Loterias.

terça-feira, janeiro 05, 2010

E Foi Dada a Largada

Começou um novo ano, e no começo de ano todo mundo mete-se a fazer as suas resoluções: emagrecer, praticar um esporte, trocar de emprego, comprar um carro novo, fazer a viagem dos sonhos, voltar a estudar, casar. Certo que durante o ano muitas coisas não se concretizam, algumas em detrimento de outras não planejadas, mas é assim que a vida funciona.

Mas qual o motivo do povo fazer isto no início de um ano e não, por exemplo, em 15 de agosto? É o efeito psicológico mesmo, a muleta que nós precisamos para mudar algo que nos incomoda. Faz bem pensar que com a mudança de ano, acaba-se um ciclo e deixa-se para trás as coisas ruins que aconteceram conosco, como se uma borracha fosse passada e pudéssemos recomeçar do zero.

Certo, sabemos que não é assim que funciona, mas o que custa acreditar nisso um pouco para mudar algumas coisas que deram errado? No meu caso, posso dizer que 2009 foi um inferno astral ininterrupto, e que fora duas ou três coisas muito boas, as demais foram desastrosas, motivo pelo qual eu me agarrei na crença de 'ano novo, vida nova' para fazer meu 2010 diferente.

E sabe que está funcionando? Nestes poucos dias eu já percebi alguns caminhos se abrindo, o que é legal, pois isto significa que o universo está se mexendo e, desta vez, a meu favor. Se a vida é cíclica, acho que chegou a minha vez de ficar por cima de novo.

Ótimo 2010 para todos. E com licença que eu vou completar as minhas resoluções de ano novo.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Natal, De Novo

Já postei isso, mas o Natal tá chegando de novo, então...


O Natal estava chegando. Para dizer a verdade, o dia 25 de dezembro estava chegando, pois o clima de Natal estava no ar há muito tempo, há pelo menos um mês. Lojas decoradas com motivos natalinos, árvores montadas nas casas, junto a piscas e toda sorte de enfeite, pessoas desesperadas atrás de presentes, papais noéis e seus duendes espalhados por todos os cantos, agüentando o calor tropical debaixo de uma roupa vermelha totalmente incoerente com a época do ano que vivemos.

Aquilo que era para ser uma data festiva, alegre, de paz e harmonia, na verdade não passava de uma data como outras. Pior ainda, era uma data que eu não fazia questão nenhuma de acompanhar.

Para mim, era algo artificial, totalmente mecânico e comercial, feito para que todos se sintam bem e varram para debaixo do tapete todos os problemas por um dia. Só que a sujeira continua lá, da mesma maneira que a colocamos, apenas esperando o amanhecer do dia 26 para começar a exalar o seu cheiro ruim.

Não conseguia sentir-me feliz, era como se eu esperasse por alguma coisa que não existe, uma angústia inexplicável que me faz torcer para tudo passar rápido, para que a rotina volte e eu posso, novamente, voltar ao meu normal.

Nem sempre as coisas foram assim. Quando criança eu adorava tudo isso, alguma pessoa vestida de Papai Noel carregando um saco vermelho cheio de presentes e, dentre eles, um para mim. E não me importava o conteúdo do pacote, ou o valor do mesmo, tão somente o fato de eu ter sido lembrado, de ter recebido algo.

Após isso a família toda se reunia na casa dos meus avós, muita gente, comida farta, alegria e, no final da noite, todo mundo cansado voltava para casa, de estômago cheio e carregando seus presentes.

Conforme eu fui crescendo, a rotina continuava a mesma, mas sem a mesma empolgação de antes. E os ânimos foram progressivamente esfriando até que meus avós falecerem, cada parte da família dispersou-se para um lado e o que eu conhecia por Natal deixou de existir.

E o vermelho foi substituído pelo cinza, as músicas natalinas deixaram de ser alegres para se tornarem melancólicas e a vontade de festejar simplesmente desapareceu.

No último Natal eu me lembro de muito pouco. Bebi muita cerveja, muito vinho, cheirei uma boa carreira e desmaiei no meu quarto bem antes da meia noite. Meu pai não gostou muito, minha mãe ficou chateada, mas pelo menos a noite passou rápido, e a ressaca do dia seguinte foi digna de um dia de Natal.

E esse ano que tinha tudo para ser um pouco melhor. Tinha era o melhor tempo verbal para expressar tudo, pois com tudo que aconteceu, esse estava para ser o pior Natal da minha vida.

terça-feira, outubro 20, 2009

Quando o Passado Convive Com o Presente

Tempos atrás escrevi um post sobre pessoas que só conseguem enxergar o passado no futebol, que futebol bom era o de outros tempos, que agora tudo isso é uma bosta e etc.

Só que isso é uma constante em todos os campos. Temos a infeliz mania de achar que tudo o que é bom é aquilo que conhecemos quando novos, e que tudo o que vem depois não presta mais, independente da qualidade que venha a ter.

A discussão mais insuportável é no campo musical. Me irrita neguinho vir dizer que o rock acabou nos anos 70, que banda boa era Led, Sabbath, Purple, Stones e que depois deles nunca mais nada que presta apareceu. Tá certo, eu gosto de muita coisa mais antiga, mas os anos 2000 nos deram muita coisa boa, como Coldplay, Muse, Killers, Kings of Leon, Keane entre diversas outras.

Mas vemos isso em diversos outros campos culturais e artísticos: cinema, teatro, desenhos, programas de humor, quadrinhos.

Essa coisa de viver no passado demonstra, pra mim, uma estagnação mental e intelectual total. É muito mais fácil lembrar das coisas do passado com a magia que só a inocência pode fornecer, manter essa imagem ilusória na mente e simplesmente ignorar tudo o que venha a seguir.

A graça da vida é descobrir coisas novas, e isso não significa abandonar as antigas. Não é aquela coisa de substituir uma pela outra, e sim de agregar, sempre.

Novas experiências, novos conhecimentos. Abrir a mente e aceitar que a vida é muito maior do que aquela caixa quadrada dentro da qual crescemos. E também mais divertida.

terça-feira, outubro 06, 2009

Whatafuck?

É, tem horas que a vida enche o saco. Você faz um planejamento para ela e, de repente, tudo dá errado. Você imagina que vai chegar numa certa idade com algumas conquistas e realizações, mas daí esta tal idade chega e passa e percebe-se que todo esse planejamento não funcionou pra porra nenhuma.

O pior é que a gente sempre se decepciona com isso, pois todos os nossos planos são positivos, nunca pensamos nos obstáculos e nos acidentes que existem no caminho, porque é assim que temos que planejar, temos que nos projetar e tudo isso tem que acontecer como num conto de fadas. Mas, até os contos de fadas têm problemas, como bruxas, dragões, lobos, maçãs envenenadas. Só que a diferença destes para a vida real é que na segunda não existe 'e viveram felizes para sempre', porque o para sempre nunca dura mais do que alguns instantes.

Instantes que podem ser horas, dias, meses ou anos, mas que acabam, porque é assim que tem que ser, é assim que essa merda ou essa bênção de coisa chamada vida funciona. Cicatrizes são souvenirs que a gente nunca perde, e que nos lembram de cada acontecimento. Pro bem e pro mal.

E quando os planos não se cumprem ou, pior, quando tua vida singra por mares nunca dantes navegados nem mesmo imaginados, forçosamente nos vemos obrigados, imperativamente, a pensar nela. Não necessariamente repensá-la, mas sim entender o que aconteceu no meio do caminho que fodeu com tudo? Quais caminhos restam? São eles acessíveis ainda?

Numa hora dessa, você se encontra nos extremos. Ao mesmo tempo que os caminhos são escassos, você tem todos os possíveis para seguir, já que o seu norte falhou. Qualquer caminho é um caminho, qualquer trilha é transitável, qualquer atalho é tentador.

No olho do furacão e no meio da tempestade, uma decisão precisa ser tomada, e nem sempre temos tempo de pensar muito. E ao mesmo tempo, todas elas passam por tua cabeça, num turbilhão de sensações, emoções e imagens. Nesta hora você faz o inimaginável, pois sabe que tua vida mudou. Se você sair dali (se sair, reforçando), nunca mais será a mesma pessoa.

Auto-sabotagem, abreviar o sofrimento, heroísmo desmedido e inútil, céu e inferno, crenças revistas, lágrimas, velas acessas e derretidas, força desconhecida habitando em você.

Toda tempestade pára, todo caminha se abre, mais dia menos dia, e daí é hora de tomar uma nova decisão. Qual decisão, a decisão correta?

Quem sabe, não existe 'a' decisão correta, e cada vez que respiramos ou piscamos os olhos, estamos escrevendo a nossa história.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Sexo

Você pode pensar que eu coloquei esse título aí acima apenas para chamar a atenção, e no fundo é um pouco assim. Eu pensei num monte de coisas pra escrever, mas ficou isso mesmo. Mas chega, não é um post para se falar sobre títulos e estratégias para aparecer nas primeiras páginas no Google, é pra falar sobre.... sexo.

Quando eu comecei esse blog, lá pra 2002, eu jamais pensaria em expor a minha vida nele, muito menos falar sobre sexo. Sexo era tabu literário, eu não tinha o mínimo tato para escrever sobre ele. O tempo foi passando e comecei a me expor mais aqui, falar de mim, mas mesmo assim de sexo não. Tanto que no meu livro não tem nenhuma mísera cena de sexo e, quando se fez necessário, foi 'com as luzes apagadas'.

Eu ficava meio puto da vida com isso, porque meus textos puritanos e ingênuos estavam me enchendo o saco, daí resolvi meter os dois pés no peito e escrever um texto erótico, sem meias palavras. E foi um, foram dois, foram três e, finalmente parece que eu perdi esta trava.

Certo, certo, só que mais um vez eu estou desviando o foco do assunto principal do post. É sexo, sim, mas não é sexo literário e sim o que eu penso do sexo. Ok, deixa eu explicar direito, não vou ficar aqui falando sobre minhas opiniões, posições, fantasias e essas coisas, porque tudo tem limite, mas sim sobre uma peculiaridade.

Sim, eu adoro sexo, e conforme o tempo foi passando eu aprendi a gostar cada vez mais (com certeza tem a ver com o fato de que melhoramos com o passar do tempo), só que você também passa a dar valor para outras coisas nele, não apenas o ato em si. Sem ser piegas e essas coisas, mas muitas vezes ficamos pensando em como é o sexo perfeito. E, confessem, é isso que todo mundo quer.

O sexo perfeito passa por diversas fases. Atração física, preliminares, ato em si e o pós. Daí pensa: pós o que, caralho? A preparação pra uma segunda? Claro que não! O pós é aquilo que se inicia no momento que o sexo em si acaba. Porque durante é fácil, tá na pegação, tudo é bom e gostoso. Mas e depois? E depois que goza? Faz o que? Deita de dorme? Ou manda a mina embora?

Fosse fácil assim. Todo mundo já teve a sensação de pós sexo, de olhar pra pessoa e pensar "puta que pariu, que merda eu fazendo aqui? Quero sumir daqui". Isso é mais comum que parece, e por outro lado é uma sensação horrível. Horrível pra gente e pra outra pessoa. É nisto que eu falo do tal sexo perfeito.

O sexo perfeito nem sempre é aquele em que você mais goza, ou que você demora mais tempo, ou que a pessoa é a mais gostosa, mas sim é aquele em que, quando acaba, você olha pra pessoa ao seu lado (ou embaixo, ou em cima, depende da posição), lhe dá um beijo e depois ficam abraçados, quietinhos, até pegarem no sono. O sexo, para ser perfeito, precisa ser seguido deste conforto que só temos com poucas pessoas na vida, deste abraço e deste cochilo, e nunca com a vontade de sumir ou de mandar alguém embora.

Tem uma fase da vida que a gente pensa que sexo é penetração e acabou, mas ainda bem que a gente cresce, evolui e descobre que sexo é muito mais do que isso. E, é aí que a gente passa a gostar muito mais dele!

domingo, setembro 06, 2009

E Viveram Felizes Para Sempre? Mesmo?

Finais felizes. Fiz um comentário sobre eles estes dias e a Ju comentou que gosta deles abaixo. O que é engraçado, pois eu não gosto de finais felizes, literariamente falando.

Falo isto quando eu escrevo, eu já tentei diversas vezes mas não consigo terminar as minhas histórias com um final feliz, por mais que eu tente. Parece que sempre fica meio óbvio, muito certinho e previsível, chato até. Você tem milhares de forma de uma história terminar 'mal', mas apenas uma para terminar bem. Então acho que eu tento fugir do batido.

Isto não faz de mim uma pessoa amarga e triste, como pode pensar alguém que leia os meus contos aí ao lado, é apenas uma forma de escrever. Deve ser por isso que eu tenho uma extrema dificuldade em escrever comédia.

Mas, pra vida, até eu que sou tonto prefiro finais felizes.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Quem Sou Eu Neste Merda?

A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam

Ruy Barbosa

Por que tem gente que rouba e, se devolver o que foi roubado, tá tudo tranquilo e eu, se roubar algo, vou preso, mesmo se devolver tudo?

Por que tem gente que pode xingar, ofender, falar merda a vontade de todo mundo, e se eu fizer o mesmo, sou processado?

Por que tem gente que passa em concurso sem prestar e ganha puta grana sem trabalhar, e eu tenho que me matar para ganhar meu salário suado?

Por que o Estado pode se negar a me oferecer segurança, saúda e educação, mas eu não posso me negar a pagar Impostos?

Por que tem gente que tem 'direito' a moradia, carro e mais um monte de coisas sem pagar nada, mesmo podendo pagar e eu não tenho carro e me mato pra pagar o aluguel e a conta do mercado?

Por que tem gente que não vai tomar no cu, porque eu estou cansado de tomar sozinho.

Assinado: Eu, qualquer brasileiro que você encontra pela rua, todos os dias.