ando só
pois só eu sei
pra onde ir
por onde andei
ando só
nem sei por que
não me pergunte
o que eu não sei
Quanto tempo de nossas vidas andamos só? Boa parte dela, podemos afirmar. Quantas vezes estamos sozinhos mesmo estando cercados por diversas pessoas? Muitas. E me sinto muito bem sozinho, muitas vezes isto é necessário, mas eu também sinto falta de não mais estar só, como todos.
O pecado mora ao lado
E o paraíso... paira no ar
E a solidão desaparece quando menos esperamos, sem qualquer explicação.
Cai a noite sobre a minha indecisão
Sobrevoa o inferno minha timidez
Um telefonema bastaria
Passaria a limpo a vida inteira
Cai a noite sem explicação
Sem fazer a ligação
É um estado de espírito. É um querer estar, muito mais do que um forçar estar. É mais simples do que parece, muito mais simples...
Já perdemos muito tempo brincando de perfeição
Esquecemos o que somos: simples de coração
Nós que complicamos...
Que a chuva caia como uma luva
Um diluvio um delírio
Que a chuva traga alivio imediato
...a vida, que é muito mais simples e suave e deliciosa que fazemos transparecer.
A vida é uma viagem
passagem só de ida
Há quem diga que não vale
E sim, eu quero. Quero isto que você está pensando, que você me disse.
Todos os dias eu venho ao mesmo lugar,
Às vezes fica longe, impossível de encontrar
Mas, quando o Bourbon é bom
Toda noite é noite de luar.
Quero, contra tudo, contra todos. Contra meus medos e minha demora. Quero.
Se faltar calor, a gente esquenta
Se ficar pequeno, a gente aumenta
E se não for possível, a gente tenta
Vamos velejar no mar de lama
Se faltar o vento, a gente inventa.
Você quer? Me quer?
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quarta-feira, agosto 12, 2009
quarta-feira, agosto 05, 2009
Refilmagem
Quantas vezes na vida você tem a sensação de estar passando por uma situação que já viveu antes? Não de forma idêntica, mais como um filme refilmado em outras locações, com outros atores, mas em que a história é a mesma.
Nas primeiras cenas você já reconhece o roteiro, pois está muito óbvio. Passa a segunda, a terceira cena e cada vez é mais claro. Por se tratar de um diretor diferente, as nuances e forma como a história se desenrola muda um pouco, os diálogos também, mas só isso. Os personagens continuam agindo da mesma maneira.
Ou não. Porque nesta refilmagem existe a possibilidade de mudar o roteiro, desde que o ator principal assim deseje. Também, porque ele conhece o outro filme, e pode corrigir algumas falhas.
Agora, se isso fará o filme melhor? Impossível dizer, pois alterar algumas partes do roteiro pode alterar o filme. E o anterior, apesar dos pesares, teve um final feliz.
Vale a pena?
Nas primeiras cenas você já reconhece o roteiro, pois está muito óbvio. Passa a segunda, a terceira cena e cada vez é mais claro. Por se tratar de um diretor diferente, as nuances e forma como a história se desenrola muda um pouco, os diálogos também, mas só isso. Os personagens continuam agindo da mesma maneira.
Ou não. Porque nesta refilmagem existe a possibilidade de mudar o roteiro, desde que o ator principal assim deseje. Também, porque ele conhece o outro filme, e pode corrigir algumas falhas.
Agora, se isso fará o filme melhor? Impossível dizer, pois alterar algumas partes do roteiro pode alterar o filme. E o anterior, apesar dos pesares, teve um final feliz.
Vale a pena?
quinta-feira, julho 30, 2009
Straight Eye for the Queer Guy
Antes um aviso: esse texto não faz questão alguma de ser politicamente correto. Assim, quem se irrita facilmente ou não sabe brincar, nem precisa continuar a leitura. Tchau.
No casamento do Roger e da Sá, estávamos bebendo e conversando eu, ele, o Fábio, o Toloi, o Naka e o Paulo, quando começou a tocar uma música da Madonna e um monte de gente foi dançar. Daí começamos a discutir se um homem pode gostar de Madonna e, chegamos a conclusão que ele pode até achar algumas músicas legais e achar ela gostosa, mas não pode ser fã dela, pois isto está restrito às mulheres e aos gays. Mas o problema é que existem alguns heterossexuais que gostam dela!
E, na verdade, o grande problema mesmo é que vivemos um momento em que a sociedade está tornando os homens cada vez menos homens, como se isso fosse um problema. Hoje, os exemplo de homens são o Hugh Grant, o Kaká e o Backham, filhos da mamãe bunda moles e que usam mais cremes que mulheres.
Para deixar bem claro, eu não estou falando de homossexuais, isso é uma outra história. Respeito eles, convivo muito bem com eles e quem me conhece sabe do que eu estou falando, mas sim dessa merda de 'macho' sensível que inventaram. Certo, como eu post na lista abaixo, o homem tem sim que respeitar a mulher, saber cozinhar, ajudar na casa e cuidar da aparência (com moderação) mas ao mesmo tempo não perde por nada o seu futebol, sabe trocar o pneu do carro e o chuveiro do banheiro, não ter problema em sentar num boteco sujo pra beber cerveja, comer amendoim e falar das gostosas.
Naquele casamento, com a pinga na cabeça, começamos a discutir como isso poderia mudar, como evitar que nós, machos de respeito, fossemos substituídos por essa coisa de metrossexual. Porque um macho de respeito abre a porta do carro pra mulher, mas quem dirige é ele. Passa perfume, mas não divide o creme com a namorada. E, se possível, não torce para o São Paulo. E chegamos a conclusão que essas coisinhas (também conhecidas na adolescência como emos) precisam é de um tratamento de choque.
Não existia na TV um programa chamado Queer Eye for the Straight Guy, onde cinco gays ajudavam um hetero? Então, nesta onda de reality shows concluímos que cairia muito bem um
Straight Eye for the Queer Guy, ou Machômetro, onde esses rapazinhos seriam levados para fazer coisas de macho, como tomar pinga as cinco da tarde em um bar de peão, trabalhar como servente de pedreiro, trocar o pneu de um carro e ir clube de strip, tendo que passar a mão na bunda das meninas e falar impropérios como 'gostosa, 'vagabunda' ou 'cachorra'.
Certo, são coisas extremas, exageradas, mas é parte da piada, ou do tratamento de choque mesmo. Cara quer ser homossexual, maravilha, é um direito de cada um escolher o que quer fazer com as suas coisas, mas não me venha com essa porra de macho sensível. Porque a mulher não quer um macho sensível, ela quer um gay para melhor amigo e um homem de verdade na cama.
E vivam os machos de respeito! Vamos tomar uma cerveja, dar uma coçada no saco e pegar umas gostosas pra comemorar.
No casamento do Roger e da Sá, estávamos bebendo e conversando eu, ele, o Fábio, o Toloi, o Naka e o Paulo, quando começou a tocar uma música da Madonna e um monte de gente foi dançar. Daí começamos a discutir se um homem pode gostar de Madonna e, chegamos a conclusão que ele pode até achar algumas músicas legais e achar ela gostosa, mas não pode ser fã dela, pois isto está restrito às mulheres e aos gays. Mas o problema é que existem alguns heterossexuais que gostam dela!
E, na verdade, o grande problema mesmo é que vivemos um momento em que a sociedade está tornando os homens cada vez menos homens, como se isso fosse um problema. Hoje, os exemplo de homens são o Hugh Grant, o Kaká e o Backham, filhos da mamãe bunda moles e que usam mais cremes que mulheres.
Para deixar bem claro, eu não estou falando de homossexuais, isso é uma outra história. Respeito eles, convivo muito bem com eles e quem me conhece sabe do que eu estou falando, mas sim dessa merda de 'macho' sensível que inventaram. Certo, como eu post na lista abaixo, o homem tem sim que respeitar a mulher, saber cozinhar, ajudar na casa e cuidar da aparência (com moderação) mas ao mesmo tempo não perde por nada o seu futebol, sabe trocar o pneu do carro e o chuveiro do banheiro, não ter problema em sentar num boteco sujo pra beber cerveja, comer amendoim e falar das gostosas.
Naquele casamento, com a pinga na cabeça, começamos a discutir como isso poderia mudar, como evitar que nós, machos de respeito, fossemos substituídos por essa coisa de metrossexual. Porque um macho de respeito abre a porta do carro pra mulher, mas quem dirige é ele. Passa perfume, mas não divide o creme com a namorada. E, se possível, não torce para o São Paulo. E chegamos a conclusão que essas coisinhas (também conhecidas na adolescência como emos) precisam é de um tratamento de choque.
Não existia na TV um programa chamado Queer Eye for the Straight Guy, onde cinco gays ajudavam um hetero? Então, nesta onda de reality shows concluímos que cairia muito bem um
Straight Eye for the Queer Guy, ou Machômetro, onde esses rapazinhos seriam levados para fazer coisas de macho, como tomar pinga as cinco da tarde em um bar de peão, trabalhar como servente de pedreiro, trocar o pneu de um carro e ir clube de strip, tendo que passar a mão na bunda das meninas e falar impropérios como 'gostosa, 'vagabunda' ou 'cachorra'.
Certo, são coisas extremas, exageradas, mas é parte da piada, ou do tratamento de choque mesmo. Cara quer ser homossexual, maravilha, é um direito de cada um escolher o que quer fazer com as suas coisas, mas não me venha com essa porra de macho sensível. Porque a mulher não quer um macho sensível, ela quer um gay para melhor amigo e um homem de verdade na cama.
E vivam os machos de respeito! Vamos tomar uma cerveja, dar uma coçada no saco e pegar umas gostosas pra comemorar.
sábado, julho 25, 2009
O Espelho É Nosso Reflexo Deturpado

Quando a Coraline atravessa a porta secreta, e sai no outro mundo, no primeiro momento é tudo bonito e agradável, é como se fosse uma versão perfeita do seu próprio mundo. Mas, conforme as situações foram se sucedendo, ela percebeu que lá era apenas uma versão deturpada de sua vida, que primeiro tentou agradá-la para depois devorá-la.
O espelho transmitia uma imagem deturpada de tudo, e é assim que funciona, porque na verdade ele reflete uma verdade inconveniente, aquela que quando pomos na boca é doce, mas que quando engolimos passa a ser amarga, deixando um gosto desagradável.
Estou com um gosto amargo na boca. Olhei para o espelho e vi a face pálida da mentira. Senti a dor infligida por cada pedaço de vidro que voou após o espelho estourar, cansado de fingir a verdade. Juntei os cacos, para montar uma nova peça e vi então os retalhos da minha face verdadeira.
Dizem que precisamos sentir na pele para saber o fazemos os outros sentir, mas nem sempre chega necessário tanto. Se conseguimos ver o outro lado do espelho, o opaco, sem brilho e sem reflexo, percebemos enfim como nos veem.
Não quero mais espelhos rachados nem imagens retalhadas. Não quero mais o gosto amargo que desce pela garganta, nem o peso da pedra que se acomoda no estômago. Não quero mais o calor que vem da dor de outrem. Não quero mais o reflexo deturpado de quem eu não sou. Não quero mais viver no Outro Mundo, ele não é mais legal, perdeu a graça.
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vida
sexta-feira, julho 24, 2009
Drive My Car
Baby you can drive my car
Yes I'm gonna be a star
Baby you can drive my car
And maybe I'll love you
Eu dirijo desde que eu fiz 18 anos. Fiz aniversário em um dia, no outro já estava entrando com a documentação na auto escola para dar entrada na papelada para tirar a minha habilitação. Desde lá, eu nunca fiquei sem carro, dirigia praticamente todos os dias, ia para todos os cantos possíveis e imaginários com o carro, mesmo que não fosse necessário.
Neste começo de ano, quando voltei para São Paulo, vim sem carro. E tive que me reeducar. Andava muito pouco de metrô e não sabia andar de ônibus, então só me restava começar do zero.
Alguns meses se passaram e, mais uma vez, essa cidade caótica me surpreendeu. Da primeira vez ela me mostrou que era muito legal, e fez meu ódio/temor desaparecer. Da segunda, me mostrou que não era nenhum bicho de sete cabeças dirigir por ela, chegando ao ponto de eu saber me locomover por praticamente toda a cidade. E agora, descobri que a vida sem carro em Sampa pode ser muito mais sossegada e divertida do que a motorizada.
Tá, tem horas ruins, como esta em que eu escrevo, com frio, chuva e pé molhado, mas só de imaginar o trânsito que está lá fora e que eu não terei que enfrentar, sinto um alívio enorme. Me habituei com o ônibus e o metrô, vou ouvindo música ou notícias, lendo ou até mesmo cochilando. E posso beber, não preciso me preocupar com o carro roubado, estragado ou batido, além do custo que eu não tenho.
Motivos esses que me levam a pensar se eu quero comprar um carro agora. Tinha planejado adquirir um no meio do ano, mas a pergunta que não quer se calar é: será que eu quero um? Sinceramente, ando pensando muito e acho que, neste momento, não quero não. O custo benefício não compensará.
Claro, um dia eu vou comprar, mas agora não, agradeço.
Yes I'm gonna be a star
Baby you can drive my car
And maybe I'll love you
Eu dirijo desde que eu fiz 18 anos. Fiz aniversário em um dia, no outro já estava entrando com a documentação na auto escola para dar entrada na papelada para tirar a minha habilitação. Desde lá, eu nunca fiquei sem carro, dirigia praticamente todos os dias, ia para todos os cantos possíveis e imaginários com o carro, mesmo que não fosse necessário.
Neste começo de ano, quando voltei para São Paulo, vim sem carro. E tive que me reeducar. Andava muito pouco de metrô e não sabia andar de ônibus, então só me restava começar do zero.
Alguns meses se passaram e, mais uma vez, essa cidade caótica me surpreendeu. Da primeira vez ela me mostrou que era muito legal, e fez meu ódio/temor desaparecer. Da segunda, me mostrou que não era nenhum bicho de sete cabeças dirigir por ela, chegando ao ponto de eu saber me locomover por praticamente toda a cidade. E agora, descobri que a vida sem carro em Sampa pode ser muito mais sossegada e divertida do que a motorizada.
Tá, tem horas ruins, como esta em que eu escrevo, com frio, chuva e pé molhado, mas só de imaginar o trânsito que está lá fora e que eu não terei que enfrentar, sinto um alívio enorme. Me habituei com o ônibus e o metrô, vou ouvindo música ou notícias, lendo ou até mesmo cochilando. E posso beber, não preciso me preocupar com o carro roubado, estragado ou batido, além do custo que eu não tenho.
Motivos esses que me levam a pensar se eu quero comprar um carro agora. Tinha planejado adquirir um no meio do ano, mas a pergunta que não quer se calar é: será que eu quero um? Sinceramente, ando pensando muito e acho que, neste momento, não quero não. O custo benefício não compensará.
Claro, um dia eu vou comprar, mas agora não, agradeço.
terça-feira, julho 21, 2009
Fotos Emboloradas no Sótão 2
Continuando a saga de separar as coisas velhas e jogar fora o que não presta, ontem a noite eu peguei os meus álbuns de fotos (pois é, antigamente a gente usava filme pra tirar foto e tinha que revelar em papel) e tratei de organizá-los. Primeiro, para colocar as fotos em um álbum só, de maneira mais organizada e também para descartar um monte desnecessárias.
Fotos, por motivos óbvios, nos remetem às lembranças do passado. Situações vividas e pessoas que você não tem mais contato, mas que, por um período de tempo, foram constantes em nossas vidas. Pelo fato de quase sempre tirarmos fotos em momentos alegres e descontraídos, as lembranças são as melhores possíveis. Tenho fotos de viagens, de churrascos, de bebedeiras, de shows, tanto tocados como assistidos ou mesmo fotos de nada, de ocasião especial alguma, apenas uma desculpa para fazer pose para uma máquina.
Eu não tenho muito o costume de tirar fotos, tanto que a minha máquina, que ainda está em SBO, é uma Kodak 2.o, que eu comprei no Canadá, em 2003, a qual eu raramente uso, então eu dependo da boa vontade dos outros para conseguir fotos. Mas tudo bem, sempre tem um viciado com uma câmera.
As fotos mais novas são digitais, e estão no HD do meu computador, de forma que as fotos selecionadas ontem têm, no mínimo 6 anos, e são filhas únicas, pois os negativos desapareceram.
Vendo as fotos, eu cheguei às seguites conclusões:
- eu era feio pra cacete
- eu me vestia muito mal
- eu tinha (tenho) cara de criança sem barba
- já tive uma porrada de corte de cabelo diferente
- muitos amigos que estão em muitas fotos pertencem à minha vida até hoje, pra minha alegria
- a gente adorava (adora) sair pra beber
- eu tive muitos momentos feliz
- e eu era feio pra cacete. ah, eu já disse isso...
Fotos, por motivos óbvios, nos remetem às lembranças do passado. Situações vividas e pessoas que você não tem mais contato, mas que, por um período de tempo, foram constantes em nossas vidas. Pelo fato de quase sempre tirarmos fotos em momentos alegres e descontraídos, as lembranças são as melhores possíveis. Tenho fotos de viagens, de churrascos, de bebedeiras, de shows, tanto tocados como assistidos ou mesmo fotos de nada, de ocasião especial alguma, apenas uma desculpa para fazer pose para uma máquina.
Eu não tenho muito o costume de tirar fotos, tanto que a minha máquina, que ainda está em SBO, é uma Kodak 2.o, que eu comprei no Canadá, em 2003, a qual eu raramente uso, então eu dependo da boa vontade dos outros para conseguir fotos. Mas tudo bem, sempre tem um viciado com uma câmera.
As fotos mais novas são digitais, e estão no HD do meu computador, de forma que as fotos selecionadas ontem têm, no mínimo 6 anos, e são filhas únicas, pois os negativos desapareceram.
Vendo as fotos, eu cheguei às seguites conclusões:
- eu era feio pra cacete
- eu me vestia muito mal
- eu tinha (tenho) cara de criança sem barba
- já tive uma porrada de corte de cabelo diferente
- muitos amigos que estão em muitas fotos pertencem à minha vida até hoje, pra minha alegria
- a gente adorava (adora) sair pra beber
- eu tive muitos momentos feliz
- e eu era feio pra cacete. ah, eu já disse isso...
domingo, julho 19, 2009
Fotos Emboloradas no Sótão
A grande maioria das nossas coisas (minhas e da minha família) encontram-se encaixotadas no sótão da casa que era da minha avó e numa salinha aos fundos dela. Décadas de coisas que não cabem mais nas nossas casas, uma vez que eu moro aqui em SP, minha irmã se casou e mudou pra Limeira e meus pais ainda moram com meus irmãos em SBO mas, como é menos gente, a casa passou a ser menor. E dá-lhe coisa velha guardada.
Eu sempre mexo lá, mas superficialmente, e nestes dias estamos tirando tudo de lá para desocupar a casa e separar o que é bom do que é ruim, pois tem muita coisa que é sem uso ou que se estragou neste tempo. E quando se mexe nisto, é como abrir uma caixa de lembranças. A cada caixa ou sacola aberta, as lembranças vão saltando, coisas ou fatos que nem me lembrava mais existirem reaparecem, deixando na boca um gostinho doce e ao mesmo tempo amargo, de tempos que já se foram e não voltam mais.
Livros dos mais diversos tipos, de direito, juvenis, romances, estudos. Quadrinhos. Revistas velhas. Fotos. Minha planilhas, histórias e dados de RPG. Meu poncho escoteiro. Minhas faixas de judô. Folhetos das minhas viagens. Utensílios do primeiro apartamento. Camisas de times. Muitas coisas de um tempo em que a vida era mais suave e eu era mais inocente e sorridente.
Naquele momento, e nas horas seguintes, uma sensação ruim se abateu sobre mim, um misto de tristeza e decepção, pois tal serviu para desencavar lembranças muito bem sepultadas, porém acho que ao final foi para o bem, para eu lidar melhor com isso e, finalmente, deixar as energias fluírem. Joguei caixas no lixo, separei livros para a biblioteca e roupas para quem precisa, mas, principalmente, me conscientizei que, por mais que não voltem mais, as boas lembranças não serão tomadas de mim, como muitas outras coisas foram.
Bem, pelo menos eu estou tentando me conscientizar, mas é um trabalho árduo.
terça-feira, julho 07, 2009
A Santíssima Trindade
Eu gosto é de mulher que gosta de futebol, toma cerveja e fala palavrão.
Eu já postei esta frase solta neste blog alguns anos atrás, quando não existia o Twitter, e cada dia que se passa eu me convenço mais da veracidade desta máxima. Claro, daí vem os mais puritanos, dizer que isto 'masculiniza' as mulheres, que se eu gosto disto deveria sair com homens e mais um monte de besteiras, mas eu ignoro estas merdas.
Conheci muitas mulheres lindas, femininas e sensuais, que também eram companhias incríveis numa mesa de boteco, com umas garrafas de cerveja na mesa e um jogo rolando na TV. Pra dizer a verdade, estas são as melhores, porque o assunto rende muito mais e não há a necessidade de se ficar cheio de dedos, com medo de assustar ou causar má impressão.
Não sei se vou me casar um dia nem quando eu vou namorar novamente, e também não existe uma receita de bolo para o amor, mas uma mulher que goste de futebol (se for palmeirense, melhor, mas não precisa ser), beba cerveja e fale palavrão é do caralho. E manda mais uma cerveja gelada e dois copos.
terça-feira, junho 30, 2009
E Porque no Final É Quase Tudo Sobre o Amor. Ou Alguma Coisa Perto Disto
Qual a receita de um bom filme? Calma, eu não estou falando daquelas obras primas, que surgem uma vez na vida, com um tema completamente inovador e que explodem o cérebro de quem assiste, mudando suas vidas para sempre e tornando-se atemporais. Não, eu falo bem menos do que isto, eu falo de um bom filme para mim, uma pessoa ‘comum’, que não conhece mais do que cinco diretores, que assiste mais filmes no DVD do que no cinema, mas que, por outro lado, adora se emocionar, se divertir ou se aterrorizar com eles.
Houve uma época da minha vida em que o filme precisava ter explosões ou lutas ou aventura ou mortes ou tudo ao mesmo tempo. Mas eu me cansei disto, ainda assisto alguns destes gêneros, mas estão longe de ser uma aposta certeira. Porém, eu acredito que não exista necessariamente uma receita, como de bolo, para ser fazer um grande filme, mas alguns quesitos ajudam em muito.
Um filme que nos divirta é sempre muito bem vindo. Claro, adoro alguns densos, mas nem sempre é o horário. É aquilo que chamo de filme de domingo a noite, quando você não está necessariamente a fim de pensar muito, apenas imergir numa história ficcional por aproximadamente duas horas, de pessoas imaginárias em situações imaginárias, mas que arranquem de nossos rostos carrancudos e cansados um sorriso.
Um bom roteiro também ajuda muito. Dá para ser bom sendo óbvio e dá para estragar uma história inovadora, mas convenhamos que sair do básico é muito interessante. Novidades, situações imprevisíveis, nada que nos deixe com um gosto de café requentado na boca.
Também gostamos de nos identificar com os personagens. Quando os vemos com problemas, dúvidas, angústias, sofrimento, conquistas, alegrias semelhantes àquelas que vivenciamos, temos uma tendência a nos apaixonar por eles, a torcer ou sofrer por e com eles. Afinal, todos nós passamos por estas sensações no decorrer de nossas vidas, mas temos a tendência egoísta de achar que tudo é conosco e apenas conosco, principalmente as situações mais amargas. E, vermos cenas que presenciamos na tela de uma TV ou do cinema nos faz sentirmos mais humanos.
Encaixando tudo isto, uma ótima trilha sonora. Canções que se encaixam em cada situação, que amplifiquem a emoção, tornando parte do universo retratado. Uma canção que nos faça sorrir ou que nos faça chorar. Porque a música tem esse poder, esse dom mágico de atingir a parte mais inatingível de nossa alma e arrancar nossos sentimentos à força.
Porém, precisamos de atores carismáticos e com química, pessoas que olhemos e nos espelhamos. Homens e mulheres que nos façam desejá-los, loucamente, e não porque eles são maravilhosos deuses gregos do photoshop, mas sim porque são normais, e isto é o que mais nos atrai.
E, finalmente, o amor. Sempre ele. O maldito amor. O bendito amor. O amor que constrói e o amor que destrói. O amor da certeza e o amor da dúvida. O amor puro e o amor turvo. O amor que você ama e o amor que você odeia. O amor, ou alguma coisa perto dele.
Sofremos com os personagens porque sofremos em nossas vidas. Também perdemos nossos amores, deixamos eles escapar pelos nossos dedos, como a areia levada pelo vento litorâneo, em direção ao mar. Sofremos porque fazemos merdas, insensatas e impensadas, que maculam tudo o que um dia foi perfeito e puro. Sofremos porque vemos a porta de nossas vidas abrir, o amor sair por ela e batê-la, para nunca mais abrir.
Mas também nos deleitamos com o primeiro amor, o primeiro verdadeiro amor, aquele que, ao sentimos, percebemos imediatamente que todos os que anteriormente vivemos não foram o que achávamos que eram. Sentimos borboletas no estômago e frio na espinha, mãos suadas, voz fraquejante e frases desconexas, a perda do senso crítico. Sentimos também a redescoberta do amor, o árduo trabalho de remover toda a rocha que cresceu em volta de nosso coração, deixando o rubi lapidado e brilhante para, então, perceber que a vida continua, que sempre há espaço para mais felicidade, basta deixarmos. E sabermos ler nas entrelinhas e nos pequenos detalhes da vida.
Muitos filmes já vi que se encaixam neste modelo, daqueles que você termina e pergunta ‘por que não posso ter uma vida dessa para mim’, mas dois são especiais. O primeiro é ‘Elizabethtown’, pois a primeira vez que eu o assisti, foi um tapa na minha cara, por estar num momento depressivo e solitário da minha vida e por mostrar que existe vida após o final no poço, basta sabermos deixar a vida fazer a sua parte. É um vídeo que agora faz parte da minha videoteca e que, com certeza verei e reverei novamente. E, como todo bom filme, o melhor não é o roteiro em si, e sim as pequenas partes.
Partindo disto, duas me são extremamente deliciosas. A primeira é a conversa que ambos tem por celular, que dura horas e horas, sem nunca acabar. Quem já se encantou por alguém sabe o que é perder horas num único telefonema e, assim que desligar, ficar com aquele gostinho amargo de quero mais. O segundo é a parte da viagem final, com as músicas e o mapa. Primeiro pelas canções em si, por eu ser um verdadeiro fanático por música e o segundo, pela sensação de liberdade de dirigir horas e horas a fio, sozinho, sem nada em que pensar e sem saber para onde a estrada vai te levar. Prometi, com isto, a mim mesmo, que assim que acertar a minha situação, farei uma desta, levando comigo apenas muitas canções, um mapa e o incerto, parando em cada ponto que me identificar para jogar as cinzas de uma era espinhosa, mas que moldou meu caráter. A despedida de uma vida e a celebração de uma nova era. É o roteiro que eu gostaria de ter escrito, se tivesse capacidade. E não exagero quando digo que é o filme da minha vida.
O segundo que me atingiu como um soco no queixo foi ‘The Last Kiss’. É uma história de dúvidas, de angústias, de mudança de uma fase para outra da vida, como se estivéssemos na beira de um desfiladeiro e tenhamos que escolher permanecer nesta beirada ou pularmos para o outro lado, pois é isto que esperam da gente. É sobre decisões. É sobre deixar para trás.
Afinal, estamos prontos para seguir adiante? E será que é mesmo necessário deixar para trás uma vida para viver outra? Casamentos que ruem por causa de filhos, separações que ruem corações, medos que ruem nossa confiança. Mas, afinal, amar não é ceder? E quem disse que o lado de lá não tem as suas vantagens?
Minto ao dizer que não penso muito sobre isto. Estou com 32 anos, tenho um sobrinho maravilhoso da minha irmã que é mais nova do que eu, estou vendo meus amigos se casarem, terem filhos, e eu, no momento encontro-me no limbo. Minto se disser que não quero isto novamente, pois já tive antes e me foi maravilhoso. Mas também minto se disser que não tenho medo, do que pode virar a minha vida com tão importante decisão.
Medo, é este o maior tempero da vida. Não existe nada na vida sem uma pontinha de medo, muito menos o amor. O amor e o medo caminham lado a lado, pois a comodidade é o pior inimigo do primeiro e o segundo é o ingrediente mágico para acabar com ela.
É, o amor é a razão de tudo. ‘All you need is love’. E é por ele que acordamos todos os dias. Para conquistá-lo ou para mantê-lo. Para descobri-lo ou para redescobri-lo. Para nos propiciar nosso maior sorriso, para abraçar a pessoa amada sem qualquer razão, para o doce sofrimento que só a saudade pode gerar. O amor é o mel e o fel, um completando ao outro. É a esperança, pois pior que a lágrima do amor perdido, é a dor de nunca ter amado.
Houve uma época da minha vida em que o filme precisava ter explosões ou lutas ou aventura ou mortes ou tudo ao mesmo tempo. Mas eu me cansei disto, ainda assisto alguns destes gêneros, mas estão longe de ser uma aposta certeira. Porém, eu acredito que não exista necessariamente uma receita, como de bolo, para ser fazer um grande filme, mas alguns quesitos ajudam em muito.
Um filme que nos divirta é sempre muito bem vindo. Claro, adoro alguns densos, mas nem sempre é o horário. É aquilo que chamo de filme de domingo a noite, quando você não está necessariamente a fim de pensar muito, apenas imergir numa história ficcional por aproximadamente duas horas, de pessoas imaginárias em situações imaginárias, mas que arranquem de nossos rostos carrancudos e cansados um sorriso.
Um bom roteiro também ajuda muito. Dá para ser bom sendo óbvio e dá para estragar uma história inovadora, mas convenhamos que sair do básico é muito interessante. Novidades, situações imprevisíveis, nada que nos deixe com um gosto de café requentado na boca.
Também gostamos de nos identificar com os personagens. Quando os vemos com problemas, dúvidas, angústias, sofrimento, conquistas, alegrias semelhantes àquelas que vivenciamos, temos uma tendência a nos apaixonar por eles, a torcer ou sofrer por e com eles. Afinal, todos nós passamos por estas sensações no decorrer de nossas vidas, mas temos a tendência egoísta de achar que tudo é conosco e apenas conosco, principalmente as situações mais amargas. E, vermos cenas que presenciamos na tela de uma TV ou do cinema nos faz sentirmos mais humanos.
Encaixando tudo isto, uma ótima trilha sonora. Canções que se encaixam em cada situação, que amplifiquem a emoção, tornando parte do universo retratado. Uma canção que nos faça sorrir ou que nos faça chorar. Porque a música tem esse poder, esse dom mágico de atingir a parte mais inatingível de nossa alma e arrancar nossos sentimentos à força.
Porém, precisamos de atores carismáticos e com química, pessoas que olhemos e nos espelhamos. Homens e mulheres que nos façam desejá-los, loucamente, e não porque eles são maravilhosos deuses gregos do photoshop, mas sim porque são normais, e isto é o que mais nos atrai.
E, finalmente, o amor. Sempre ele. O maldito amor. O bendito amor. O amor que constrói e o amor que destrói. O amor da certeza e o amor da dúvida. O amor puro e o amor turvo. O amor que você ama e o amor que você odeia. O amor, ou alguma coisa perto dele.
Sofremos com os personagens porque sofremos em nossas vidas. Também perdemos nossos amores, deixamos eles escapar pelos nossos dedos, como a areia levada pelo vento litorâneo, em direção ao mar. Sofremos porque fazemos merdas, insensatas e impensadas, que maculam tudo o que um dia foi perfeito e puro. Sofremos porque vemos a porta de nossas vidas abrir, o amor sair por ela e batê-la, para nunca mais abrir.
Mas também nos deleitamos com o primeiro amor, o primeiro verdadeiro amor, aquele que, ao sentimos, percebemos imediatamente que todos os que anteriormente vivemos não foram o que achávamos que eram. Sentimos borboletas no estômago e frio na espinha, mãos suadas, voz fraquejante e frases desconexas, a perda do senso crítico. Sentimos também a redescoberta do amor, o árduo trabalho de remover toda a rocha que cresceu em volta de nosso coração, deixando o rubi lapidado e brilhante para, então, perceber que a vida continua, que sempre há espaço para mais felicidade, basta deixarmos. E sabermos ler nas entrelinhas e nos pequenos detalhes da vida.
Muitos filmes já vi que se encaixam neste modelo, daqueles que você termina e pergunta ‘por que não posso ter uma vida dessa para mim’, mas dois são especiais. O primeiro é ‘Elizabethtown’, pois a primeira vez que eu o assisti, foi um tapa na minha cara, por estar num momento depressivo e solitário da minha vida e por mostrar que existe vida após o final no poço, basta sabermos deixar a vida fazer a sua parte. É um vídeo que agora faz parte da minha videoteca e que, com certeza verei e reverei novamente. E, como todo bom filme, o melhor não é o roteiro em si, e sim as pequenas partes.
Partindo disto, duas me são extremamente deliciosas. A primeira é a conversa que ambos tem por celular, que dura horas e horas, sem nunca acabar. Quem já se encantou por alguém sabe o que é perder horas num único telefonema e, assim que desligar, ficar com aquele gostinho amargo de quero mais. O segundo é a parte da viagem final, com as músicas e o mapa. Primeiro pelas canções em si, por eu ser um verdadeiro fanático por música e o segundo, pela sensação de liberdade de dirigir horas e horas a fio, sozinho, sem nada em que pensar e sem saber para onde a estrada vai te levar. Prometi, com isto, a mim mesmo, que assim que acertar a minha situação, farei uma desta, levando comigo apenas muitas canções, um mapa e o incerto, parando em cada ponto que me identificar para jogar as cinzas de uma era espinhosa, mas que moldou meu caráter. A despedida de uma vida e a celebração de uma nova era. É o roteiro que eu gostaria de ter escrito, se tivesse capacidade. E não exagero quando digo que é o filme da minha vida.
O segundo que me atingiu como um soco no queixo foi ‘The Last Kiss’. É uma história de dúvidas, de angústias, de mudança de uma fase para outra da vida, como se estivéssemos na beira de um desfiladeiro e tenhamos que escolher permanecer nesta beirada ou pularmos para o outro lado, pois é isto que esperam da gente. É sobre decisões. É sobre deixar para trás.
Afinal, estamos prontos para seguir adiante? E será que é mesmo necessário deixar para trás uma vida para viver outra? Casamentos que ruem por causa de filhos, separações que ruem corações, medos que ruem nossa confiança. Mas, afinal, amar não é ceder? E quem disse que o lado de lá não tem as suas vantagens?
Minto ao dizer que não penso muito sobre isto. Estou com 32 anos, tenho um sobrinho maravilhoso da minha irmã que é mais nova do que eu, estou vendo meus amigos se casarem, terem filhos, e eu, no momento encontro-me no limbo. Minto se disser que não quero isto novamente, pois já tive antes e me foi maravilhoso. Mas também minto se disser que não tenho medo, do que pode virar a minha vida com tão importante decisão.
Medo, é este o maior tempero da vida. Não existe nada na vida sem uma pontinha de medo, muito menos o amor. O amor e o medo caminham lado a lado, pois a comodidade é o pior inimigo do primeiro e o segundo é o ingrediente mágico para acabar com ela.
É, o amor é a razão de tudo. ‘All you need is love’. E é por ele que acordamos todos os dias. Para conquistá-lo ou para mantê-lo. Para descobri-lo ou para redescobri-lo. Para nos propiciar nosso maior sorriso, para abraçar a pessoa amada sem qualquer razão, para o doce sofrimento que só a saudade pode gerar. O amor é o mel e o fel, um completando ao outro. É a esperança, pois pior que a lágrima do amor perdido, é a dor de nunca ter amado.
terça-feira, junho 23, 2009
Grandes Saltos e a Confrontação
O futuro é sim olhar para trás. Dizer que o que passou, passou é simplista demais, é apenas ver uma face da moeda, uma parte do filme. É julgar um livro pela capa, ou por quantas cópias foram vendidas, sem chegar ao âmago da questão. É se acovardar e achar que as feridas do passado não deixaram cicatrizes algumas, mesmo que estas sejam tão aparentes que afetarão todo o teu futuro.
Não é apenas viver o presente, é saber ver o passado com os olhos de hoje e saber tirar as boas lições, porque por mais que a gente não admita, elas existem, sempre existem. Se o futuro é o que seremos, o passado é quem somos, porque o presente não existe, ele é tão efêmero e instantâneo que, quando percebemos, o presente já virou o passado.
Cada coisa imbecil que fizemos pode nos afetar de uma maneira indescritível, mas que só saberemos depois de muito tempo. Cada trauma, cada experiência mal sucedida, cada falha. Porque é isto que nos torna quem seremos, somos a soma das nossas decisões e atos do passado, a soma de nossos sucessos e fracassos. E isso ninguém toma de nós, para o bem, ou para o mal.
A questão é usar tudo isso a nosso favor, pois somos muito mais do que diplomas de papel pendurados na parede ou guardados no armário, somos muito mais do que ‘experiências anteriores’ anotadas numa folha, somos seres vividos, sofridos e amados.
O que precisamos é transformar as cicatrizes em tatuagens de nossa evolução e, diferente do que muitos dizem por aí, não esquecer as dores do nosso passado e sim nos lembrarmos delas a cada dia, pois sem elas, nada seríamos.
E, por mais boçal que possa parecer, dar um passo atrás para, depois darmos dois a frente pode ser uma boa estratégia. Muito melhor do que sentar na sarjeta e simplesmente chorar, esperando a ajuda divina.
O desfiladeiro é fundo, e outra borda é distante, mas existem outros meios de transpassá-lo que não o óbvio. Afinal, nada mais é a obviedade do que uma parceira de boteco da mediocridade e do comodismo.
Nunca é tarde, já que apenas podemos mensurar o passado, mas nunca o futuro.
Não é apenas viver o presente, é saber ver o passado com os olhos de hoje e saber tirar as boas lições, porque por mais que a gente não admita, elas existem, sempre existem. Se o futuro é o que seremos, o passado é quem somos, porque o presente não existe, ele é tão efêmero e instantâneo que, quando percebemos, o presente já virou o passado.
Cada coisa imbecil que fizemos pode nos afetar de uma maneira indescritível, mas que só saberemos depois de muito tempo. Cada trauma, cada experiência mal sucedida, cada falha. Porque é isto que nos torna quem seremos, somos a soma das nossas decisões e atos do passado, a soma de nossos sucessos e fracassos. E isso ninguém toma de nós, para o bem, ou para o mal.
A questão é usar tudo isso a nosso favor, pois somos muito mais do que diplomas de papel pendurados na parede ou guardados no armário, somos muito mais do que ‘experiências anteriores’ anotadas numa folha, somos seres vividos, sofridos e amados.
O que precisamos é transformar as cicatrizes em tatuagens de nossa evolução e, diferente do que muitos dizem por aí, não esquecer as dores do nosso passado e sim nos lembrarmos delas a cada dia, pois sem elas, nada seríamos.
E, por mais boçal que possa parecer, dar um passo atrás para, depois darmos dois a frente pode ser uma boa estratégia. Muito melhor do que sentar na sarjeta e simplesmente chorar, esperando a ajuda divina.
O desfiladeiro é fundo, e outra borda é distante, mas existem outros meios de transpassá-lo que não o óbvio. Afinal, nada mais é a obviedade do que uma parceira de boteco da mediocridade e do comodismo.
Nunca é tarde, já que apenas podemos mensurar o passado, mas nunca o futuro.
sexta-feira, junho 12, 2009
Home
Ontem, noite chuvosa de feriado, fui até o cinema assistir ao filme 'Minhas Adoráveis Ex-Namoradas', nome ridículo para uma comédia romântica que nada mais é que uma adaptação moderninha para o 'Um Conto de Natal' de Dickens, com a mudança do pecado, trocando a avareza pela luxúria.
Comédia levinha, bem divertida, com passagens engraçadas, muito romance água com açúcar, final feliz e previsível, enfim, programa muito recomendado para um dia dos namorados ou pessoas que acreditam que o amor muda tudo e supera qualquer coisa.
Mas, não é sobre isso que quero falar, sobre amor paixão e o caralho, porque eu ainda sou uma pessoa solteira, sem vontade de namorar e tudo isso aí, mas teve uma passagem do filme que me tocou, super rápida, mas que me atingiu. No final do filme, no brinde do padrinho, o personagem principal, solteirão convicto, fala para o irmão, noivo e único parente vivo, que ele está feliz com o casório e que os pais deles, onde estivessem, estavam felizes com tudo isso.
Estou numa fase bem complicada profissionalmente, mas tudo isso se amplifica assustadoramente quando parte do fato que nos últimos anos eu trabalhei com toda a minha família, ou seja: pai, mãe e irmãos, num mesmo e problemático ambiente profissional, gerando um caos que, inevitavelmente afetou o relacionamento familiar. E muito.
E para mim tudo isso é uma grande merda, porque eu amo a minha família, sempre tivemos um relacionamento muito bom apesar de tudo e, de uns anos para cá, este relacionamento veio ruindo ao ponto de eu brigar todos os dias com eles e precisar sair da empresa e de casa pra não virar um problema maior.
Hoje estou num momento de transição. Morando em SP, trabalhando meio que sozinho (ainda ajudo algumas coisas lá) mas ainda não consegui eliminar meus demônios interiores. E me dói muito quando eu vejo momentos em que a família se reúne com alegria e paz, pois eu já me esqueci do que é isso. E é a coisa que eu mais sinto falta na minha vida.
Hoje é dia dos namorados? Dia de falar ou demonstrar sentimento? Falar sobre amores?
Ótimo, então eu falo sobre isso, não tenho pudores. Já tive diversas namoradas, todas as vezes que eu disse "eu te amo" foi do fundo do meu coração e de todas elas eu trago ótimas lembranças. Mas o maior amor da minha vida é a minha família e, por mais que eu reclame deles, brigue, xingue, perca a paciência, é aquela porra da dualidade amor e ódio.
O principal motivo que eu odeio a situação pelo qual eu passo não é a falta de grana ou ter que trabalhar muito e aguentar humilhações e ironia das pessoas, mas sim o que tal fez com a nossa relação familiar. A pior merda da minha vida hoje é não conseguir sentar numa mesa para jantar e conversar qualquer coisa que não seja trabalho ou lamentações provenientes dele.
Então, dói demais ter que mudar da cidade e não ter vontade de visitá-los. Dói ficar longe dos meus pais, meus irmãos e meu sobrinho. Dói mais ainda saber que quando eu os encontrar, agora, nada vai ter mudado e o clima vai estar pesado, e que não haverá nada de bom para conversar. Mas é isto que me faz lutar. Não quero ficar rico, não quero ganhar fortunas nem atingir algum posto de status, eu quero é enterrar tudo isso e recuperar o que eu já tive.
Quero conversar com meus pais numa boa, ir a jogos com meu pai e meu irmão, ficar falando sobre minha vida com minha mãe, ir a shows com meus irmãos e, finalmente, poder curtir o meu sobrinho em paz. No fundo, é para isso que eu luto. Se eu tivesse a escolha de abrir mão de qualquer coisa na minha vida para conseguir isso, eu faria, imediatamente, sem qualquer concessão. Abriria mão de qualquer sonho, de qualquer conquista extra, para resolver toda esta questão, pois não há dor maior que ver tua família desmoronar e você não poder fazer nada. Bom como, creio, não há alegria maior do que vencer tudo isso, unidos.
Comédia levinha, bem divertida, com passagens engraçadas, muito romance água com açúcar, final feliz e previsível, enfim, programa muito recomendado para um dia dos namorados ou pessoas que acreditam que o amor muda tudo e supera qualquer coisa.
Mas, não é sobre isso que quero falar, sobre amor paixão e o caralho, porque eu ainda sou uma pessoa solteira, sem vontade de namorar e tudo isso aí, mas teve uma passagem do filme que me tocou, super rápida, mas que me atingiu. No final do filme, no brinde do padrinho, o personagem principal, solteirão convicto, fala para o irmão, noivo e único parente vivo, que ele está feliz com o casório e que os pais deles, onde estivessem, estavam felizes com tudo isso.
Estou numa fase bem complicada profissionalmente, mas tudo isso se amplifica assustadoramente quando parte do fato que nos últimos anos eu trabalhei com toda a minha família, ou seja: pai, mãe e irmãos, num mesmo e problemático ambiente profissional, gerando um caos que, inevitavelmente afetou o relacionamento familiar. E muito.
E para mim tudo isso é uma grande merda, porque eu amo a minha família, sempre tivemos um relacionamento muito bom apesar de tudo e, de uns anos para cá, este relacionamento veio ruindo ao ponto de eu brigar todos os dias com eles e precisar sair da empresa e de casa pra não virar um problema maior.
Hoje estou num momento de transição. Morando em SP, trabalhando meio que sozinho (ainda ajudo algumas coisas lá) mas ainda não consegui eliminar meus demônios interiores. E me dói muito quando eu vejo momentos em que a família se reúne com alegria e paz, pois eu já me esqueci do que é isso. E é a coisa que eu mais sinto falta na minha vida.
Hoje é dia dos namorados? Dia de falar ou demonstrar sentimento? Falar sobre amores?
Ótimo, então eu falo sobre isso, não tenho pudores. Já tive diversas namoradas, todas as vezes que eu disse "eu te amo" foi do fundo do meu coração e de todas elas eu trago ótimas lembranças. Mas o maior amor da minha vida é a minha família e, por mais que eu reclame deles, brigue, xingue, perca a paciência, é aquela porra da dualidade amor e ódio.
O principal motivo que eu odeio a situação pelo qual eu passo não é a falta de grana ou ter que trabalhar muito e aguentar humilhações e ironia das pessoas, mas sim o que tal fez com a nossa relação familiar. A pior merda da minha vida hoje é não conseguir sentar numa mesa para jantar e conversar qualquer coisa que não seja trabalho ou lamentações provenientes dele.
Então, dói demais ter que mudar da cidade e não ter vontade de visitá-los. Dói ficar longe dos meus pais, meus irmãos e meu sobrinho. Dói mais ainda saber que quando eu os encontrar, agora, nada vai ter mudado e o clima vai estar pesado, e que não haverá nada de bom para conversar. Mas é isto que me faz lutar. Não quero ficar rico, não quero ganhar fortunas nem atingir algum posto de status, eu quero é enterrar tudo isso e recuperar o que eu já tive.
Quero conversar com meus pais numa boa, ir a jogos com meu pai e meu irmão, ficar falando sobre minha vida com minha mãe, ir a shows com meus irmãos e, finalmente, poder curtir o meu sobrinho em paz. No fundo, é para isso que eu luto. Se eu tivesse a escolha de abrir mão de qualquer coisa na minha vida para conseguir isso, eu faria, imediatamente, sem qualquer concessão. Abriria mão de qualquer sonho, de qualquer conquista extra, para resolver toda esta questão, pois não há dor maior que ver tua família desmoronar e você não poder fazer nada. Bom como, creio, não há alegria maior do que vencer tudo isso, unidos.
quarta-feira, junho 10, 2009
The Day I Tried to Live
O dia dos namorados está chegando. Ponto. Não me arrisco a contar peripécias ou decepções amorosas por aqui por dois motivos: primeiro que a Alê tá fazendo isso primeiro e muito bem, segundo porque eu realmente não tenho tanta coragem de me expor. No fundo eu sou um cara envergonhado e também não tenho muito orgulho deste meu passado, assim certas coisas devem permanecer muito bem escondidinhas.
Porém, o foco é o dia dos namorados em si. Já passei diversos acompanhados, diversos desacompanhados. Neste ano passarei sem patroa, a pensão está sem dona e acho que não será o último destes dias que passarei sozinho, já que namorar não está nos meus planos a curto prazo.
Ok ok, muitos virão para dizer que certas coisas não se planejam e que esta é uma delas, e eu concordo, mas convenhamos que você estar receptivo ajuda em muito no processo. Mas, sem mágoas. Os namoros que tive me trouxeram mais coisas boas do que ruins, cada um do seu jeito e graças a Deus consigo manter uma relação saudável e amistosa com a maioria delas.
Mas o dia dos namorados está chegando e eu não sei o que vou fazer. Para mim, é um dia como outro qualquer, já que não sou muito ligado em datas comemorativas. Então, qualquer plano está valendo.
E o bom é que eu não vou precisar comprar presente pra ninguém, já que tô duro pra caralho!
Porém, o foco é o dia dos namorados em si. Já passei diversos acompanhados, diversos desacompanhados. Neste ano passarei sem patroa, a pensão está sem dona e acho que não será o último destes dias que passarei sozinho, já que namorar não está nos meus planos a curto prazo.
Ok ok, muitos virão para dizer que certas coisas não se planejam e que esta é uma delas, e eu concordo, mas convenhamos que você estar receptivo ajuda em muito no processo. Mas, sem mágoas. Os namoros que tive me trouxeram mais coisas boas do que ruins, cada um do seu jeito e graças a Deus consigo manter uma relação saudável e amistosa com a maioria delas.
Mas o dia dos namorados está chegando e eu não sei o que vou fazer. Para mim, é um dia como outro qualquer, já que não sou muito ligado em datas comemorativas. Então, qualquer plano está valendo.
E o bom é que eu não vou precisar comprar presente pra ninguém, já que tô duro pra caralho!
terça-feira, junho 02, 2009
Realocação Profissional
Quem foi o cara que disse que experiência é uma coisa boa? Está certo, normalmente é, mas as vezes pode jogar contra você. Sou formado em direito desde 1999, minha OAB data de abril de 2000 porém, desde o final de 2002 deixei de ser advogado em tempo integral. Menos ainda, neste período acompanhei uns poucos processos, a maioria que eu tinha proposto antes de me afastar, assinei uma ou outra coisinha nova e dei algumas consultas preventivas.
Mais ou menos na metade do ano passado, eu estava desanimado com a falta de perspectivas com meu emprego na época e louco para voltar a morar em São Paulo, então não me restou outra alternativa a não ser tirar o diploma do armário, tirar a poeira dele e montar um currículo.
Sou formado em uma faculdade do interior e sem qualquer tipo de pós graduação, o que fode com meu currículo, então, tive que enfiar o orgulho no bolso, bem guardadinho, e me candidatar às vagas de advogado júnior. Para entender melhor, advogado júnior é aquele recém formado, e lá estava eu, com 8 anos de experiência me candidatando à mesma vaga.
Meses, sem ser chamado para fazer uma mísera entrevista de emprego, até que um dia me ligaram. Fui até a empresa de rh, eu e mais sei-lá-quantos-mas-eram-muitos, de todas as idades, sentados numas carteiras de escola, respondendo uns questionários e depois aguardando pela entrevista em si. Depois de umas quatro horas de espera, fui chamado para conversar com a entrevistadora. Ela olhou meu currículo, conversou sobre as experiências, e soltou que eu era muito qualificado para a vaga, que pagava pouco e, desta forma, eu provavelmente sairia da empresa na primeira oportunidade.
Descobri então que eu estou no limbo profissional. Muito qualificado para algumas vagas, pouco para as outras. Mas, então, onde eu me encaixo? Que merda é essa?
Foda, preciso de uma pós urgente.
Mais ou menos na metade do ano passado, eu estava desanimado com a falta de perspectivas com meu emprego na época e louco para voltar a morar em São Paulo, então não me restou outra alternativa a não ser tirar o diploma do armário, tirar a poeira dele e montar um currículo.
Sou formado em uma faculdade do interior e sem qualquer tipo de pós graduação, o que fode com meu currículo, então, tive que enfiar o orgulho no bolso, bem guardadinho, e me candidatar às vagas de advogado júnior. Para entender melhor, advogado júnior é aquele recém formado, e lá estava eu, com 8 anos de experiência me candidatando à mesma vaga.
Meses, sem ser chamado para fazer uma mísera entrevista de emprego, até que um dia me ligaram. Fui até a empresa de rh, eu e mais sei-lá-quantos-mas-eram-muitos, de todas as idades, sentados numas carteiras de escola, respondendo uns questionários e depois aguardando pela entrevista em si. Depois de umas quatro horas de espera, fui chamado para conversar com a entrevistadora. Ela olhou meu currículo, conversou sobre as experiências, e soltou que eu era muito qualificado para a vaga, que pagava pouco e, desta forma, eu provavelmente sairia da empresa na primeira oportunidade.
Descobri então que eu estou no limbo profissional. Muito qualificado para algumas vagas, pouco para as outras. Mas, então, onde eu me encaixo? Que merda é essa?
Foda, preciso de uma pós urgente.
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quinta-feira, maio 28, 2009
O Tal Lado Negro da Força
O tal lado negro da força, o lado negro da lua, o inferno de Dante. O frágil limiar entre o bem e o mal, aquele que transpassamos todos dos dias, o tempo todo. Um passo para a direita, outro para a esquerda, um passo na luz, outro nas sobras. O cinza, que não é nem branco nem preto, nem claro nem escuro.
A nossa vida não tem como ser retilínea, pois é impossível caminhar com retidão, independente em qual direção caminhe, pois os vales não são planos e os obstáculos estão em todos os lugares.
E, por mais que tentemos, muitas vezes nos devíamos do caminho que planejamos, por diversos motivos. A sombra do outro lado é maior e mais confortável, o piso é menos pedregoso. Ou simplesmente somos levados, por nós e por outros, a um sutil desvio que, a primeiro momento pode não parecer nada, mas que, após algum tempo, se faz claramente visível.
Só que vivemos uma realidade cruel, que nos molda com brasa enegrecida e exige que nos adaptemos, para não sucumbirmos.
Por tudo isso, é foda quando você para pensar e percebe que tudo isso contado aí pra cima aconteceu. Sem você perceber o couro vai ficando duro, você se deixa afetar menos pelas coisas, mas, ao mesmo tempo, perde a sensibilidade para com certos acontecimentos. Não se compadece mais tanto, não se emociona também. E, no embalo do post anterior, eu não falo isso apenas com relação aos relacionamentos, falo num contexto muito mais amplo. O mais amplo possível.
As cores não são mais tão vibrantes, os sons não vibram como costumavam vibrar, o sorriso não é mais tão alegre. Fecha-se numa ostra, torna-se egoísta. Não quer fazer tudo isso, porque dói, mas não consegue. Então, você se acostuma e aprende a lidar com isso.
Porque o mundo não apenas preto ou branco, e sim diversos tons de cinza.
A nossa vida não tem como ser retilínea, pois é impossível caminhar com retidão, independente em qual direção caminhe, pois os vales não são planos e os obstáculos estão em todos os lugares.
E, por mais que tentemos, muitas vezes nos devíamos do caminho que planejamos, por diversos motivos. A sombra do outro lado é maior e mais confortável, o piso é menos pedregoso. Ou simplesmente somos levados, por nós e por outros, a um sutil desvio que, a primeiro momento pode não parecer nada, mas que, após algum tempo, se faz claramente visível.
Só que vivemos uma realidade cruel, que nos molda com brasa enegrecida e exige que nos adaptemos, para não sucumbirmos.
Por tudo isso, é foda quando você para pensar e percebe que tudo isso contado aí pra cima aconteceu. Sem você perceber o couro vai ficando duro, você se deixa afetar menos pelas coisas, mas, ao mesmo tempo, perde a sensibilidade para com certos acontecimentos. Não se compadece mais tanto, não se emociona também. E, no embalo do post anterior, eu não falo isso apenas com relação aos relacionamentos, falo num contexto muito mais amplo. O mais amplo possível.
As cores não são mais tão vibrantes, os sons não vibram como costumavam vibrar, o sorriso não é mais tão alegre. Fecha-se numa ostra, torna-se egoísta. Não quer fazer tudo isso, porque dói, mas não consegue. Então, você se acostuma e aprende a lidar com isso.
Porque o mundo não apenas preto ou branco, e sim diversos tons de cinza.
terça-feira, maio 26, 2009
My Big Bang Theory
Descobri por acaso o The Big Bang Theory, em um dia, ano passado, na casa da minha irmã. Foi o episódio do 'Halo Night' e, apesar já estar na metade, ficamos eu e meu cunhado assistindo. Como eu não tinha tv a cabo em casa, passei a baixar todos para assistir e, bastaram poucos para eu me viciar na mesma.
Mas o tema aqui não é a série em si, mas o contexto, do universo nerd. Eu sei que, se alguns amigos lessem esse blog, eles me xingariam, mas como não lêem, fodam-se, posso falar toda sorte de besteira que eu quiser. Eu nunca gostei muito de estudar e não entendo porra nenhuma de física e química, o que 'aprendi' foi na época do cursinho e foi o suficiente para eu não zerar no vestibular, mas tive uma adolescência extremamente nerd, com amigos nerds, e muitos passatempos iguais aos deles.
Certo, eu jogava basquete e ia ao clube à noite nos fins de semana (quem viveu no interior sabe o que isso significa), mas não bebia, jogava joguinhos em computador, lia quadrinhos e jogava RPG. Véio, nerd pra caralho!!!
E quando o assunto é mulher, todo nerd se enquadra em um dos quatro estereótipos. Têm os que não ligam pra mulher, como o Sheldon, os que tem pânico perto de mulher como o Raj, os desesperados por mulher (e, consequentemente, atrapalhados), como o Howard e aqueles que ficam pensando um milhão de vezes pensando no que dizer para uma mulher, e que ao final são passados para trás por um cara mais cool e despojado.
Quando adolescentes, chamávamos isso de queijo, no qual o modelo era o Charlie Brown com sua famosa garotinha ruiva, mas nos anos 2000, creio que o Leonard poderia muito bem ocupar esse papel. E, pensando neste sentido, eu passei bons anos da minha vida 'produtiva' com síndrome de Leonard Hofstadter. Quantas e quantas vezes eu deixei de sair com alguém por puro cagaço, por achar que ela iria rir de mim, iria me ignorar. Quantas vezes não saí do campo do platônico.
Toda aquela merda que te ensinam quando você é criança, que você precisa ser educado, respeitar as mulheres, ser galante, somada com uma auto estima abalada (síndrome de patinho feio, esse texto tá parecendo tratado de psicologia), faz tua vida amorosa ser um área improdutiva, daquelas que o MST invade.
Mas é foda, você cresce e percebe que não é assim que funciona. O Leonard dentro de você percebe que a Penny só está esperando você chegar nela com confiança, agarrá-la pela cintura, dar-lhe um beijo na boca de tirar o fôlego, e convidá-la para ir até tua casa. Ela não quer rodeios, ela quer ação.
E não é só isso, você descobre que de nada adianta ser o genro que toda mãe quer, se a filha não te quer. Melhor é ser aquele cara que está comendo a filha dela e que ela não gosta. É muito mais divertido e faz muito melhor pro teu ego (e pra outras coisas também).
O Leonard é um cara legal, assim como é o Charlie Brown, mas, como em tudo na vida, o campo amoroso não perdoa os bonzinhos. Não há espaço para aqueles muito respeitadores e, convenhamos, vocês mulheres podem me xingar, mas nenhuma de vocês gosta de caras bonzinhos. Vocês gostam de atitude e, queiram ou não, atitude vem num pacote onde aparecem outras 'qualidades' que não são as que eu descrevi acima, muito pelo contrário.
Se existe um adesivo escrito "mulheres boazinhas vão para o céu, e as más para onde quiserem", o dos homens poderia ser "homens bonzinhos não vão pra lugar nenhum e os maus vão pra cama com mulheres". É assim que funciona, vocês xingam a gente, mas no final só querem os que não prestam. Você tenta ser respeitador e, quando respeita os limites, é chamado de viado ou de brocha.
Um dia o jogo mudou, e eu descobri que a vida é muito mais divertida quando você perde o medo de levar um fora (até porque daí você recebe muito menos) e descobre que dá sim pra sair comendo mulheres por aí, que isso não acontece só no cinema.
Fiz coisas divertidas demais no meu passado nerd, e ainda me considero um, pelos meus gostos e tudo mais, não tenho problema algum com isto, mas torna-se muito mais divertido quando você não transporta esta nerdice para sua vida amorosa.
Houston, We Have a Problem
É quando o relógio avisa que a noite acabou e o sol nasceu, dando início a mais um dia de trabalho. O céu está claro (bem, em SP nem sempre) e hora de acordar, levantar e se preparar para um novo dia.
Mas quem disse que eu consigo? Eu tenho uma dificuldade absurda em acordar cedo, e meu cérebro tem uma dificuldade maior ainda de funcionar antes do sol estar a pino. Sei lá se existe alguma explicação biológica mesmo ou se é aquilo que comumente chamamos de preguiça.
Certo, agora é cedo. Muito cedo pro meu gosto mas já estou atrasado para o trabalhos. See ya.
sábado, maio 16, 2009
Prudência
No último ensaio, conversamos sobre postar bêbados, e concluímos que não presta. Então, não vou escrever nada por aqui, apesar de que teria muita coisa para dizer....
sexta-feira, maio 15, 2009
Being Hiran

Algumas pessoas são viciadas em filmes, precisam ir sempre ao cinema, acompanhar todos os lançamentos, estar por dentro das novidades. Eu gosto de filmes, mas ultimamente o meu vício são as séries, não posso descobrir uma nova que preciso baixar o piloto para saber como ela é. E, em minha última busca, eu descobri uma série chamada ‘Being Erica’, a qual baixei o primeiro episódio.
Não sei realmente se essa série passa no Brasil ou não, mas eu não me lembro de tê-la visto em nenhum canal, e olha que agora eu tenho cabo em casa. Para dizer a verdade, eu nem sei o motivo de tê-la baixado, acho que entrou no meio do pacotão, mas foi uma grata surpresa. Mais do que isso, foi uma das poucas vezes que vi uma série e disse “eu queria ter escrito essa história”.
Falo isso não porque é algo sensacional, até porque só vi um episódio, mas sim por eu ter me identificado com ela. Primeiro, ela se passa em Toronto e as imagens do Eaton Center e do Hard Rock Café iluminados me lembram de uma época muito especial na minha vida, onde tudo era mais leve e alegre.
Mas o verdadeiro motivo dessa identificação foi o monólogo inicial, que se começa logo na primeira cena. Erica relata sua vida: 32 anos, solteira, quando jovem tinha um futuro promissor mas, em algum lugar ela se perdeu e, agora, não estava realizada nem pessoal nem profissionalmente, enquanto todas as pessoas ao seu redor estavam ambos e, por conseqüência, com pena dela. Diversas decisões equivocadas no transcorrer de sua vida fizeram com que sua vida estagnasse.
Caralho, eu poderia ter escrito isso! Isso é o que passa pela minha cabeça praticamente todos os dias quando eu acordo! Não se de onde o cara que escreveu tirou isso mas, vi minha vida passando na tela de um computador, no papel de uma mulher com cara de menina (até isso...).
No transcorrer do episódio, percebi que o mote da série deve ser ela tentar corrigir os erros do passado, por intermédio de um tipo de psicólogo ou o que quer que seja, que está mais para o Dr. Estranho, que tem o poder de teleportá-la ao passado, para uma série de eventos frustrantes e/ou vexatórios de sua vida, que ela listou numa folha de papel, e que ajudaram, de uma forma ou de outra, a jogá-la na vala que agora habita.
Pouco tempo atrás escrevi neste blog sobre o efeito borboleta e eventos passados que eu gostaria de alterar, e não teria a menor dificuldade de preencher as duas folhas de fatos que a Erica preencheu para o tal psicólogo.
Claro, como quase toda boa série (ou mesmo as séries ruins), ela tenta passar uma mensagem positiva, e o que eu percebi vendo esse primeiro, foram duas coisas: refazer o passado não significa que a gente vai acertar, podemos errar ainda pior; e que muita vezes, vendo certas situações com olhos mais experientes (velho é a $#@%$&), percebemos nuances e detalhes que deixamos passar em branco.
Estou até vendo, no final ela vai perceber que o passado já está escrito, que a mudança está dentro dela, basta ela acreditar e fazer algo para que seu presente e seu futuro possam ser pintados com tintas mais coloridas, mas, eu queria muito poder voltar ao passado e reescrever certos capítulos da minha história. E pau no cu da borboleta.
quinta-feira, abril 23, 2009
Sick Sick Sick
Quando alguém me pergunta: "desde quando você tem problemas de estômago", eu respondo: "desde que eu me lembro".
Meu histórico de idas ao gastro é maior do que todas as minhas idas às outras especialidades juntas. Já fiz todos os exames possíveis e imagináveis (endoscopias já perdi as contas), uma operação de hérnia de hiato, tomei diversos tipos de medicamentos e até agora eu não consigo me ver livre destas dores e incômodos. Isto porque meu caso já foi entendido (não diagnosticado, porque todos os exames não indicam nada conclusivo) como emocional.
É um fato que qualquer problema emocional, psicológico, qualquer simples alteração no meu humor é somatizada diretamente no meu sistema estomacal-intestinal. Daí começam as dores, os incômodos, que duram dias.
E agora ele deu tilt novamente.
domingo, abril 19, 2009
What If...?
Aproveitei esses dias de ócio relativo e que o Du tem todas as caixas de Friends, para continuar a assistir aos episódios na ordem cronológica, uma vez que assisti praticamente todos, mas meio saltados, de maneira aleatória.
Assim, estou terminando a 6ª temporada e ontem eu vi um episódio que eu não havia assistido, que trata de uma realidade alternativa, onde mostra como eles estariam se, no passado, cada um tivesse tomado uma atitude diferente, ou algo tivesse ocorrido, afetando o presente/futuro de uma forma brusca. Como seria o universo Friends se o Ross não tivesse se separado da Carol, se o Joey ainda estivesse no elenco de Days of Ours Lives, se o Chandler tivesse seguido o sonho dele de fazer roteiros humorísticos, se a Rachel não tivesse se separado do Barry, se a Mônica não tivesse emagrecido e se a Phoebe fosse uma corretora da bolsa.
É o conhecido efeito borboleta, onde uma decisão afeta o destino não só da pessoa, como o do universo a sua volta.
A Marvel Comics tem uma revista chamada What If...?, que mostra esses futuros alternativos se certas coisas tivessem ocorridos diferente com os seus personagens, tais como se o Homem Aranha tivesse se tornado parte do Quarteto Fantástico ou se o Capitão América fosse o presidente eleito dos EUA.
Mente quem diz que nunca pensou como seria a sua vida se tal decisão, no passado, fosse diversa daquela tomada, e eu não sou diferente, principalmente levando em conta o inferno astral (e real) que tenho vivido nos últimos anos. Se eu fosse um personagem da Marvel, imagino como teria sido a minha vida se eu...
- tivesse investido nas minhas aulas de violão quando tinha 9 anos;
- não tivesse 'me precipitado' em fazer Direito no meio do ano de 1995 e tivesse esperado até os vestibulares de fim de ano, escolhendo uma faculdade (e carreira) com mais calma;
- no lugar de começar um estágio com uma advogada, tivesse apostado na vontade de um então dono de uma livraria em Limeira, de abrir uma filial em Piracicaba, especializada em coisas geek, que eugerenciaria;
- tivesse focado a minha vida pós faculdade em estudar e passar em algum concurso público, no lugar de advogar;
- não tivesse tanto 'medo' de São Paulo e, recém formado, tivesse vindo pra cá estudar e, consequentemente, trabalhar;
- não tivesse desistido de advogar para viajar ao Canadá e depois trabalhar com minha família;
- fosse menos 'covarde' e tivesse seguido meus sonhos, entre milhares de outras.
Será que eu estaria aqui, agora? Será que eu teria este blog? Será que eu estaria casado, com filhos? Quem seriam meus amigos? Será que eu estaria vivo?
É, perguntas que, vez ou outras circundam minha mente. Mas, como não somos personagens de um seriado nem de uma história em quadrinhos, isto se limita à minha imaginação.
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