quarta-feira, agosto 18, 2010

Meu Livro

Quem não leu, agora pode ler o "Quando a Vida Imita a Arte" no Bookess, no link abaixo:

terça-feira, agosto 03, 2010

Nunca diga que isto aqui é 'apenas' futebol

Perdi a conta de quantas vezes, após uma derrota do Palmeiras, eu, de mau humor, ouvi de muita gente: Por que você está bravo, isto é apenas futebol, você não ganha nada com isto. Mas isto é uma grande mentira, e quem não entende o que isto realmente é, deveria se abster de qualquer comentário nesta hora.

Futebol nunca é apenas futebol. Futebol é amor, é paixão, no seu maior nível. Na vida você pode trocar de tudo, de esposa, de orientação política, de carreira, de religião, de opção sexual, mas nunca, em tempo algum, você pode trocar de time. E outra coisa, você nunca escolhe o time para o qual vai torcer por alguma razão aparentemente racional, é ele que te escolhe e, quando você menos percebe, é um torcedor apaixonado.

Futebol nunca é apenas futebol, pois eu não sei separar a minha vida de antes ou depois dele, pois para mim eu sempre fui um torcedor, e não lembro de uma vida sem torcer. As primeiras lembranças que eu tenho de futebol são de 85, quando o Palmeiras perdeu para o XV de Jaú por 3x2 no Palestra. Estávamos voltando da chácara da minha vó e meu pai ouvia o jogo no carro, que terminou pouco antes de chegarmos, e eu lembro claramente dele muito puto e decepcionado.

Futebol nunca é apenas futebol porque eu não consigo separar a relação com meu pai sem o futebol, e sem o Palmeiras. Depois daquele dia, eu passei a ser um torcedor apaixonado, junto com ele. E ele me levou as primerias vezes ao estádio. Ele me levou 2 vezes ao estádio da Inter de Limeira, me levou ao Pacaembu ver o Palmeiras jogar com o Vasco e empatar em 1x1, me levou algumas vezes ao Palestra, tudo isso quando eu era criança. Lembro que cada jogo era uma epopéia, e eu adorava cada momento.

Futebol nunca é apenas futebol porque eu lembro das noites que eu passei acordado até tarde, gravando os melhores momentos dos jogos do Palmeiras para quando meu pai chagasse do trabalho, ele pudesse assistir.

Futebol nunca é apenas futebol porque eu perdi noites e noites sofrendo com derrotas do Palmeiras nos anos da fila, derrotas inaceitáveis, que eu acampanhava num velho radio que tinha e ficava, na minha cama imaginando como as coisas se desenrolaram. Inter de Limeira, Ferroviária, Portuguesa, Bragantino, estes times povoavam a minha imaginação com um gosto amargo de derrota.

Futebol nunca é apenas futebol porque mesmo com os 16 anos de fila e sendo sempre o único palmeirense da escola, eu nunca desisti, muito pelo contrário. A minha alma de torcedor foi forjada no fogo do inferno da derrota e da humilhação, e isto ninguém vai destruir.

Futebol nunca é apenas futebol porque naquele início de noite de junho de 1993, o Palmeiras foi campeão e eu não sabia o que fazer. Eu não sabia se corria, se gritava, se chorava, e tive que perguntar pro meu pai como fazer, mas ele também não conseguia me responder.

Futebol nunca é apenas futebol porque naquele dia eu aprendi uma sensação nova, que eu só imaginava que existia mas não fazia idéia do que era, algo apenas comparável com o primeiro beijo ou a perda da virgindade. Eu enfim poderia parar de ler aquela Placar velha, que falava sobre as glórias do passado e não precisava mais tentar imaginar o que tinha sido aquela decisão de 1976 contra o XV de Piracicaba.

Futebol nunca é apenas futebol porque ele nunca me abandona, como eu nunca o abandonarei. O Palmeiras me deu muito, muitos amigos, muitas alegrias, também muitas tristezas, mas eu tenho certeza que ele não queria isso, o Palmeiras nunca quis me magoar, ele sempre me quis ver feliz. Mas nem sempre isso é possível.

Futebol nunca é apenas futebol porque futebol e Palmeiras são sinônimos de mim e meu pai, eu não consigo imaginar o Palmeiras sem a existência do meu pai, que me apresentou este time, me apresentou esta paixão, me levou aos estádios quando eu mal entendia as coisas e continuou me levando quando eu entendia aquilo muito bem.

Futebol nunca é apenas futebol porque mesmo quando tudo ruiu, e a minha relação com ele chegou aos piores níveis possíveis, o futebol nos uniu e nos confortou. Nos confortou naquele jogo contra o Cruzeiro, pelo Brasileiro do ano passado, quando ganhamos bem e nos trouxe um pouco de luz no inferno. Nos alegrou quando pudemos, ano passado também, assistir ao jogo contra o Vitória no Palestra depois de tantos anos longe, sendo que daquela vez eu o convidei, e isso me deu uma alegria gigante.

Futebol nunca é apenas futebol porque no jogo contra o Grêmio, na despedida em jogos oficiais do estádio que eu aprendi a amar, a alegria não foi completa, porque eu não pude olhar para o lado e ver ele comigo, lá, xingando e comemorando.

Futebol nunca é apenas futebol porque as lembranças, histórias e laços que ele cria são eternos.

Portanto nunca, jamais, em tempo algum, diga para um apaixonado que aquilo é 'apenas' futebol, pois não é verdade. O futebol é muito maior do que isso e quem não consegue compreender, não deve criticar nem fazer pouco, pois o futebol nunca é apenas futebol.

E obrigado pai, por me transformar num apaixonado por futebol, e por trazer o Palmeiras até a minha vida!


Texto replicado nos meus dois blogs, pois ele é muito mais do que apenas uma postagem sobre futebol, é sobre vida e amor.

quinta-feira, julho 29, 2010

Jogo das Barricas III

Em 2008, meia dúzia de radicais, intolerantes e irracionais corinthianos e palmeirenses que viviam trocando suas farpas por blogues, e-mails e que tais - ainda não havia se disseminado o Twitter - resolveram consertar o ato mais irresponsável das diretorias de Corinthians e palmeiras de sua história. Um dos gaiatos teve a idéia de jerico e o restante não só concordou como ajudou a viabilizar aquilo que viríamos chamar de Jogo das Barricas - a reparação histórica.

Quem ainda não entendeu nada, deve obrigatoriamente visitar o Cruz de Savóia para ter noção exata do que foi a "Taça Augusto Mundell", eternizada e popularizada nos registros futebolísticos como o Jogo das Barricas a que nos referimos. Tal alcunha foi dada graças às esmolas arrecadadas pelas duas grandes equipes paulistanas, mais a Lusa, em benefício do time de Jd. Leonor, numa atitude que nos custou caro pouco tempo depois, com a intervenção na presidência do Corinthians e a mudança do palestra para palmeiras - a própria Portuguesa foi vítima de um dos rolos tricolores, comprando o Canindé depois que ele foi tungado pela escumalha dos alemães.

Pois é contra essas e diversas outras aberrações da história sombria do time de madame que queremos não só denunciar, mas também prestar tributo a todos os nossos guerreiros antepassados. Mais ainda, eis a prova de que corinthianos e palmeirenses (e agora consta que teremos a participação de uma esquadra lusa) conseguem conviver em clima fraterno quando o que está em pauta não é a disputa do maior clássico do mundo.

Assim, a 3ª Edição do Jogo das Barricas será realizada no próximo dia 21 de agosto, um sábado, a partir das 15h. Conseguimos, desta feita, fazer com que o evento aconteça na gloriosa várzea paulistana, local de gestação daquele futebol que todos aprendemos a amar, o futebol do povo. Voltar à várzea, aliás, ganha mais significado porque é um protesto contra a modernidade assassina, tão peculiar daquele clube que temos o prazer de combater.

Pedimos, então, a colaboração de R$20 dos interessados para custear o aluguel do campo e o churrasco que será feito durante e depois da partida. A cerveja e demais bebidas não estão inclusas, mas poderão ser adquiridas a preços honestos no bar da agremiação que irá nos receber. Infelizmente, não podemos divulgar abertamente o local do jogo por questões óbvias. As informações só serão enviadas para quem se identificar via e-mail (cramone99@gmail.com ou cruzdesavoia@gmail.com) e garantir presença. Posteriormente, iremos divulgar uma conta corrente para receber os depósitos. A prestação de contas será cristalina e, caso haja sobra, ela entrará no rateio das Brahmas.

Aos corinthianos e palmeirenses, reforço que essa edição será a "nega", já que os alvinegros levaram a primeira e os alviverdes faturaram a segunda. Quanto aos uniformes, vale a sugestão de levar tanto o primeiro quanto o segundo fardamento, para que os presentes decidam no voto qual das camisas deve entrar no gramado.

Recado final: leve suas moedinhas! Afinal de contas, madame está descontrolada também nos cofres e a intenção é despejar uma barrica cheia níqueis na porta do Morumbi. Contamos com a presença!

Jogo das Barricas - 3º edição
Data: 21 de agosto - às 15h (pontualmente)
Preço: R$20 (aluguel do campo e churrasco)
Inscrições e informações: cramone99@gmail.com / cruzdesavoia@gmail.com

segunda-feira, julho 19, 2010

A Arte no Sofrer

Para começo de conversa, eu não sou masoquista, bem longe de mim gostar de sofrer e estas coisas, pois convenhamos: isto é chato pra caralho!

Mas uma coisa é necessária ser dita: a tristeza e o sofrimento são poéticos. E quando eu falo poético não estou me referindo a um estilo literário, mas sim a toda e qualquer forma de arte que seja criada com a alma e o coração. As obras mais bonitas não complementadas pela dor, seja de um amor perdido ou impossível, seja pela pelo vazio da solidão, seja por qualquer outra forma de tristeza.

Provavelmente porque o papel, a tela, a câmera, o pincel, um instrumento musical, na mão de um poeta sofrido serve como forma de exorcismo, quando o artista consegue transferir para o mundo físico toda aquela dor que existe no etéreo e, consequentemente, quem aprecia esta obra capta uma parcela deste sentimento para si.

Ninguém gosta de sofrer, mas a maioria vê o sofrimento como arte, por isso gostamos de livros e filmes tristes, músicas melancólicas, quadros e esculturas pesadas. E pensar nesta tristeza faz a gente dar maior valor para os momentos felizes te temos.

segunda-feira, julho 05, 2010

Um Contador de Histórias

Vendo ontem um filme bobo, daquelas comédias com cara de domingo, onde você não quer pensar, me vi pensando. O fato é que eu acabo me vendo pensando em praticamente todos os filmes e seriados que assisto, livros e quadrinhos que leio, propagandas de carros nas revistas que vejo.

Na verdade, tudo que que é escrito é feito para nos fazer pensar, mesmo que de uma forma inconsciente. Um filme não precisa ser sério, denso, para nos levar a refletir algo, mesmo na simplicidade a mensagem pode, e deve, ser transmitida. E quando falo de filme, é porque foi o que me fez pensar, mas vale para qualquer mídia que dependa da criatividade de alguém para criar algo.

As vezes me pego pensando, qual é a utilidade para a sociedade de alguém que escreve. Não salva vidas, não alimenta, não esquenta, não protege das intempéries da natureza, não cura, não transporta, não alivia a dor. É, teoricamente, uma coisa da qual podemos viver sem.

Teoricamente, pois graças a Deus não é assim que funciona. A vida é muito mais do que o tangível, e precisamos daquilo que não podemos dimensionar. Precisamos aprender lições, precisamos sonhar e acreditar. Porque sim, uma história salva vidas, alimenta a alma, esquenta nosso espírito numa noite fria e solitária, nos protege da chuva e do frio, cura nossas tristezas, nos transporta para um lugar mais bonito, colorido e feliz, alivia as nossas dores, dores da alma, dores do coração, dores da vida.

A escrita é um dom e o contador de histórias tem tanto valor quanto um médico ou um engenheiro, pois de que adianta um corpo são e pão na mesa, se a alma está vazia?

quinta-feira, julho 01, 2010

Meu Ano Novo

2009 foi um ano foda para mim, principalmente o primeiro semestre. Depois de um longo período de estagnação total, resolvi dar um rumo pra minha vida e, nestes casos, de mudança abrupta, temos duas possibilidades: ou uma aparente boa oportunidade que cai no colo, ou fazer aquilo que sabemos fazer. E no meu caso, parecia que tudo se acertava, uma oportunidade de ser sócio em um escritório de advocacia de Campinas que iria abrir em São Paulo, com grande know-how e clientela. Encurtando a história, em seis meses tudo que estava complicado ficou muito pior, e eu acabei sem grana, sem patrimônio, com um monte de cheque sem fundo e uma bucha na mão.

Lembro como se fosse hoje que eu tava no escritório que eu tinha alugado com outro cara, que também foi enganado, olhando pra tela do computador, totalmente perdido, imaginando o que eu iria fazer da minha vida, quando a Carol (com quem na época eu nem tinha tanta amizade ainda) me perguntou se eu estava interessado numa vaga no IPSO, onde ela trabalhava.

Eu comecei a trabalhar lá, num ambiente que me fez muito bem naquele período de extremo estresse, e me inseri em um novo (velho) mercado, o de tecnologia. E assim os caminhos começaram a se abrir pra mim. O dia que ela me chamou? 01 de julho de 2009.

Foi então que meu ano realmente começou e as coisas começaram a dar certo pra mim. Certo, ainda tinha muita bagagem anterior e outras coisinhas novas, mas é injusto dizer que foi um período ruim, prefiro acreditar que foi um período de aprendizado.

E este período durou até ontem. Aprendi muito coisa, de boas e de más maneiras, mas é assim que funciona a vida. E mais engraçado ainda é que têm momentos da nossa vida que estamos mais acessíveis às pequenas dicas que recebemos, e conseguimos assimilá-las bem. Incrível que coisas, apesar de óbvias, passem tanto tempo despercebidas, quando estamos sem foco.

Assim, meu ano começa. E resolvi começar com coisas práticas. Ontem vi um filme que, aparentemente, era bobinho, mas que acabou tendo uma puta sacada: quase no final dele, com um casal aparentemente apaixonado, a menina fala para o cara escrever uma carta explicando porque amava ela e que ela faria o mesmo. De posse delas, eles enteraram ao pé de uma árvore, para serem lidas exatamente um ano após (claro, a sacada não é só essa, e sim o desenrolar, mas não convém contar). E, se eu quero mudar, porque não escrever uma carta com a lista das coisas que eu quero mudar em um ano, colocar num envelope e datá-lo para 01 de julho de 2011? Foi o que fiz.

É óbvio que essas datas não valem nadas, são instituições do homem e, paralelamente ao 'calendário oficial', existem diversos outros, quase todos políticos, sem o mínimo de fundamento astrológico ou espiritual, mas quem faz as nossas datas somos nós mesmos, e eu decidi, novamente, fazer desta a minha. Que bons ventos me guiem para mares tranquilos e emocionantes. E com tesouros, porque ninguém é de ferro e ganhar dinheiro é bom!

segunda-feira, junho 21, 2010

Um Novo Começo ou Mais do Mesmo

Um dia, uma pessoa iluminada disse: Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. E embora esta frase possa soar como um chavão ou uma auto ajuda, ela é muito intensa e forte.

Mas o que é um novo começo? E quem disse que as vezes a gente quer um novo começo? Quem disse que coisas que ficaram para trás são ruins? Por que a gente não pode é ter de volta as coisas que perdemos, que deixamos pelo caminho?

As vezes, é mais do que uma coisa física, mas uma sensação, um sentimento, um momento, uma lembrança, um cheiro, uma imagem, um segundo de olhos fechados em que nos sentimos a pessoa mais completa do mundo. Mas tudo isso a gente deixou. Deixou por motivos inexplicados e inexplicáveis. Deixamos. Fomos deixados. Perdemos. Esquecemos. Não demos valor. Não percebemos. Não estávamos prontos.

Não estávamos prontos?

Nunca estamos prontos, estamos? Afinal, não sabemos o que queremos, nem como queremos. Queremos tudo perfeito, mas a perfeição não existe porque somos imperfeitos por natureza. Buscamos todos os prazeres, tudo ao mesmo tempo agora e não sabemos nem o que queremos. Não sabemos ou simplesmente não conhecemos, não temos parâmetros para saber. Como saber o gosto de uma fruta, saber se gostamos dela se numa a experimentamos. Nem a cheiramos. Muito menos a tocamos.

Buscamos a perfeição e não nos contentamos com menos, e depois fugimos. Deixamos um rastro das nossas histórias e nossas decisões, na esperança que aprendamos com ele, mas não é assim que a vida funciona. Nos viramos para olhar o rastro e tropeçamos em algum obstáculo. Caímos, nos machucamos. Aumentamos o rastro.

Abandonamos as sensações achando que vivemos melhor sem elas, mas daí percebemos que elas que nos conduzem. Um peito vazio e uma pele sem dor não serve para nada, são apenas receptáculos do vácuo e da insignificância. É desta forma que conduzimos, um trem sem condutor, que apenas continua no trilho pelas leis naturais e pelo acaso. O mesmo acaso que vai descarrilá-lo a qualquer momento. E ninguém irá chorar pelos seus mortos, porque ali não estava ninguém.

Fazer um novo começo pode significar muita coisa, mas só é possível no momento em que nos conscientizarmos de nossas incompetências, e aceitarmos vivermos com isso. Viver um novo começo só é possível quando vivemos com o que já vivemos, aceitando e não varrendo para debaixo do tapete.

É aceitar que erramos. É aceitar que somos falhos e fazemos merda. É perdoar. É pedir perdão. É chorar na hora certa, mas depois sorrir e seguir em frente. É sofrer, reclamar, maldizer, mas saber que, quem sente tudo isso é feliz, pois o pior sentimento é o de não mais sentir.

*texto escrito de uma vez só, sem revisão. é assim que eu funciono, é assim que este tipo de texto é aqui



domingo, junho 20, 2010

A Terceira Revolução Industrial

Na última quinta e sexta eu tive a feliz oportunidade de participar da Infotrends, que tratou de diversos temas sobre internet, redes sociais e por aí vai. Para mim foi muito legal, pois eu ainda sou bem novo no tema, até pouco tempo atrás isto era apenas parte do meu tempo livre e, de repente, me vi trabalhando com isto.

Vi muitas palestras e debates de assuntos diversos, e me vi tentado a escrever alguma coisa. Claro, não tenho a pretensão de ensinar ninguém, até porque eu sou totalmente 'newbie' no assunto - profissionalmente, porque eu sou 'hard user' nas horas vagas -, e sim de dar a minha opinião sobre as coisas, afinal é para isso que um blog serve, certo?

Mas o mais engraçado é que, no meio de tanta coisa técnica e específica, a apresentação que mais me impressionou foi a do Chris Anderson, escritor do 'Long Tail', que foi praticamente inteira teórica e conceitual. Só que ela foi incrivelmente 'open minded', aquela coisa do ovo de Colombo, parece óbvio depois que ouvimos, mas nunca pensamos nisto antes.

Ele falou sobre o que ele chama da terceira revolução industrial, totalmente influenciada pela 'Long Tail', pela existência cada vez maior dos nichos, que por sua vez são cada vez mais específicos. Alguém precisa suprir estes nichos, e não serão as grandes empresas, que são muitas vezes engessadas e não investem em mercados sem muito volume. Assim, os atores desta revolução serão os microempreendedores, trabalhando cooperativamente e, principalmente, com paixão.

Esta é outra palavra chave deste momento, a paixão. Esta revolução está se dando por pessoas que fazem aquilo que amam, nos seus momentos de folga, sem a pressão de ganharem dinheiro. Elas fazem isto porque gostam, como um 'hobby', sem qualquer pretensão maior, mas daí as coisas vão tomando forma e se tornam um negócio. O que um dia começou como uma forma de suprir um interesse muito específico seu, que não era suprido pelo mercado convencional, pode dar início a um grande negócio.

É a era da cooperação, da especificidade, do trabalhar por prazer, não por obrigação. É a hora de arregaçar as mangas e tirar as idéias de dentro da sua cabeça e torná-las reais. É a hora de seguir seus sonhos e suas paixões, e transformar isto numa carreira.

terça-feira, junho 08, 2010

Um Gostinho de Muito Tempo Atrás

Eu não sou muito fã de games, mas um dos jogos que eu mais joguei na minha vida foi o 'Príncipe da Pérsia', ou simplesmente 'prince', como ele era mais conhecido, pois naquela época você precisava digitar o nome do arquivo executável no prompt do DOS. Lembro inclusive que foi a primeira coisa que eu vi em um monitor colorido (entenda-se monitor colorido um CGA de 16 cores, quase todas tons de rosa e verde).

Lembro que joguei muito este jogo, mas ele era foda, você tinha apenas uma hora pra terminar, e quando você morria voltava lá pro começo da fase. Só consegui terminar quando alguém inventou um cracker que liberava o tempo, daí eu consegui superar as 13 (acho) fases e finalmente matar o Vizir. Só que, apesar de gostar muito dele, não joguei nenhuma das versões que vieram depois, nem tenho a mínima idéia como elas são.

Só que, quando começaram a falar sobre o filme, eu fiquei interessado. Não sou de assistir adaptações de games para o cinema, até porque a maioria deles são de jogos que eu nunca joguei (menos Doom e Alone in the Dark, mas estes pessoas de alta credibilidade disseram para eu me manter longe), mas desta vez fiquei curioso. Primeiro porque parecia ter um orçamento decente depois porque, oras, o jogo era legal pra caralho!

Acompanhei os trailers e achei bem legal. Quanto a história, isso para mim tanto fazia, pois a história do primeiro jogo era a mais banal possível: Vizir sequestra a princesa (ou sei lá o cargo que ela tem) e o mocinho precisa invadir o castelo para libertá-la. Ou seja, qualquer história seria melhor do que isso. Mas daí eu vi que o roteiro seria escrito pelo criador do game, o que impediria de haver uma destruição da história, e me animou mais ainda.

Então, segunda-feira a noite, lá vou eu ao cinema, assistir ao filme. Sala quase vazia, como era de se esperar, bastaram poucos minutos para perceber que o roteiro seguiria o ritmo frenético do jogo, com muita ação, os malabarismos de sempre, imprimindo a idéia de um game de plataforma mesmo. A história? Não sei se tem a ver com algum dos jogos subsequentes, mas é devolver uma adaga mágica para o seu lugar de destino, impedindo desta forma que ela caia em mãos erradas, que já estão de olho nela.

Na real, o filme é bem previsível, só o final que não é tanto, e tem de tudo que Hollywood gosta: ação, aventura, romance e comédia. Mas quem disse que isto é uma crítica? Eu gostei muito do filme, me diverti nas quase duas horas que lá estive e saí com um gostinho que ele poderia ter até durado um pouco mais.

Só que é um filme para duas classes: meninos e nerds. Como eu sou os dois, eu curti bastante, mas não é o melhor filme pra ser ver num dia dos namorados. A não ser que ela seja uma nerd também.

quarta-feira, junho 02, 2010

A Velocidade das Redes Social, Um Exemplo Bobo

Não costumo escrever aqui muito sobre coisas com as quais eu trabalho, até porque normalmente trabalho com coisas desinteressantes e que não geram nada que valha a pena dizer, mas de uns meses para cá eu comecei a trabalhar com redes sociais, o que tem tudo a ver com este blog. Com isso, dá para aprender um monte de coisas e ver aplicações práticas daquilo que para mim, até algum tempo atrás, não passava de um hobby.

Porém eu vou falar aqui de algo que aconteceu não exatamente no meu trabalho, mas sim em um assunto off-topic, mas que tem tudo a ver com este conceito de redes sociais. Ontem (terça), estávamos conversando via Twitter eu, Ademir, Carlinhos e Fábio sobre o Palmeiras jogar estes dois útimos jogos com a camisa limpa e, um assunto leva ao outro, falamos que a camisa poderia apresentar alguma forma de protesto. Assim, o Carlinhos brincou com a camisa e fez duas idéias: a primeira escrita na frente: "Fora Cipullo", e a segunda: "Precisa-se de um:" acima do número 9, clara alusão ao fato de não termos um centroavante fazedor de gols.

A brincadeira foi muito legal e começamos a retwittar. Qual não foi a surpresa quando, uma hora depois, as imagens estavam no portal GloboEsporte.com (com direito a chamada na home do Globo.com) e, posteriormente também no Blog da Redação, do Uol.

Tá, mas o que isso quer dizer? Muito simples, isto mostra duas coisas: a velocidade com que as coisas acontecem nas redes sociais e que existe muita gente de olho nelas. Existe muita informação rodando nelas, e assim como existe muito lixo, existe também muita coisa boa, muitas mentes pensantes e ativas que, até pouco tempo atrás eram restritas à pequenos nichos, ou mesmo à sua cabeça, sem ninguém mais conhecer suas criações. E que, com o advento das redes sociais, principalmente o Twitter e o conceito de instantaneidade e simplicidade criado, um universo novo se abriu para estas pessoas.

As principais empresas e mídias já perceberam o valor da rede social e a sua penetração, e estão de olho nelas 24/7, sem deixar escapar quase nada. Mesmo no meio do flood de informações, é muito mais fácil você ser ouvido hoje que antigamente, principalmente se o que você disser tiver alguma relevância. É cada vez mais difícil se alegar ignorância e sustentar uma mentira, pois além de todos virarem publicadores de conteúdo, passaram também a ser avaliadores destes.

E assim funciona este novo conceito de redes sociais, uma brincadeira entre amigos acabou nos dois maiores portais da internet, o que nos faz pensar quanto mais disto aconteceu e acontece todos os dias. Será mesmo que as redes sociais ainda são aquilo que já foi um dia dito do Twitter, um hospício, onde todo mundo fala sozinho e as vezes, um louco responde? Acho que não mais, não tem mais ninguém falando sozinho aqui. Muito pelo contrário.

Para quem tiver curiosidade em conhecer o desenho:

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2010/06/foto-palmeirense-brinca-para-protestar-contra-cartola-e-falta-de-9.html

http://uolesporte.blog.uol.com.br/arch2010-05-30_2010-06-05.html#2010_06-01_22_39_31-10305746-0

terça-feira, maio 25, 2010

The Lost Art of Keeping a Secret

Eu sou um eterno fuçador de séries. Muitas vezes eu pego uma, pela sinopse ou mesmo pelo nome, e assisto um ou dois episódios, para ver se eu gosto. Algumas são ruins e logo são jogadas no lixo, as vezes antes de terminar o primeiro, mas algumas são muito boas.

A última 'descoberta' foi Life UneXpected, uma série que eu não dava nada, até porque o cartaz dela teve a 'grande' idéia de dizer ser 'uma mistura de Gilmour Girls com Juno', fato que me afastou por um tempo, porque eu imaginava que era muito #mimimi, até que eu fiquei sabendo que a Erin Karpluk (Being Erica) trabalhava na série. Daí resolvi dar uma chance.

A história é básica, nada demais. Um casal faz sexo uma única vez, aos 16 anos, engravida e dá a criança para adoção. Outros 16 anos se passaram e a criança-agora-adolescente aparece se identificando e pedindo a assinatura de um documento de emancipação, pois ninguém a adotou. Com isso, a vida dos dois, um dono de bar imaturo e falido e uma famosa, bem sucedida e amarga radialista, vira de cabeça para baixo.

Roteiro simples mas bem amarrado, situações leves e deliciosas, dramas e mais dramas. Eu gostei muito do resultado, tanto que em 2 dias eu vi 5 episódios (4 em seguida) e o resto já está no forno. Mas o que mais me pega nestas séries (e ultimamente isto acontece muito mais do que em filmes) são que elas me fazem pensar na vida, nas coisas que acontecem ou aconteceram e eu, quando menos espero, vejo lá um pedacinho da minha vida e dos meus dramas, e me teleporto para dentro da tela. Daí começa todo aquele processo imaginativo, e minha mente funciona a mil por hora.

Eu gosto disso, pois eu sem imaginação e sem sonhos não existo, além do que também preciso de estímulos exteriores para pensar na vida, e nas coisas ao redor dela.

sexta-feira, maio 21, 2010

Futebol é a Minha Insônia

Ontem a noite eu estava quase dormindo, tentando assistir House mas mais pescando que outra coisa, até que desisti. Desliguei o DVD e, só por curiosidade, coloquei no jogo do Flamengo e do Universidade, mais para saber mesmo quanto estava o jogo. Era o começo do segundo tempo e o começo da minha 'insônia'.

Pronto, acordei! E olha que o jogo nem estava muito bom. E, principalmente, eu não tinha interesse nenhum no jogo, apesar de torcer pro Flamengo perder (não tenho esta história de 'Fulano é o Brasil na Libertadores'). Mas já era, comecei a assistir e lá se foi meu sono. E pior, quando acaba o jogo, eu ainda demoro uns bons 20 minutos para me desligar.

Isto quando não é jogo do Palmeiras, por daí a situação complica mesmo! Lá se vai uma hora pra desligar quando é uma partida normal e, pelo menos duas horas quando o jogo vale algo. Pior que normalmente eu vou dormir com raiva, porque o time não colabora.

Pior que eu tento evitar, mas não tem jeito, tem jogo bom na tv, lá vou eu assistir, e demorar pra dormir depois.