domingo, maio 16, 2010

Réquiem para um Sonho (um adeus)

Eu não lembro exatamente quando foi, acho que foi por volta de 1997, quando eu tinha 20 anos. Já era apaixonado por música, mas era um completo leigo. Vivia na casa do Ricardo, que ensaiava num quarto da casa dele com os primos e, um dia, o Fabrício, que as vezes tocava com eles, falou que nem poderia mais, pois estava com outra banda e tal, e no meio da conversa, o Ricardo me perguntou porque eu não aprendia a tocar baixo. Eu, que não tinha muito idéia o que era um baixo, entrei na brincadeira e, com ajuda do Fabrício, comprei um baixo Washburn Lion, modelo jazz bass.

Comecei a fazer aulas e, um dia, resolvemos levar a brincadeira a sério, e passamos a ensaiar. Até que em fevereiro de 2000, numa festa de aniversário, entre outras pessoas, fizemos um pocket show, com 5 músicas. Bem longe do primor da técnica, foi até um show divertido.

Depois disso, toquei em duas bandas em Sta Bárbara, até 2002 e, depois que mudei pra São Paulo, em 2004, eu comecei a tocar com o Bresser, banda onde estou até hoje.

Foram 6 anos de banda, com muitas histórias. Tocamos covers que ninguém conhecia, fizemos shows em lugares mais variados possíveis, ensaiamos em horários absurdos, compusemos músicas muito boas, mas, acima de tudo, ficamos muito amigos.

O Bresser deixou de ser uma banda, para ser uma família. Nos divertimos, rimos, bebemos, fizemos besteiras. Fomos companhia nos bons e nos maus momentos. Apoiamos um ao outro quando foi necessário, sofremos juntos em diversas situações. Enfim, foi um período inesquecível.

Mas como tudo na vida, um dia acaba. E por mais que você ame o que faz, as vezes precisa tomar algumas difíceis decisões. Porque o Bresser cresceu, e era isso que a gente queria. Só que cresceu de uma forma que passou a exigir de mim mais do que eu poderia dar. Mais do que o 'músico' medíocre que sou poderia oferecer. E isto não é justo.

Exatamente por isso, naqueles momentos em que a gente respira fundo e consegue colocar a razão na frente da emoção, decidi tomar a dura decisão de pegar aquele mesmo Washburn, que me acompanha há 13 anos, colocá-lo no canto e, finalmente, aposentá-lo.

Muitas lembranças ficam, mas isto que é o maravilhoso de lembranças, elas nunca nos abandonam. E o que vivi nestes anos, ninguém nunca mais vai tomar de mim. Vou sentir falta dos ensaios aos sábados de manhã, das discussões com relação ao repertório, de compor, de ver uma música surgir do nada e, de repente, tomar corpo, de se preparar para os shows e, claro, de subir no palco e fazer uma das coisas que mais amo na vida: tocar.

Eu amo música, e nunca vou deixar de amar. Assim como não vou deixar de amar os caras do Bresser. Mas quem ama, quer o melhor praquilo, e o melhor pro Bresser hoje é seguir sem mim. Sei que os caras vão dar conta e vão continuar com esse legado bonito. E, mesmo fora do palco, eu sempre vou estar perto, pois um pedacinho daquilo tudo é meu, e sempre será.

3 comentários:

Alex disse...

Sempre será tempo de repensar... calma, amigo.

disse...

Puxa Hiran, nunca pensei ler isso um dia. Respeito, afinal, deve ter sido uma decisão pensada a exaustão, mas, não posso deixar de lamentar, de verdade, já que é como vc mesmo disse, um pedacinho de tudo aquilo é seu. Tem mesmo certeza? Se sim, fará falta, tenha certeza disso.
Espero que esteja tudo bem por aí.
Bjo Gde

Annie disse...

Estou triste... tinha a esperança de um dia vê-lo tocar. =(
Fica bem tá? =)
=***